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Sua ausência nunca foi tão importante, até que ela se tornou compulsória, como algo que não havia mais o que fazer. Você se foi, precisou partir, deixou lindos momentos, experiências fantásticas que só um super pai pode proporcionar a sua prole.

Uns dias de saudades, outros de amargura na boca do estômago e o pensamento de que a morte talvez seja a forma mais dura e mais eficaz de fazer a gente entender a vida. A saudade que fica faz renascer memórias, que nem mesmo posso afirmar com absoluta certeza que são reais, porque nesse contexto de dor e saudade, de amor e perda, de vida e morte a cabeça fica confusa.

Eu pensei que com o tempo eu me acostumaria com a saudade, com a falta da sua gargalhada, do seu olhar nervoso, da sua voz rouca, mas não, o senhor tempo não tem poderes muito eficientes com esses assuntos do “nunca mais nesta vida”. Nesta vida, porque em outras eu tenho certeza que vamos nos encontrar. As vezes eu sonho com um abraço, com algum conselho e posso tomar uma decisão até mais tranquila, porque eu tenho certeza que naquele momento o senhor pediu que algum anjo viesse me conduzir.

Me lembro de uma vez que reclamei por estar sozinha no dia do namorados, queria uma companhia para dividir o balde de pipoca no cinema, mal sabia eu que, não ter o papai presente fisicamente no dia dos pais é algo muito mais difícil de encarar do que não ter um namorado para dividir a pipoca, aliás não se compara, namorados vem e vão. Papai e mamãe, não vem aos montes, são únicos, exclusivos e essenciais.

Então hoje, quero falar sobre as boas coisas que aprendi, sobre os conselhos que não usei, até que vi o quanto eles são tão práticos e e tem me ajudado a seguir com meus planos. A sua praticidade em resolver coisas que, pra mim demorariam mil anos para pensar. Sua objetividade em querer realizar, seja o que fosse, para viver sua vida plenamente.

A primeira bicicleta, a primeira fotografia, a primeira bronca, o primeiro conselho, o primeiro brinquedo. Eu sei que o senhor sempre quis o melhor pra gente, queria nos ver vencedores, mas não queria que vivenciássemos as dores, talvez por isso, nunca ensinou a pescar, sempre trouxe o peixe no anzol, meio que disfarçado, pra gente não perceber que, o peixe já estava no anzol.

Era pai em qualquer momento e bastava uma ligação de um pedido de socorro, logo, logo estava ele lá, prontinho para socorrer e nos tirar das aflições.

Um pai não se faz ao nascer de um filho, como dizem que acontece com as mães. Um pai vai nascendo, aos poucos, pelo menos a maioria. Me lembro que a cada abraço eu parecia ganhar o mundo, talvez porque ele não era muito de abraçar, precisava manter sua linha dura de homem da casa, então quando ele me abraçava, meu coração se derretia em ternura. Seu olhar distante de querer o mundo inteiro ao mesmo tempo, o fazia viajar pelas suas certezas de que ele podia fazer tudo o que queria nessa vida. E ele fazia. Não existia contratempos que o fizesse desistir dos seus sonhos. E muitas vezes, nos colocava em seus sonhos, aliás, sonhava pra gente o que ele queria, isso não é legal, mas hoje até que faz sentido, acho que os pais pensam assim: Não vou ter tempo de fazer tudo que sonho nessa vida, então deixa eu depositar nos meus filhos os sonhos que não vou poder realizar,rs.

As lembranças começam a ficar partidas, a voz começa a ser esquecida, a gente sabe como é, mas só se ouvir vamos conseguir identificar, as vezes lembrar que o senhor não está aqui mais ainda é como levar um soco no estômago, um susto repentino e uma inexplicável sensação em seguida, uma mistura de saudade com tristeza, amor e um sentimento sem nome.

De todas as saudades, a que pesa mais é não poder contar mais, acredito que o medo que a gente tem de morrer seja exatamente esse, não poder mais partilhar momentos ao lado daqueles que amamos, não contar histórias, não dar boas risadas, não tomar aquela cervejinha sábado a tarde com música boa e churrasco rolando no sitio, não comemorar os aniversários, não ouvir o seu: amo vocês porque tinha uma dificuldade em falar eu te amo direcionado, então falava pros quatro de uma vez e por mensagem, rs. Ai meu paizinho! Eu fiz uma tatuagem em homenagem a sua partida, desenhei um cata-vento com uma frase: É como o vento…

Nossa saudade, nosso amor, nossa ligação é como o cata-vento, movidos pelo invisível, pela fé, pelo amor e a certeza de que a vida não tem fim, a vida tem intervalos comerciais, etapas e ciclos de morte e renascimento e em algum dia, em algum lugar nesse Universo lindo e perfeito, ainda vamos nos encontrar.

 

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