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Teve uma época em que ela aceitava tudo de todos sem pestanejar. Era uma espécie de marionete ambulante com vontades furtadas nas mãos daqueles que nem sabiam sequer gerenciar os próprios conflitos. Parecia não saber o rumo da própria vida e, por este motivo, aceitava a intromissão de qualquer um em questões que só causavam efeito em seu próprio cotidiano. Permitia a companhia de homens vazios por receio da solidão e papo furado para esquivar do silêncio. Sexo meia boca era o ritual mais constante entre todos os programas entediantes que sua agenda nada atrativa proporcionava como opção.

Foi preciso provar uma gama de babacas para perceber erros e demonstrar a si mesma que os prazeres da vida são oriundos de vontades exclusivas e não necessariamente inclusivas. Com todos os percalços passados e presentes, decidiu que o futuro seria diferente em cada instante e detalhe, minimizando alguns anseios para ampliar qualidades.

Ela cansou de ser tema nas conversas do homem otário, aquele que espalha aos quatro cantos do universo medíocre as dezenas de mulheres que mandaram ou mandam bom dia no WhatsApp e ele ainda não respondeu para “valorizar o passe” (leia mais aqui). Sim, ela cansou de caras que fazem do sexo uma manchete para agradar os amigos com níveis de imbecilidade similar, diminuindo a imagem feminina para mascarar o quão imaturo eles são nos aspectos que delimitam o prazer e o tédio de serem mais um entre aqueles que não dominam a técnica de satisfazer uma mulher.

Quantas vezes ela deixou de evoluir por falta de apoio?! Inúmeras! Sempre que compartilhava suas pequenas vontades, era imediatamente recriminada com críticas incabíveis. “Pra quê você quer entrar numa autoescola?” “Mulher é um perigo no trânsito!” Sem perceber, ela atrasava a própria vida dando ouvidos para pessoas que queriam estar sempre um passo a frente dela. Mas felizmente, hoje ela aprendeu que amor não é competição e descobriu que trunfo sentimental é quando se consegue caminhar lado a lado, dividindo glórias e/ou incertezas.

Ela nunca descobriu o porquê de ter sido tantas vezes enganada se sempre ofertou liberdade aos seus pares –  seja para um jogo de futebol as quartas ou mesmo num eventual porre entre amigos nestes sábados em que passava a tarde toda preparando o cabelo para “quem sabe” ser puxada num sexo altamente voraz (que novamente repetia a dose “meia boca”). Na verdade, houve uma época em que ela encarava suas relações como um domingo qualquer assistindo Domingão do Faustão – apesar de não gostar, não conseguia imaginar a ausência daquilo que acostumou a aceitar quando não conhecia outra opção (leia mais aqui).

Ela nunca se importou em atender ligações no primeiro toque, aliás, tal atitude era a melhor forma de demonstrar valor e importância alheia, no entanto, passou a perceber que aquilo era encarado como desespero por mentalidades infantil, obrigando ela a abandonar o jogo que nem se quer dispôs a jogar.

Agora ela não mais aceita ser secundária nem acredita em planos sem metas. Cansou de pessoas padronizadas, por isso, decidiu andar na praia de tênis All Star e sair na noite de chinelo para dançar. Num mundo escasso de ternura, ela consegue transbordar a bondade e inundar a alma daqueles que aprenderam a pagar gentileza com reciprocidade.

Ela não é nenhuma lunática, mas, atualmente, torce para que algum astronauta encontre outros planetas que preservem e respeitem outros estilos de vida, um lugar em que o amor habite sem pagar aluguel, que a diversidade não seja um simples diferencial e que os seres não selecionem relacionamentos por atributos financeiros.

Hoje ela acordou disposta a enterrar a antiga mulher permissiva e decidiu não olhar para trás nem lamentar as novas escolhas. Ela não é mais uma desiludida e ao contrário do que diz a equivocada crença social, apenas resolveu não acreditar em qualquer falso profeta.

Sim, ela virou o jogo!

 

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