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Sempre me achei meio perdida na vida – e talvez você também se ache. Acredito que isso seja relativamente comum para pessoas que têm entre 20 e 30 anos. Dizem que nossa geração cresceu achando que era a dona do mundo, que somos individualistas e mimados, não aceitamos ordens e nem responsabilidades. É o que já li por aí algumas vezes.

O que não quer dizer que eu concorde com essas críticas, acho tais definições muito generalistas. Acredito sim, que mudamos em relação aos nossos pais, e a nova geração que está crescendo agora, também será algo diferente do que somos.

É a vida. A tecnologia acelerou e modificou tudo que conhecíamos, ainda estamos nos adaptando. Sem pânico, please.

Mas enfim, por muito tempo, acreditei que me faltavam algumas coisas: pensei que minha falta de certeza sobre minha carreira fosse acabar me deixando entre o salário mínimo e o concurso público (leia mais aqui); pensei que minha falta de vontade de comprar um carro ou um apartamento me fizesse uma pessoa inconsequente, sem visão de futuro; pensei que minha a falta de apego a um lugar só me tornasse passageira, incapaz de manter relações sólidas.

Muitas vezes me senti confusa, desejando ter mais respostas do que perguntas.

Eis que, um belo dia, decidi parar de ver o que eu não tinha e resolvi pensar nas coisas que eu já havia feito. Em inglês existe uma expressão chamada “Bucket List”, que seria a lista de coisas que você gostaria de fazer antes de morrer. Quando me propus a escrever uma para mim, percebi que já havia feito várias coisas que sempre tive vontade.

Foi nesse momento que algo mudou aqui dentro, que minha mente passou a ver as coisas de outra forma – e eu conclui que é tudo uma questão de perspectiva. Às vezes, “perdida” é só um nome que a gente levianamente dá para aquela pessoa que resolve seguir uma trajetória não-linear.

Por isso, me toquei de que embora eu nunca estivesse completamente satisfeita com a minha vida (no sentido de sempre ter novos objetivos e sempre querer várias coisas ao mesmo tempo), eu vinha conseguindo construir um caminho muito feliz.

Vai ser muito clichê se eu mencionar uma frase do Steve Jobs? Uma de suas mais famosas citações diz que você deve olhar no espelho toda manhã, e se perguntar: “se hoje fosse o último dia da minha vida, eu gostaria de estar fazendo o que estou prestes a fazer?”. E se sua resposta for “não” por vários dias seguidos, você sabe que precisa mudar algo.

Baseada nessa filosofia de vida, eu passei a me perguntar: “se eu morresse agora, eu morreria feliz?”. E o que tenho tentado fazer é responder “sim” o maior número de vezes possível. Claro que vez ou outra algo me chateia, ou me deixa magoada.

Mas o que eu puder escolher e mudar na minha própria vida, farei pensando em acordar de manhã consciente de que maior parte das minhas horas porvir serão gastas com algo que amo e estando com alguém que amo, e que no final do dia eu terei não só vivido momentos alegres, mas também aprendido alguma coisa nova, sempre buscando me tornar uma pessoa melhor.

Com esse raciocínio, desconstruí coisas que antes me incomodavam. Vi que não sou tão imediatista quanto achava – pensei em todas as vezes que planejei algo meticulosamente, ou mesmo nas vezes em que tomei decisões impulsivas, mas nunca me senti despreparada para enfrentar o que viesse.

Pensei nas experiências incríveis que já tive, mesmo sem possuir bens materiais altamente valiosos. Pensei em como me dedico a fazer coisas que me fazem bem, seja praticar algum hobby, conversar sobre algo legal ou simplesmente curtir um tempo sozinha.

E por último, acredito que o aspecto mais importante que motivou minha mudança de postura mental foi avaliar minha relação com as outras pessoas. Eu não vi nada de superficial nem temporário nas coisas que sinto por elas, e de repente, uma onda de gratidão imensa me acertou (leia mais aqui).

Eu me dei conta do quanto estou rodeada por pessoas maravilhosas, e do quanto a proximidade física é irrelevante quando a densidade da conexão entre nós é forte.

Assim, conclui que sentir-se desajustado naquele estilo de vida pronto que é quase uma receita de bolo para o que é considerado sucesso pessoal rende sim muitas dores de cabeça e muitas crises existenciais. E sei que não estou sozinha nesse deslocamento social (muitos companheiros de confusão mental são amigos meus, inclusive!), mas todos os dias eu vejo essas mesmas pessoas encontrando novas receitas para suas próprias vidas.

E afinal, o mundo por si só já vai fazer as coisas serem difíceis de vez em quando, então por que sermos menos felizes do que poderíamos ser?

Imagem: Pinterest

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