Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Não sei se você já percebeu, mas cozinhar é uma das formas mais verdadeiras e bonitas de se demonstrar amor. Em minha humilde opinião, cozinhar para alguém é uma declaração mais potente do que um “eu te amo”, por exemplo, que muitas vezes só sai da boca para cumprir tabela e amenizar inseguranças.

Cozinhar é fazer cafuné no estômago, acariciar o paladar de jeito, ir da boca direto ao coração. Cozinhar é gritar: “Eu me importo com você e, por isso, não quero que coma qualquer tranqueira feita sem Sazón!”. Cozinhar, antes de tudo, é uma oportunidade incrível para expor o quanto você presta atenção em seu parceiro e, consequentemente, conhece todas as preferências dele. Não entendeu? Explico: o prato (seja salgado, seja doce, seja tudo junto e misturado) que decidir fazer a ele tem potencial para evidenciar que você o observou com extrema atenção e anotou, em suas gavetas mentais, cada um dos “não gosto disso” e “amo aquilo” que ele disse entre garfadas ou expressou somente por meio de suspiros ou caretas.

Eu, por exemplo, sei que a minha namorada tem pavor de coentro, que fica com dor de cabeça quando come pimenta e que tem um tesão incontrolável por queijos, de todos os tipos, nacionalidades e percentuais de gordura trans. Sei, também, que ela sente saudade de “comida de mãe” desde que veio morar em Sampa, que não curte a textura molenga do sashimi e que gosta do filé de frango carbonizado. E sabe o que eu faço com esse conhecimento adquirido após muitas orgias gastronômicas compartilhadas com ela nos mais diversos cenários? Eu o transformo em pratos que, por mim – e de maneira clara! -, dizem: “Eu faço questão de cuidar de você!”, “Tô a fim de lhe agradar!”, “Viu como eu conheço bem os seus gostos?”.

Se você ama alguém e não sabe o que dizer/escrever, cozinhe. Vá por mim! Não sabe nem fritar um ovo? Confunde hortelã com manjericão? Não se sente uma “masterchefa”? E daí, mulher? Você não precisa ser profissional para transformar ingredientes e temperos em carinho, juro. Só necessita de um pouco de coragem, de vontade de aprender (as informações estão em todos os cantos, do YouTube às livrarias), de um extintor de incêndio dentro do prazo de validade e do telefone de um bom delivery, caso tudo dê errado, ou melhor, fique pra lá de salgado ou, por algum motivo, “incomível”. E, mesmo se o resultado que alcançar não ficar nada parecido com o prato do tutorial, o seu esforço ainda terá valido a pena, acredite! Pois colocar a mão na massa, independente do formato da panqueca que vai gerar, já fará com que ele se sinta especial.

cozinhar

Eu comecei a cozinhar há cerca de três anos, por influência do meu pai – que manda bem à beça – e para economizar (já que comer fora em São Paulo se tornou algo quase impraticável para escritores de bolsos vazios como eu). Hoje, porém, cozinho principalmente porque sinto uma enorme satisfação quando a minha namorada repete um prato feito por mim e, depois, ainda diz: “Estava maravilhoso! Comeria mais se tivesse”; é algo muito parecido com aquilo que sinto quando ela goza na cama. Aliás, uma comida feita com amor gera efeitos bem parecidos com orgasmos sexuais, e cai muito bem antes deles, pode apostar; especialmente se vier acompanhada por um bom vinho e de outros ingredientes com o mágico poder de potencializar sensações agradáveis.

Houve um tempo em que eu desejava calças jeans de marca e carros cheios de cavalos. No momento, no entanto, eu pago pau para panelas e utensílios de cozinha mirabolantes. Quando assisto a um dos muitos programas de culinária da TV, solto vários: “Carái, que panela/faca/batedeira/ da hora! Com uma dessas dá pra fazer uns rangos bem loucos”. Além disso, hoje o supermercado se tornou um programão para mim – e não uma obrigação, como eu já considerei um dia.

Gosto de escolher batata, abrir a caixinha do ovo para conferir se não tem nenhum quebrado ou colado no fundo, fazer pedidos especiais ao moço do açougue, conferir validade dos laticínios… Não olho mais os ingredientes como olhava antes. Não mesmo! Hoje os encaro como matérias-primas para sorrisos da moça que eu amo. Vejo uma caixinha de aveia e, imediatamente, imagino-me fazendo o mingau que ela tanto gosta, nem muito grosso nem muito ralo; olho uma muçarela de búfala e logo me lembro das vezes em que ela confessou: “Comeria umas duzentas bolotas desta!”; experimento uma uva e, na lata, consigo vê-la devorando cachos e mais cachos quase sem respirar, como uma máquina.

E se você pensa que eu só cozinho de finais de semana e em datas especiais, sabe de nada, inocente! Porque quando eu resolvi morar com a minha namorada, tivemos uma conversa para dividir os afazeres domésticos, e adivinha qual deles eu escolhi primeiro? Se você respondeu “cozinhar”, acertou na mosca. Além de cuidar dos gatos, sou responsável pelo alimento de cada dia, do planejamento à preparação, passando pela compra, claro.

E quer saber? Agora eu entendo o prazer que as avós sentem quando preparam um agrado caprichado às papilas gustativas de um ente querido. Não que eu seja avó da minha namorada. Nem tenho idade par… Ah, você entendeu, claro que entendeu. Não entendeu? Então, o que está esperando para preparar uma surpresa comestível àquele que você ama? Não tem a mínima ideia do que escolher para começar? Que tal um macarrão ao molho de quatro queijos do tipo que engorda só de olhar? Fácil e delicioso. Curtiu? Opções não faltam, moça. Só uma dica: evite começar pelos flambados, tá? Deixe o fogo para depois da sobremesa, se é que me entende.

Imagem: Pinterest

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