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O que você procura?

É 1h da manhã. O sono ainda não percorreu meu corpo e sinto a necessidade de colocar-me em movimento, mas correr não é uma alternativa. Então, olho para seu contato, mas também não sei se isto é. Quem pode saber? Talvez meu cérebro já esteja se desligando, preparando-se para as horas de descanso que eu havia prometido.

Dominada por essa parcial inconsciência, decido escrever uma mensagem sem nexo, desconectada de tudo o que pensei nos dias anteriores. Sem muito enxergar, clico em enviar. Doce inconsistente inconsciência da vida. A internet poderia colaborar nesta hora, poderia falhar, concretizando a expectativa de que não era para dar certo. Mas ela colabora de outro modo.

Como fagulha, mostra-me o aviso de que a mensagem fora enviada a alguém que talvez não merecesse receber, remetida por alguém que talvez não devesse enviar. A coincidência pipoca nos pensamentos como se fosse destino aquilo tudo. Eu acordada, internet colaborativa, você visualizando. Tinha que ser. O que antes era a ideia de que não daria certo torna-se a ideia de que certo é. É fato consumado e aprovado pelos deuses.

Não sei se devo continuar a tagarelar tolices, então abro a tela do meu horóscopo. Sou de escorpião, mas não tenho a confiança de um escorpiano (leia mais aqui). Preciso que as estrelas me digam que, sim, eu posso, eu devo, eu consigo. Claro, eu poderia perguntar a um amigo. Todavia, correria o risco de não ouvir o que desejava. Queria algo que pudesse interpretar conforme meus anseios. Queria poder ignorar os astros pessimistas e ouvir apenas os que prenunciavam boas fortunas. Espera, o que eu queria mesmo?

Sucesso. Meu trânsito dizia que eu seria bem-sucedida em qualquer tarefa a que me dedicasse. Eu me dediquei a você, eu teria você, independentemente do tempo que levasse. Mas eu já sabia disso, não? Não, eu não sabia. Eu precisava que me dissessem, porque não queria ser responsável pelas consequências. Deu certo? Estava escrito. Não deu certo? Estava escrito. Os signos guiavam minha escolha, porque eu escolhia que eles me guiariam.

signos 1

E então você não respondeu. Já estávamos na metade da madrugada, eu mais desperta do que o usual. Você talvez estivesse dormindo. Talvez estivesse sonhando com outra pessoa que não eu. Talvez eu não tivesse tanta importância quanto você parecia ter para mim. E então, percebi.

Não é que você fosse importante para mim e não é que você não fosse, mas é que você era apenas mais uma das desculpas usadas para eu provar meus pensamentos a mim. Assim como o horóscopo, você era um teste da minha capacidade. A cada momento, eu era a lutadora e a voz que gritava “até onde você vai?”. Eu me jogava na piscina com a certeza de que iria me afogar, porque sempre achei meus braços curtos demais para nadar.

Nem você, nem o horóscopo. Nenhum de vocês definia minha vida noturna – ou minha vida por completo. Porém, eu preferia acreditar que sim. Preferia acreditar que a escolha de colocar meu destino em uma certeza duvidosa se auto anulava, tornando-me um ser passivo da roda da fortuna.

Não importava sua figura; poderia ser qualquer um neste estranho sonho de amor. Assim como poderia ser qualquer trânsito sobre nós. Eu só queria acreditar que algo maior me guiava, pois a dor da culpa é sempre maior que a decepção de não ter dado certo.  Por esta madrugada, escolhi dormir. Ao menos, assim, eu não tinha escolha: todas as escolhas, de algum modo, eram feitas por mim.

Imagem: Pinterest

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