Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

A gente fica muito crítica quando cresce. Deve ser porque a gente critica tanto que também acha que os outros vão criticar qualquer coisa que façamos (leia mais aqui). Acontece que não. Por isso, resolvi compartilhar com vocês um relato pessoal recente sobre como enfrentei meu maior medo que, misturado a uma timidez tremenda, me fez entender que o bicho papão que a gente cria e que tem 5 metros de altura tem, na verdade, o tamanho de uma ervilha. Falar em público e me expôr? MAS NUNCA. Só que eu fui, eu precisava dar a cara à tapa.

A ciência diz que ter medo foi essencial para nossa sobrevivência. Ao sentirmos medo, evitamos situações de risco, logo, não morremos (tão fácil) . E eu super concordo com a ciência. Só que não estamos mais numa sociedade arcaica e vivendo na floresta. Eu tive um trabalho aceito em um fórum numa universidade em outra cidade. Outro estado, pra ser mais sincera. Na hora pensei “puts, que demais! Viajar sozinha, pra um lugar que eu nunca fui?”.

Comprei a passagem quase que na hora. Mas depois bateu o desespero. Deu vontade de cancelar. De fugir. Ia ter que preparar uma apresentação de no máximo 15 minutos. MORRI Foram duas semanas acordando várias vezes durante a noite. Só de pensar nessa apresentação eu começava a ficar tensa. A mão tremia, o coração acelerava (leia mais aqui). E o medo de falhar? De gaguejar? De alguém fazer alguma pergunta e eu não souber responder? E se der errado? E se não me acharem boa o suficiente?

Essa é a questão. A gente não confia o bastante no próprio taco e com isso criamos mil  e um empecilhos para fazer as coisas baseada em um medo idiota de ser criticada e de não estar à altura de sei lá o que. Eis que lá vou eu. Peguei busão, viajei, explorei, descobri. O fórum durava dois dias e eu me apresentaria no segundo. “Bom”, pensei, “vou no primeiro dia pra ver qualéqueé”. E fui. Conhecer o caminho que eu teria que fazer, o lugar onde me apresentaria, ver as outras pessoas se apresentando. Tudo isso foi me tranquilizando e eu consegui ficar mais ~tranquila~.

No dia seguinte, cheguei uma hora mais cedo no local. Ensaiei minha apresentação. Comi maçã pra limpar a garganta. Bebi litros de água. Quando eu vi já era minha hora, minha vez. Todo o rolê que eu tinha dado ia se resumir a 15 minutos. SOCORRO! Comecei a falar. E fluiu. E não gaguejei. Não hesitei. Falei tudo que podia e mais um pouco. Fim. A sensação que vem depois é um misto de alívio, dever cumprido  e medo enfrentado. Orgulho de mim mesma.

Então, se eu pudesse falar sobre o que eu aprendi no fim disso tudo, é que sim, vai dar medo, vai dar secura na garganta uns minutos antes, vai parecer assustador, vai dar vontade de fugir, vai dar insônia na noite anterior. Mas mesmo sentindo tudo isso, vai fundo. O que você tem a perder?

Se tem alguma coisa que impede a gente de fazer as coisas nessa vida, essa coisa somos nós mesmos e nossos medos. Apenas. Porque dá medo de arriscar e dar errado, dá medo de abrir a boca e falar besteira, dá medo de puxar assunto com um estranho, dá medo de tudo. Sentir isso é normal e faz parte do nosso coração primitivo. Mas enfrentá-lo? Ah, minhas caras e caros. Enfrentá-lo pode ser a pior ou a melhor coisa que você já fez na sua vida. A escolha é sua.

Imagem: Pinterest

@ load more