Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Sabe aquele evento de encontros de casais que aparece em filmes onde as mulheres sentam nas mesas e os homens de minuto em minuto vão trocando de cadeira para bater papo? Sabia que isso existe aqui no Brasil? Eu não sabia até almoçar com uma amiga recém separada e ela me contar. A primeira vez que eu vi esse tipo de evento foi no seriado Sex and The City, e confesso que achei bem, bem estranho, mas conforme fui vendo em outros filmes e seriados, me bateu aquela curiosidade e quando minha amiga me mandou o site depois do nosso almoço, eu imediatamente entrei para conferir os detalhes. A coisa funciona mais ou menos assim: a empresa organiza os eventos em bares e restaurantes de acordo com faixa etária e é cobrado um valor para a inscrição garantindo sua participação no evento. Quando você chega no evento….ah não! Deixa eu contar algumas coisas antes de falar sobre quando você chega.

Lá estava eu, conferindo os detalhes, os próximos eventos, as fotos e comentários de eventos anteriores, os valores e pensando se toparia participar ou não. Como minha amiga manifestou o interesse em ir, eu acabei topando fazer companhia. Escolhemos um evento que fosse bom para as duas e depois de colocar minhas informações no site, eu estava inscrita. Bom, eu sabia que havia a possibilidade da minha amiga desistir e eu acabar indo sozinha ao evento, o que de fato aconteceu, mas naquele momento eu estava mais curiosa para conhecer o evento do que para conhecer o grande amor da minha vida. O evento aconteceria em algumas semanas e quando eu contei para algumas amigas, as reações foram diversas.

“Você vai sozinha? Que coragem!” – Vou conhecer ué, nada demais!

“Que legal, depois me conta tudo!” – Pode deixar!

“Você precisa ser muito bem resolvida para ir nesse evento e sozinha” – Oi?! Preciso é?

Pouco tempo depois de me inscrever e responder as perguntas das amigas, claro que a insegurança bateu. Quem será que eu vou encontrar lá? Qual o tipo de pessoas que eu vou conhecer? E se eu não tiver nenhum mach? As semanas foram passando e eu deixei de pensar no evento até que o dia chegou. Ok, dois dias antes eu já estava pensando nele e escolhendo a roupa (na verdade acho que escolhi a roupa no dia que me inscrevi), mas quando o dia chegou eu decidi que tentaria não criar expectativas, iria para conhecer, matar a curiosidade e qualquer coisa que acontecesse a partir disso seria lucro.

No dia do evento, eu combinei de encontrar uma amiga lá mesmo onde tudo aconteceria, ela não iria participar, mas nós jantamos e papeamos até tudo começar, eu não tinha ideia do que esperar e achei que ter companhia nesse momento seria bom. Conforme a casa foi enchendo, percebi um grupo de mulheres se formando de um lado e outro de homens do outro lado, não que isso tenha sido pré determinado, acho que foi mais por afinidade, pelo que percebi grande parte das mulheres estavam lá pela primeira vez, logo se reuniram pra bater papo.

Minha amiga foi embora, e no horário combinado (com alguns minutinhos atraso) nos chamaram para um lugar reservado para a realização do evento. Primeiro as mulheres e depois os homens. Assim que sentei, troquei algumas palavras com a minha vizinha de mesa, também era a primeira vez dela no evento e ambas estavam sem saber o que esperar. Logo que nos acomodamos, os homens chegaram e também escolheram um lugar pra sentar, para que o organizador nos explicasse como funcionaria o evento. Esse primeiro momento com quem senta na sua frente é um pouco constrangedor, ninguém sabe muito o que falar, então apenas nos cumprimentamos, nos apresentamos e esperamos pela explicação.

Ao sentar recebemos um adesivo com o nosso nome e uma ficha de papel para avaliação de cada participante. Cada casal tem quatro minutos para conversar e ao toque do sino, os homens trocam de mesa, nesse momento avaliamos cada participante com “Sim”, “Não” ou “Talvez”. Ao final do evento devolvemos a ficha e a empresa faz as combinações. Dando sim com sim ou sim com talvez os participantes recebem um e-mail com o contato de quem se interessou e a partir daí cabe a cada um tomar alguma atitude. Antes de tudo começar, há uma dinâmica para quebrar o gelo dos participantes, onde todos recebem um papel com quatro frases e se movimentam para encontrar seu par, dura poucos minutos e só serviu para eu dar uma olhada no lugar e ver se alguém me chamava a atenção, assim que a dinâmica acabou, a noite começou.

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As conversas começavam com informações básicas: nome, idade, endereço e profissão, passando para quantas vezes participou do evento e o que estava buscando ali, em alguns casos somente essas perguntas já preenchiam os quatro minutos, em outros uma das respostas era ao gancho para uma conversa mais interessante ou curiosa, como o cara que mora perto da minha casa e tem planos de abrir uma galeria de arte no bairro. Conforme as cadeiras iam sendo trocadas eu olhava para a mesa do lado tentando prever o que estava por vir. No meio da noite eu já estava um pouco cansada de falar, arrependida por não ter levado uma garrafa de água e um pouco desanimada com o que estava encontrando. A cada um que passava eu pensava “Quem sabe o próximo?” e assim chegou o fim da noite onde a previsão de uma das minhas amigas se concretizou: “é muito mais fácil você não gostar de ninguém do que o contrário.”

