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Era uma sexta-feira, eu e minha mulher estávamos no carro conversando sobre coisas relacionadas à rotina. Estava me sentindo feliz pela semana estar acabando apesar de ter que trabalhar na manhã seguinte até o meio dia. É algo muito complexo quando você percebe que está mudando sua vida e assumindo novas responsabilidades e acho que é sobre isso que eu preciso falar nesse momento.

Nos mudamos recentemente, nós moramos longe dos nossos trabalhos e da universidade porque o valor do aluguel é mais acessível. Acordamos às seis da manhã, saímos de casa às sete e chegamos onze da noite praticamente todos os dias. Durante o dia todo, nós trabalhamos e estudamos. Temos que nos organizar minuciosamente por causa do tempo (que nós não temos). Aliás, quando temos coisas pra resolver, precisamos das horas da madrugada (meus trabalhos acadêmicos e a dissertação de mestrado dela mandaram lembranças). Nós chegamos a conclusão de que ainda não tivemos tempo para aproveitar o nosso novo lar e isso foi algo que me afetou profundamente. Corremos o tempo todo. Ficamos estressadas com mais facilidade, não nos alimentamos corretamente, dormimos pouco. Percebemos que estávamos exaustas.

Aí acontece de chegar no trabalho e sofrer algum tipo de preconceito gratuito.

Tanto por ser mulher, quanto por ser casada com uma outra mulher. E AINDA ser assediada por pessoas que estão longe de compreender e respeitar o relacionamento alheio, apesar de que isso não é nenhuma exclusividade do trabalho. Infelizmente, outro dia eu fui obrigada a ouvir de uma pessoa muito próxima que ela tem receio porque não tem um homem na minha vida me ajudando a resolver os problemas (pois é). Eu me senti muito decepcionada. Extremamente decepcionada. O medo de não ser boa o suficiente para a sociedade começa a surgir involuntariamente, não é algo que deveria acontecer, mas acontece.

Saímos da cama a cada novo dia porque precisamos pagar as contas como todas as outras pessoas que assumem suas vidas de forma independente. Temos o aluguel, a água, a luz, a gasolina, manutenção do carro, a cerveja, o cigarro e milhões de outras coisas que envolvem dinheiro e paciência.

Sabe, eu fico pensando em como seria bom estar em casa cozinhando algo diferente pra ela e morrendo de medo de não ficar bom.  Em como seria maravilhoso um cochilinho depois do almoço, apesar de conseguir fazer isso em um dia ou outro na casa da minha sogra linda. Eu fico pensando em como seria bom ter um cachorrinho, mas ele teria que ficar sozinho durante o dia todo e isso o deixaria triste. Fico pensando mil coisas pra fazer durante o final de semana quando tudo o que eu consigo é querer dormir.

E o que eu quero dizer com tudo isso?

Que estar viva é uma grande experiência e nem sempre vai ser fácil. Quase nunca será fácil. As pessoas dizem o tempo todo que nunca vivemos e nem passamos por nada pra poder falar sobre a vida como ela é. É muito provável que ainda tenhamos que passar por muitas, diversas, infinitas coisas boas e ruins para compreender profundamente sobre algo. Eu e ela temos 22 e 24 anos, respectivamente. Mas estar vivo é muito mais do que o tempo que dividimos em dias, semanas, meses, anos, décadas, séculos e milênios. O que importa de fato é absorver o conhecimento que você adquire, é ouvir coisas que você não precisa e ter capacidade de transformar tudo em algo bom.

Quando o despertador toca, eu olho pro lado e vejo quem amo. Eu não sei explicar o tamanho da força que isso me dá. Por isso, o que eu tenho para dizer sobre as minhas experiências não baseadas em espaços de tempo e sim em realidade é: se agarre às suas inspirações, faça com que tudo seja válido em algum momento, por mais que possa demorar. Pode ser que tudo, absolutamente tudo esteja errado agora, mas passa. Vai passar. Mentalize seus objetivos, jamais julgue, faça coisas que você gosta, esteja perto de pessoas que te trazem felicidade, esteja feliz por você e viva. Você tem o poder de estar viva. Viva intensamente.

É provável que a gente durma o final de semana todo, mas estaremos juntas. E isso faz absolutamente tudo valer a pena!

Imagem: Pexels

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