Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Quando decidi estudar Publicidade, eu não tinha ideia do que faria nessa profissão. Eu gostava de artes, de escrever e me diziam que eu era criativa. Dentre as opções disponíveis, essa me pareceu boa o bastante. A questão é que meu curso teve um efeito contrário em mim: quanto mais eu assistia as aulas e estudava, menos eu queria ser publicitária.

No início eu levava a facul sem grandes problemas. Aprendi, de fato, muitas coisas legais, afinal, a gente que é de humanas fica contente só de ver uma Sociologia, uma Antropologia, uma Psicologia na grade de matérias. Aprendi sobre História da Arte também, e sobre as Teorias da Comunicação e descobri o que é Semiótica. As coisas estavam indo bem.

Eu não sei dizer exatamente em que ponto tudo começou a parecer meio errado. Só sei que, gradativamente, a cada aula que eu assistia, eu me questionava mais e mais sobre as consequências do consumismo, da manipulação, do materialismo… Eu estava aprendendo como usar cores para induzir certas emoções nas pessoas, como aplicar técnicas de condicionamento e de psicanálise para fazê-las comprarem mais, como abordar o consumidor de todas as formas para que ele gaste sem nem perceber que está gastando.

Eu me sentia mal por isso. O pior é que parecia que na faculdade, essas questões nunca eram abordadas pelos professores. Ética foi só uma matéria em que assistimos Toy Story e Harry Potter.

Enquanto isso, eu lia sobre a taxa de endividamento do jovem brasileiro devido ao consumo desenfreado, assistia um documentário da BBC chamado “O Século do Ego”, que traça a relação entre publicidade, psicanálise e manipulação de massas (sério, assista, seja qual for sua formação). A partir disso, entendi como as grandes empresas ganham dinheiro às custas de mão-de-obra barata, como a Publicidade colabora para a perpetuação de uma sociedade desigual e alienada. Eu, absolutamente, não queria fazer parte de tudo isso (leia mais aqui).

Eu não via mais propósito na carreira que eu havia escolhido. Mais do que isso, eu queria ser útil socialmente e me sentia até meio envergonhada de falar que estudava Publicidade. Me lembro de duas vezes que contei para alguém qual curso eu fazia e a pessoa me chamou de “manipuladora” e “lavadora de mentes”. Isso me abalou bastante.

Fui ficando cada vez mais incomodada. Não posso dizer que minha faculdade não teve relevância para mim, mas ela me mostrou mais o que eu não gostaria de ser, e não o inverso. Eu não encontrava muitas opções. Como você pode trabalhar com publicidade, sendo contra o consumismo? Hoje eu vejo que essa visão que eu tinha também era limitada, e por isso, quero contar aqui como estou superando minha crise.

Naquele época eu só via uma saída: trabalhar no terceiro setor, com a comunicação institucional de ONGs e afins. Mas eu não sabia como, nem onde, nem tinha algum contato e honestamente, tinha receio de não conseguir me sustentar. Eu não sou contra dinheiro, sou contra o mau uso dele.

Acabei me formando e de fato nunca exercendo formalmente minha profissão. Eu sou professora de inglês desde os 17 anos, é isso que tenho feito até hoje. Posso dizer que dar aulas é um trabalho que me dá propósito e me faz aprender algo positivo todos os dias, contudo, não é o que eu gostaria de fazer pelo resto da minha vida.

Para tentar compensar a frustração da graduação, comecei uma pós em Jornalismo Cultural, e realmente, me sinto mais feliz e realizada nessa área – que também é um braço da Comunicação Social, porém menos fútil (era assim que eu pensava).

Todavia, de uns tempos para cá, venho sofrendo outra mudança. Há uns meses tenho lido bastante sobre novas formas de relacionar serviços/ bens e pessoas. Tem muita coisa legal e inovadora acontecendo em diversos meios e profissões.

Em um determinado momento eu me dei conta de que estamos indo na contramão de tudo o que eu havia tomado como certo quando estudava Publicidade: hoje em dia se fala cada vez mais sobre economias colaborativas, multimoedas, desenvolvimento holístico, bens intangíveis e vários outros termos que posso detalhar melhor em outro texto.

Essas propostas contribuem para a formação de uma nova sociedade, uma onde haja preocupação com a sustentabilidade ao invés do acúmulo material, com o compartilhamento em vez do individualismo, com a multilateralidade da informação em vez da verdade absoluta. Há esperança!

Você até pode olhar ao seu redor e não enxergar essas mudanças; mas se procurar um pouquinho vai ver o quanto isso tudo vem crescendo exponencialmente. Várias pessoas já estão aderindo a estilos de vida menos padronizados, empreendendo com consciência e produzindo conteúdo de valor social; tudo com o intuito de ajudar outras pessoas a realizarem seus sonhos e transformarem suas vidas. Este site mesmo é uma prova disso <3

E sabe o que é mais engraçado? Nesse processo todo, publicitários são necessários, principalmente dentro do mundo digital.
Por isso, caso você também esteja passando por uma fase de questionamento profissional, buscando encontrar um trabalho com propósito, fazer algo significativo para melhorar o planeta em que vivemos, não se desespere. Encontre pessoas que têm o mesmo ideal que você (como eu!), mude sua visão e comece a considerar novas possibilidades. Profissionais mais felizes constroem um mundo mais feliz!

Imagem: Pinterest

@ load more