Ao todo, conversei com vinte e um rapazes, de estilos e idades mais variados, desde um jovem educador físico até um cinquentão com uma alegria de viver que muitos homens, ou melhor, muitas pessoas da minha idade não possuem. E todos com exceção do último, foram muito simpáticos, atenciosos e dispostos a conversar. Cada um com sua particularidade, pessoas inteligentes, com formação, maioria com bom papo, mas nenhuma delas me chamou a atenção a ponto de brilhar os olhos e acender aquele SIM como nos desenhos animados. Não por questões de estética, pois um bom papo me conquista muito mais do que aparência, mas por afinidades. Eu sou solteira, nunca fui casada e não tenho filhos, estava buscando encontrar pessoas com o mesmo perfil. O que eu não havia previsto é que pessoas um pouco mais velhas possuem um pouco mais de bagagem que algumas vezes se traduzem em casamentos, filhos, ex esposa etc.

Ao final da noite, eu estava olhando para a minha ficha limpa sem saber o que preencher. Nessa hora me senti péssima e todo o discurso da minha terapeuta sobre ser exigente veio na minha mente. Desanimada eu olhei para o lado e perguntei para minha vizinha de mesa se ela tinha gostado de alguém e quando ela me disse que não, eu me senti um pouco mais aliviada. Naquela hora eu precisava pensar melhor em tudo o que tinha acontecido e tentar entender algumas coisas, pois é isso o que a terapia faz com você, te faz pensar, refletir e entender, mas achei que antes eu poderia aproveitar um pouco a noite. A minha vizinha de mesa perguntou se eu iria ficar na casa, pois haveria um show de pop rock com dois ex participantes do The Voice, eu disse que estava precisando beber alguma coisa e a convidei. Ela aceitou e disse que iria chamar outras duas vizinhas que ela conheceu quando chegou.

Voltei o olhar para a minha ficha limpa, na dúvida do que preencher, pois o pensamento já estava na cerveja que tomaria e, sem pensar muito, fui dando as minhas respostas. No total, eu dei sete respostas positivas para os vinte um com quem conversei. Um sim para um cara que trabalha dublando desenhos animados e já dublou um da Disney, pois fiquei muito interessada em conversar mais com ele e saber mais sobre a profissão. E seis talvez, mas confesso que pensando “tem certeza?” e repito, não por questão de aparência, mas por serem pessoas com o perfil diferente do meu, assumo que agi assim para contar para a minha terapeuta que eu estava tentando não ser tão exigente quanto ela achava que eu estava sendo, embora eu ainda não achasse que estivesse.

Desci com a minha vizinha de mesa e encontramos um lugar pra sentar, logo as outras vizinhas chegaram e fomos logo papeando e trocando as experiências. Eu estava com três mulheres lindas, inteligentes, bem resolvidas, financeiramente estáveis, claro, com bagagem e, sim, procurando encontrar alguém bacana e assim como eu um pouco decepcionadas com a noite. Durante o papo concordamos que o perfil dos homens que participam desse evento é um bem diferente do outro e surpreendeu a todas que muitos deles estavam participando pela segunda ou terceira vez, fiquei pensando se eles são encorajados por algum outro motivo que não apenas conhecer pessoas. Nós pedimos nossas bebidas, curtimos o show, conversamos, demos risadas e conhecemos um pouco uma a outra e isso pra mim foi incrível, pois pude perceber, e dessa vez sem a ajuda da terapia, que o que acontece comigo, também acontece com outras pessoas e isso tira você daquele bote solitário do “isso só acontece comigo” e te manda para o navio cheio chamado “estamos todas no mesmo barco”.

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Dos sete para quem eu dei resposta positiva, cinco combinaram comigo. Desses, cinco, três me mandaram email. Com dois cheguei a trocar telefone, mas nenhum deles evoluiu para algo além de conversar casuais. Já com as vizinhas, o encontro rendeu um grupo no whatsapp e convites para nos encontrarmos novamente. Nós conversamos sobre a possibilidade de participar novamente do evento e todas deram a mesma resposta “não sei, mas provavelmente não”, não por algum motivo específico, mas talvez por já termos encontrado ali o que não estávamos procurando, novas amizades. Às vezes você sai em busca de algo e não enxerga as novas possibilidades, como na dança das cadeiras que brincávamos quando criança, quando no esforço por ocupar uma cadeira, não víamos um outro vazio. Por isso é preciso estar sempre aberto e disposto para as oportunidades que a vida oferece. Amores, amizades ou oportunidades profissionais podem acontecer em qualquer lugar (uma vez, um encontro no elevador com uma empresária me rendeu um novo trabalho), basta que você esteja atenta, pois nos lugares mais improváveis conhecemos as melhores pessoas.

Imagem: Pinterest

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