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Quando Clarice e Gregório terminaram, um pequeno mundo desmoronou frente ao colapso que se instalava. Era um dos primeiros sinais que sucederia em Fátima e Bonner e o total descrédito no amor. Entre uma enxurrada de “Voltem!”, “Não voltem!”, “Ele não te merece!”, “Ela não te merece!”, “Não posso acreditar que vocês não estão juntos!” e o mais dito “Depois dessa nunca mais acredito no amor!” muitas coisas aconteceram. Muitos disseram que o último CD de Clarice Problema Meu (que é maravilhoso, diga-se de passagem), era um compilado de indiretas para Gregório – uma espécie de indiretas de Facebook musicadas. Muitos disseram que Gregório que havia ferrado tudo. Muitos disseram…

E ontem me aparece essa, uma crônica bonita, muito bem escrita de Gregório em sua coluna na Folha falando sobre Clarice (e com um merchan sobre o filme protagonizado pelos dois, o que – devo dizer – é muito justo, pois sendo um trabalho deles, lhes cabe o direito de divulgar nas oportunidades que acharem apropriadas).   

O problema em tudo isso, como foi muito bem apontado pelo Daniel Bovolento, é que as atenções voltaram-se para as pessoas envolvidas na história, em especulações e pedidos repetidos aos do pós término, em uma exposição e invasão da vida privada de um ex-casal por causa de toda a idealização que criamos sobre eles (leia mais aqui). Não digo que não se deva falar do texto, falar dos dois, falar do amor, mas digo o que foi esquecido e devemos lembrar: o texto de Gregório é uma crônica. Um gênero da literatura.  

Escrever crônicas é transformar um assunto real, cotidiano, banal, muitas vezes, uma experiência vivida em algo a ser lido – mais especificamente, em algo bonito de ser lido. É o mesmo que estou fazendo agora ao falar deles: transformando minha experiência ao ler sobre Clagório manhã passada, antes de uma aula de Direito Penal, em um texto para ser lido. E é sobre a crônica que quero falar. Deixemos de vê-la sob quadriculadas divisões de #TeamClarice, #TeamGregorio e #TeamClagorio.

Como disse antes se trata de um texto muito bonito e bem escrito. Delicado. Romantizado. Emocionante. É sobre um amor idealizado (leia mais aqui)? Sim, é, como a maioria das histórias de amor. É puramente verdade? Não, pois mesmo as crônicas, com toda sua verossimilhança, tem fantasia, tem pomposidade autoral, afinal é literatura. O texto fala sobre uma história de amor que terminou e, recentemente, estava sendo relembrada por uma das partes. Passa por todas as etapas: a deslumbrante primeira vez de um amor à primeira vista, o conhecer se falando sem parar, o se apaixonar em velocidades diferentes, o engatar a relação, as trocas e os compartilhamentos de experiências e também o – doloroso- acabar.

Fecha com a conclusão de que foi bom, mesmo tendo acabado, e que, apesar de não haver um forte laço – como um filho – que os unirá para sempre, há o que lembrar, há coisas muito boas a se guardar daquelas relação que passou. É o clichê: é melhor ter algo bom para recordar do que nada a recordar. O que Gregório nos permite com esse texto é ver – e admitir – que, de fato, o amor nunca acaba, mas as relações sim (leia mais aqui).

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Não estou afirmando que eles tenham e terão para sempre um amor que clama por uma relação, porque esta já acabou. Mas o amor ainda está lá, ele não acabou e transpassou o relacionamento. Como uma ferida que cicatrizou, o amor continua lá, não está latejando e evidente com o sangue latejando de um corte recente – também chamado de paixão -, mas continua lá. Fechou, acabou, mas ainda estando lá será coberto por uma nova derme, um novo amor, e passará sem nunca ter que ir embora.

Amores antigos não se supera, se ultrapassa. Obstáculos são superados, passando por cima e os fazendo-os virar passado. Amores só viram passado, são ultrapassados.  Tentar apagar suas marcas (como as músicas que Gregório tem como suas preferidas e que foram apresentadas por Clarice) apenas faz criar uma cicatriz maior. É como tentar substituir um joelho ralado por uma fratura exposta, cobrirá o outro, mas não vai apagar – nem doer menos, pelo contrário. Assim, independentemente de ser um “Volta comigo!” ou um “Foi isso, já acabou. Nunca vai voltar.” o texto de amor. Sempre vai ser. Não falta nada.

Imagem: Pinterest

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