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Quando temos certeza de que as coisas estão melhorando, oito jornalistas são afastadas do trabalho por causa da sua aparência. Foi isso o que aconteceu com profissionais da Egyptian Radio and Television Union na última semana, segundo a BBC.

De acordo com a publicação, a emissora egípcia afastou oito de suas jornalistas que apareciam nas câmeras de alguma forma, porque, segundo ela, estavam ‘acima do peso’ e do que é considerável uma ‘aparência aceitável’ pela ERTU.

A emissora, aliás, disse que deu um mês para que as funcionárias perdessem peso e se adequassem ao padrão que buscava, e as afastou da televisão durante esse período, alegando que voltariam ao ar se perdessem peso de forma efetiva.  Muitas das funcionárias, claro, protestaram contra a decisão da emissora, e uma delas, Khadija Khattab, host do Channel 2 egípcio, desafiou os telespectadores a assistirem as suas últimas reportagens e julgarem por si mesmos se ela estava ‘gorda’ e precisaria perder peso.

8 jornalistas são demitidas por gordofobia

Khadija Khattab

O Women’s Centre of Guidance and Legal Awareness condenou a decisão dizendo que ela é uma violação contra a constituição local e um ato de violência contra as mulheres. Ainda de acordo com a BBC, uma fonte da emissora contou que a ERTU não vai mudar a decisão ou pagar os benefícios de suas funcionárias pelo afastamento.

Julgar uma mulher pela aparência é algo muito comum na nossa sociedade, mas fica ainda mais claro com a internet, que transforma toda notícia em um tweet de 140 caracteres. Casos como esse são exemplos muito palpáveis de como as mulheres são vítimas de um padrão de beleza e são muito mais valorizadas pela sua aparência do que por seu talento ou trabalho duro.

Principalmente as mulheres que trabalham na mídia, como jornalistas, atrizes e cantoras, sofrem duplamente com o padrão de beleza: tanto aquele estabelecido pelos veículos nos quais trabalham, quanto dos fãs, que fazem vista grossa para o mínimo ‘defeito’ que essas mulheres apresentem na televisão.

Essa provavelmente não vai ser a última vez que mulheres vão perder o emprego por conta da aparência, afinal, é claro que as grandes empresas ainda valorizam muito mais o trabalhador homem que não tem tantos ‘problemas’ quanto uma mulher – pense em licença-maternidade –, mas é um alerta de que as coisas precisam urgentemente mudar.

Se uma mulher está ou não com sobrepeso, não é da conta de ninguém a não ser dela própria. E já foi muito falado que peso não tem relação nenhuma com saúde, por isso, é um erro pensar que toda mulher gorda não é saudável.

Além disso, precisamos acabar com o preconceito com pessoas que não tem um peso X determinado pela mídia. A gordofobia não tem benefício algum e só afeta a autoestima dessas mulheres, que acabam criando uma repulsa pelo próprio corpo. É hora de mudar a visão que temos do que é bonito e aceitável, mesmo que seja na televisão.

Imagem: Pinterest

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