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Recentemente, observei um fenômeno na minha timeline do Facebook: o número de textos compartilhados sobre a exposição de sentimentos cresceu de uma maneira absurda. Por todo lado, print de tweet dizendo pra demonstrar o que sente, print de post de Facebook dizendo pra demonstrar o que sente. Textão de portal famoso sobre como deveríamos nos expressar mais, textão de site desconhecido e de caráter duvidoso sobre como deveríamos nos expressar mais.

Uma conclusão rápida que tirei disso: todo mundo quer demonstrar. Mas então porque tanta gente reclamando do pessoal que não demonstra? Nossa geração ficou conhecida como a geração do não se apega. A geração que cada vez menos entra em um relacionamento sério. A geração que, quando entra em um relacionamento, espera que ele termine logo mais. A geração que sequer usa palavras pra finalizar um envolvimento, só some (leia mais aqui). A geração do “se ele visualizou e respondeu, não me importo. Qual o próximo da lista?”. E o melhor, nos orgulhamos muito disso.

Não falo aqui com olhares de julgamento, não. Só eu sei o quanto eu almejo esse desapego todo, o quanto eu torço pra não ligar quando o cara não responde, como eu admiro as pessoas que estão realmente não aí. Mas não. Sempre me apeguei e importei muito mais do que gostaria e, talvez, deveria. O que ganhei com isso? Um longo histórico de decepções, lágrimas ao som de Best Thing I Never Had e dias inteiros pensando em como fui idiota.

Por isso, recentemente, decidi que não sou mais do tipo que corre atrás, que demonstra e que sequer responde afetuosamente à demonstrações de afeto duvidosas. “Só me apaixono por quem se apaixonar primeiro por mim”, eu decidi. Curiosamente, comecei a agir exatamente como o outro lado sempre agiu comigo. E, olha, desde então estamos trabalhando há muitos dias sem acidentes no meu coração.

De repente me caiu a ficha (Ok, nem tão de repente assim. Foram longas conversas com amigos que agem da mesma forma): eu não sou a única a ter tomado essa decisão de maneira consciente. Muita gente o fez também. Talvez todo mundo. Talvez os próprios caras que de alguma forma me machucaram e me levaram a essa decisão – se for esse o caso, aproveito o momento pra pedir desculpas pelas palavras feias com as quais me referi a eles.

A conclusão é que estamos todos machucados e buscando a cura disso em um “eu não corro atrás pra não quebrar a cara de novo” (leia mais aqui). E a gente sequer pode tirar a razão de quem pensa assim, afinal, a possibilidade de estar lidando com alguém que não corre atrás também, que não se expressa, não corresponde externamente (mesmo que dentro esteja loucamente apaixonada) é absurdamente grande, afinal, esse alguém também está machucado.

Vocês têm noção do quadro bizarro que estamos analisando? Pessoas que gostam umas das outras e não demonstram isso porque sofreram decepções suficientes pra ficarem com medo de se decepcionarem ainda mais. É uma espécie de queda de braço pra ver quem se importa menos. É um jogo de pique em que ninguém corre, então ninguém pega ninguém. Ou melhor, até pega, mas não mais do que alguns encontros, senão, já sabe… Eu não corro atrás de você, você não corre atrás de mim e terminamos aqui, estáticos, sem sair do lugar.

E olha, por mais que a palavra sentir tenha sido repetida algumas vezes ao longo desse texto, em nenhum momento eu falo só da paixão. Um simples querer ficar perto, junto, já entra no jogo. Eu não sei quem começou essa história de que a gente não pode mostrar o que quer, o que sente, mas olha, isso precisa parar. Estamos nos tornando os personagens daquele filme A Casa de Cera, vivos e com vontade de correr atrás do queremos por dentro, estáticos por fora, até que uma hora vamos morrer por completo. Eu não sei você, mas eu sequer consegui assistir a esse filme inteiro porque morrer assim me pareceu apavorante demais!

Já passou da hora de perceber que ninguém ta ganhando jogo nenhum (leia mais aqui). Todo mundo perdeu. Eu não me importo se você é do tipo que demonstra o que quer ou sente gritando ou baixinho. Com palavras ou ações. Se prefere platéia ou intimidade. Mas precisamos demonstrar, falar, sair dos jogos, contrariar a Pat Benetar e dizer que o amor (ou paixão ou desejo ou o mais passageiro querer) não é um campo de batalha, não, e ninguém mais vai sair ferido ou morto daqui.

Imagem: Pinterest

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