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Se você acessou a internet nas últimas semanas, com certeza viu alguma postagem sobre “13 reasons why”, a nova série da Neflix, que aborda temas como bullying, assédio e suicídio. Caso você não tenha ideia sobre o que eu estou falando, um resumo: a série acompanha a história de Clay, um garoto que recebe uma caixa de sapatos com várias fitas cassetes na porta de sua casa.

Ao ouvir as gravações, ele descobre que elas são de sua falecida colega Hannah, que cometeu suicídio recentemente. No decorrer dos episódios, são apresentados nas fitas quais são os motivos pelos quais Hannah colocou um fim em sua própria vida. Já fizemos aqui posts sobre a importância da série e também sobre porque você talvez não deva assisti-la. 

As reações de quem assiste “13 reasons why” são os mais diferentes possíveis, mas acredito que uma foi comum: a sensação de impotência. Deu vontade de ajudar aquela garota. De abraçá-la e dizer: você não precisa passar por isso sozinha. De fazer justiça contra todos aqueles que a magoaram. A dor da personagem pareceu tão real, que foi difícil separar a realidade da ficção. A verdade é que a gente não pode fazer nada para ajudar Hannah, a personagem, mas podemos observar mais e tentar perceber quando uma pessoa próxima está passando por algo semelhante.

Como podemos ajudar uma vítima de bullying? 1

De acordo com a psicóloga Thaís Quaranta, “o número de ocorrências de mortes por suicídio na adolescência tem aumentado cada vez mais e, em muitos casos, é comum observarmos a agressão como um fator responsável ou que contribui em grande escala para um desfecho infeliz”. O jovem que sofre com isso, muitas vezes, se vê sem saída e pensa que a morte é a única forma de aliviar o seu sofrimento. Em alguns outros casos, como o de Hannah na série, o suicídio é visto como um meio de responsabilizar e punir os agressores por seus atos.

Thaís conta que cada pessoa pode lidar com o bullying de uma maneira diferente, já que, quando nascemos, nós vivenciamos experiências de modo único, assimilando cada detalhe e articulando com seus aspectos genéticos inatos, formando nossa individualidade. Por isso, às vezes temos a sensação de que conseguiríamos lidar com situações que podem ser destrutivas para algumas pessoas, como aconteceu com Hannah, que o tempo todo era chamada de “rainha do drama” ou coisa do gênero.

As consequências que agressões podem ter na vida de uma pessoa dependem tanto da vulnerabilidade emocional da vítima (alguém com maior predisposição a transtornos mentais ou com pouco suporte familiar, por exemplo) e do tipo, intensidade e frequência da exposição a agressão. “Subestimar os problemas, achar que é frescura, ou não lidar com a situação podem ser fatores decisivos para que a vítima opte por uma medida drástica para dar fim às agressões”, explica.

Como podemos ajudar uma vítima de bullying? 2

Para ajudar alguém que passa por isso, a psicóloga diz que o primeiro passo é conquistar a confiança da vítima. “É importante não incentivar a revidar e nem a culpar pela situação, mas sim, acolher e ouvir a pessoa para juntos pensarem na melhor forma de resolver”. Se as agressões ocorrem no ambiente escolar, a aproximação entre os pais e a instituição de ensino também é muito importante.

“A mediação do adulto é fundamental para entender e resolver os problemas entre vítimas e agressores. Além disso, as crianças não nascem sabendo se relacionar – é preciso aprender e desenvolver habilidades sociais, respeito às diferenças e assertividade para expressar seus sentimentos e intenções de maneira adequada”, explica.

Normalmente, quem sofre bullying tem dificuldade em buscar ajuda e, por isso, é importante observar o comportamento das pessoas para conseguir identificar se ela precisa de algum apoio. “As vítimas começam a se distanciar dos adultos para esconder seus medos e angústias. Fatores como oscilações de humor (expressão de ansiedade, tristeza, raiva), alterações comportamentais (xixi na cama, isolamento, resistência a ir para escola, agressividade), alterações emocionais (medo, ansiedade, baixa autoestima), e alterações fisiológicas (mudanças no padrão de sono e alimentação, dores de cabeça ou estômago, vômitos) e diminuição do rendimento escolar ajudam os pais e professores a perceberem que há algo errado”, relata Thais.

Como podemos ajudar uma vítima de bullying? 3

Nos adolescentes, temos visto comportamentos autodestrutivos, como consumo de álcool e automutilação. A médica ainda reforça que, “quando não cuidado, o bullying pode trazer consequências como transtornos de ansiedade e/ou humor (como ansiedade e depressão), problemas de relacionamento, abandono de estudo, abuso de álcool e drogas, agressividade, e o próprio suicídio”. Por isso, o apoio de familiares, amigos e pessoas próximas é muito importante em um momento como este. Em casos mais graves, a médica também recomenda a ajuda de um profissional (temos indicações aqui).

Imagem: Reprodução / Twitter

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