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Hoje são 10 de janeiro e 2019 já começou muito bem para o empoderamento feminino, obrigada. Quem aqui viu os posts da Gaby Amarantos e da Bruna Linzmeyer sobre amor próprio levanta a mão!

Que que aconteceu: em um espaço curto de tempo, a atriz Bruna Linzmeyer resolveu soltar o verbo sobre depilação. Acontece que a moça foi capa da Marie Claire de Janeiro, falando sobre feminismo, seu namoro e padrões de beleza. A foto, claro, gerou polêmica e você vai entender agora o porquê (e eu nem vou precisar dar dicas):

Então beleza, né. É claro que muitas pessoas apoiaram e, outras, infelizmente, resolveram criticá-la. E aí, ela seu a seguinte (e linda) resposta:

 

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comecei a fazer depilação com cera muito novinha. sempre doeu muito. mas sempre achei que aquilo era o certo e o belo a ser feito. nos últimos anos, entendendo a construção dessa visão me esforcei pra ver os pêlos de outros jeitos possíveis. comecei não julgando as mulheres que tinham pêlos, entendendo que cada uma faz o que tem vontade com seu próprio corpo. depois, aos poucos, comecei a achar libertadora essa vontade e atitude delas. e me perguntar o que eu realmente queria no meu corpo, nunca antes eu tinha me feito essa pergunta. por algumas vezes, respondi a mim mesma que preferia raspar. estava feliz com minha escolha. mas mais ainda, estava feliz em poder escolher raspar. porque, durante todos aqueles anos eu não escolhia, eu só raspava, achava que era obrigatório mulher arrancar os pêlos. comecei então a achar mais que libertador, a achar bonito, outras mulheres com pêlos. comecei a olhar para os homens e achar estranha essa diferença só por uma questão de serem homens x mulheres. e continuei me perguntando, feliz com meu poder de me perguntar: o que eu quero? o que eu gosto? um dia essa resposta foi diferente. fiquei com vontade de experimentar ter eles. ver eles em mim. tocar neles enquanto passo creme no corpo. não ter mais que lidar com aquela dor insuportável, nem com o preço da depilação, nem com o tempo gasto nisso, nem com aqueles chatíssimos pelos encravados. e de um jeito que eu não esperava comecei a achar muito bonito pêlos em mim também. aprendi que liberdade e amor é respeitar a escolha das outras pessoas, quando essas escolhas não violentam ninguém. e poder acessar meu coração e responder sem amarras: o que eu quero? o que eu gosto? de que jeito me sinto bem? ♡ #livresim

Uma publicação compartilhada por bruna linzmeyer (@brunalinzmeyer) em

#livresim

Confesso que, de uns tempos para cá, comecei a tentar aceitar os meus pelinhos também, sabe? Afinal, sinto-me que nem ela: depilação dói, gilette dá alergia, PRA QUÊ, JESUS AMADO. Se os homens andam com a perna toda peludona por aí, por que não eu, certo? O negócio que muitas pessoas não nos contam é que falar sobre feminismo e amor próprio com a cara toda maquiada, cabelo arrumado e corpo escultural é até fácil (e eu não condeno, juro juro. Até porque, na minha cabeça, malhar pra caramba e se arrumar pode, e deve, ser um sinal de autoconfiança também, desde que feitos para si mesma, e não pros outros). Difícil é dar a cara a tapa e aparecer na capa da Marie Claire com a sovaqueira toda peludona e, pasmem, LINDA.

Aliás, é aproveitando esse assunto que eu já entro com Gaby Amarantos:

Gaby Amarantos ama a própria pepeca,

e você deveria amar a sua também

Sabe aqueles maiôs justinhos, que deixam a famosa “patinha de camelo” à vista? Eu me pergunto, sabe: por que que o pênis é um símbolo de masculinidade e, a pepecs, de fragilidade? Velho, não tem UMA foto sequer de um modelo bonitão que não deixa à mostra aquele puta volume nas calças. E sim, a gente PIRA. Óbvio, é lindo e as moças heteros e os moços homossexuais AMAM. Dá tesão. Dá vontade de pegar. E por aí vai.

Então, me diz uma coisa: POR QUE que as nossas perseguidas não podem receber o mesmo trato? Por que que a sexualidade feminina precisa ser um tabu? Bem, pra Gaby Amarantos, essa injustiça deixou de ser um problema. Sente só:

E olha, tomei coragem de passar o olho pelos comentários e me senti extremamente satisfeita e otimista, sabe? Muita, mas muita gente enalteceu essa foto e a cantora como um todo. E eu não fujo disso. Adoro que ela seja negra, gorda (sim, precisamos parar de levar essa palavra pro pejorativo), linda e EMPODERADÍSSIMA.

Fora, tabu!

A grande questão que aprendi com essas duas LINDAS hoje foi a seguinte: muitas mulheres querem se despertar desses e outros tabus, mas não o fazem porque, por serem tabus, obviamente, não são mencionados. E aí, quando duas figuras públicas maravilhosas resolvem soltar o verbo, muita gente cria coragem de sair do buraco, bater palma e, aos pouquinhos, tentar seguir os passos delas.

Miga, amor próprio é um exercício psicológico como qualquer outro. Por causa dessa sociedade toda estranha e machista nossa, leva tempo pra entender que pelos podem ser bonitos, que a rachinha aparecendo no maiô é tão linda e sexy quanto uma pistola, que as estrias nada mais são que marquinhas no corpo que podem sim ser admiradas e que MULHER DE VERDADE é aquela que assume o que quer e corre atrás.

Tem gente que ama ser gorda. Tem gente que não. Tem gente que vai na padaria de maquiagem porque ama um rímel. Tem gente que sente nervoso do cheiro de uma base. Tem gente que se sente desconfortável com o próprio nariz e faz cirurgia. Tem gente que ama a nareba (tipo eu) e não larga mão de jeito nenhum.

O importante é fazer isso por si mesma. Porque você quer. Afinal, o reflexo é seu, e não dos outros.

E obrigada, Gaby Amarantos e Bruna Linzmeyer por me representarem e me darem voz :).

Imagem: via @gabyamarantos, @brunalinzmeyer e @hugogloss


E o que você responderia a essa pergunta abaixo, feita por uma de nossas usuárias do Clube Superela?

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