Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Um dia ele me disse que estava indo embora. Como sempre, gritou que estava cansado de mim e da minha mania de fazer tudo para irritá-lo. Eu mal conseguia olhar para ele porque o meu olho esquerdo lacrimejava muito, possivelmente pelo soco que ele havia acabado de me dar. Mais uma vez, eu estava com o olho roxo, jogada no chão e, aparentemente, fraca demais para me levantar.

Foi quando, de repente, surgiu uma força inexplicável dentro de mim. Reagi a ela levantando imediatamente. Então, eu o encarei de frente e criei coragem para dizer tudo o que estava sufocado em meu peito:

– Por favor, vá embora mesmo. Eu é que não aguento mais este relacionamento abusivo (leia mais aqui). Não aguento mais ter que te dar satisfações sobre cada um dos meus passos, como uma criança pequena que deve ser controlada pelos pais. Você não é meu pai e eu não sou uma criança.

Também não aguento mais ser agredida com palavras injustas e socos covardes. Relacionamento é feito pra somar, pra melhorar a vida de ambos e não para perturbar, trazer medo, insegurança e dor. Ao seu lado, eu sempre tenho medo do que estava por vir.

Não aguento mais as suas reclamações sobre o meu comportamento, as roupas que uso, a minha maquiagem, e toda a sua paranoia de que tudo o que eu faço é para te provocar ou para chamar a atenção dos outros homens (leia mais aqui). Nunca passou pela sua cabeça que eu faço as coisas por mim, porque eu quero, porque eu gosto? Pois é! Nunca foi para você e nem para nenhum outro homem, lamento dizer.

Por isso, depois de tantos anos me preocupando em preparar a comida que você queria comer, com a ligação que eu deveria te fazer para pedir permissão para sair (lembra que eu te disse que não sou criança e você não é meu pai, né?) e com os hematomas que eu deveria esconder da minha família e dos amigos por pura vergonha e também medo de te contrariar, eu é que finalmente cansei.

Não vou mais ceder às suas pressões psicológicas e ao seu falso sentimentalismo. Você arruinou alguns bons anos da minha vida, mas não vai arruinar mais nada. A porta está aberta e esperando pela sua saída sem volta… Porque eu não quero olhar para a sua cara nunca mais. Quero me esquecer de você, da nossa história e de todo o inferno que eu vivi.

Quero cuidar de mim, me resgatar e ser feliz, permitindo que me acompanhe somente quem me quer bem. E quem me quer bem jamais irá me bater, me ofender, me diminuir. Então eu sei que jamais houve amor em você… Mas há amor em mim. Amor suficiente por mim mesma para não aceitar mais você aqui.

Adeus!

relacionamento abusivo

Bonito, né? Este é o final que a gente idealiza para uma relação abusiva, mas a verdade é que quase nunca é assim. Muitas vezes a vítima se sente intimidada e acredita amar o agressor, perdoando-o inúmeras vezes pelas suas agressões e até mesmo culpando a si mesma pelas vezes em que é agredida.

Já vi muita gente julgar essa posição. Como já vivi um relacionamento assim, sei que não é nada fácil se libertar dele, então, apenas sinto compaixão e torço para que a vítima consiga se libertar o mais rápido possível.

Acredite, eu sei como é. A gente se ilude, pensa que o companheiro vai melhorar, que é só uma fase ruim ou que nós é que estamos fazendo algo de errado. Mas nada disso é real e está muito longe de ser amor (leia mais aqui).

Se a gente quer ter um companheiro, tem que ser alguém que, acima de tudo, nos respeite. Alguém que nos ame, que queira o nosso bem, que se esforce para nos ver feliz. Quem ama NÃO agride, NÃO machuca, NÃO inferioriza. E quem se ama de verdade NÃO permite que alguém estrague sua vida.

Eu sei, talvez você se sinta fraca demais para colocar um ponto final nesta história. Talvez você pense que não consegue se amar mesmo agora, pela pessoa passiva que se tornou. Mas sabe, sempre existirá amor dentro da gente. Talvez você precise cavar fundo para encontrar ele aí dentro e assim ter forças para tirar da sua vida o que não lhe acrescenta.

O mais importante é que você saiba que não está sozinha nesta luta. Milhares de mulheres já passaram, passam ou ainda passarão por isso. E quer saber? Todas que se libertaram estão muito mais felizes assim.

É claro que no começo dói, mas o tempo passa e aí a gente entende que foi melhor (leia mais aqui). É uma sensação de liberdade que eu nem consigo explicar direito, mas eu tenho plena certeza de que só aprendi a viver por mim quando terminei este relacionamento doentio.

Depois de tantos anos chorando, enlouquecendo e sofrendo demais, eu senti prazer em fazer as coisas que gosto e que havia deixado de fazer por causa dele. Aproveitei a companhia dos amigos que ele me privava de ver, vesti todas as roupas que eu gostava sem me preocupar com a cara feia que ele faria e fiz as minhas vontades como eu jamais deveria ter deixado de fazer.

Hoje eu até agradeço pela experiência. Foi ela que me ensinou a selecionar melhor as pessoas que entram em minha vida e, principalmente, em meu coração.

 

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