Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Quando eu era mais nova, idealizava o que seria esse tal amor que as pessoas tanto falam por aí. Alguém por quem eu era apaixonada me deu um inocente beijo na bochecha? Pronto, era grande amor de minha vida. Outro disse que gostou da minha roupa? Ah, era com ele quem eu ia me casar. Sou uma grande fã do romance desde pequena e eu imaginava quando iria ter aquela sensação de borboletas no estômago, o esperado frio na barriga apenas de estar próximo de alguém.

Então eu o senti pela primeira vez.

Não sei dizer o que foi aquilo, porque definitivamente não terminou como os livros retratavam. Onde estava o meu final feliz? Primeira paixão, um cara que entrava em todas as minha idealizações. E, nossa, como eu era louca por ele. E o mais engraçado é que, agora, eu não consigo mais me lembrar o motivo. Para se apaixonar, é preciso conhecer pelo menos a superfície de alguém e não a ilusão de como você queria que ela fosse.

Sim, isso é um tabefe dos grandes na nossa cara. “Me apaixonei pelo que eu inventei de você”, cantamos a sofrência com Marília Mendonça. Não sei em qual tipo de amor esse meu primeiro e ilusório se encaixa. Existe aquela pessoa que mexe com a gente de uma maneira que não entendemos, não existe? Como um tipo de amor não correspondido que não alcançou nem a tal superfície.

E dói. Dói como uma ferida que nunca nem chegou a sangrar. Por várias momentos, você até mesmo esquece que está ali dentro de você. Então, ele ressurge das cinzas e literalmente coloca o dedo na ferida, como naquela pintura de Caravaggio. E eu nunca conseguia ter forças o suficiente para expulsa-lo com um grande pontapé. Para ele, era apenas mais uma forma de fortalecer seu ego, enquanto eu o via me encher de esperanças e depois pegar de volta. Me deixava sem nada. Pior: com migalhas. E eu achava que era o suficiente, porque era a única coisa que eu conseguiria ter dele.

Então, eu me questionava: Por que despertar o amor sem a intenção de ficar? Por que acender o fósforo se não queria usar a chama? É, ele gastava os palitos de fósforo apenas para assistir a chama sendo contida por ele, em suas mãos. Saber que ele tinha o poder de mantê-la acesa e de apagá-la, quando bem entendesse. Ele nunca se arriscou queimar comigo.

Nunca. 

Me tirava do sério quando eu estava bem, com a tal ferida quase cicatrizada e ele reaparecia dizendo que estava com saudades, que me queria de volta. Saudades o escambau! Mas naquela época, eu não conseguia distinguir isso. Com tão pouco, eu sentia as marcas dele em mim. Mas eu me perguntava o que de mim ficou nele. A resposta sempre foi nada e eu demorei demais para cair na realidade.

Foram muitas decepções, lágrimas, mensagens com os dois traços azuis, mas nunca respondidas. Ele e eu nunca fomos nós. E, meu Deus, ele nunca mereceu nem um pingo disso aqui. Não merecia o tanto que eu me importava. Não merecia o fato de eu querer tanto amá-lo. E eu decidi que a porta que eu sempre mantive aberta para quando ele quisesse voltar, não estaria mais lá. Estaria trancada às sete chaves, sem nenhuma visão de uma janela. 

Ninguém tem a obrigação de corresponder aos sentimentos alheios, mas a partir de momento que você cultiva e rega o interesse que alguém tem em você, é seu dever ter a responsabilidade afetiva de mandar a real. Sabe? Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas, SIM! Por que as pessoas não entendem isso?!

Eu tenho dito: esse tipo de amor, o não correspondido, é dolorido, porque a saudade vem de algo que você nunca nem viveu. Algo que você nunca saberá realmente como teria sido, que poderia ter tido mil finais diferentes. Mil. Uma saudade do desconhecido, sem saber direito do que é que se sente falta. Mas a falta ainda está lá. 

Conclusão da história é bem simples. Eu percebi que o jogo era vicioso para ele e que apenas quando o árbitro da sua solidão apitava, ele me enxergava no banco de reservas. E eu não nasci para ser reserva de ninguém. Nasci para ser a titular; especialmente da minha própria vida. 

Agora eu estou com os fósforos. 

 

 

 

 

 

Seria engraçado se não fosse trágico como o olhar de outras pessoas sobre nós afetam diretamente em nossa autoestima. Como podemos definir o quanto gostamos da gente baseado em fulano não ter te dado atenção o suficiente ou porque ciclano disse o tal do não é você, sou eu? Para isso não acontecer jamais, é preciso plantar a sementinha do amor-próprio dentro de você. Talvez no início ela pareça não crescer de forma alguma, mas ela ainda está ali, maluca para florescer. Esperando ser impulsionada.

E existe as formas de regar a semente, que funcionaram para mim. Mas veja bem: o amor-próprio é algo que se constrói e se desenvolve a cada dia. Nunca vai acontecer de um dia para o outro; terão muitos altos e baixos, sentimentos oscilatórios até se tornar algo constante.  

Começo sugerindo que: valorize cada vitória sua, seja ela grande ou minúscula. Analise sua vida e tenha uma retrospectiva de tudo que você já passou, bom ou ruim. Especialmente as ruins. Não existe nada mais especial do que reconhecer sua própria força em momentos difíceis, em que você descobriu formas de passar por aquilo que te fez se sentir minúscula diante do mundo. E, se não conseguir reconhecer, apenas tenha em mente que a tal fase difícil passou. E que você lidou com ela, sim

Depois: sabe aquele clichê de ocupar a mente e descobrir novos hobbies?

Faz total sentido. Não existe nada melhor do que perceber ter tempo para si mesma e apreciar estar só. Para se conhecer melhor, para saber de cada assunto que te instiga e cada detalhe que te desanima. Descobrir cada pequeno ou grandioso talento que existe dentro de você. Acredite em mim, existem vários. Se não um artístico, como desenhar, atuar, dançar ou escrever, talvez seja a sua determinação para ir atrás do que quer ou sua inteligência emocional, de ter o reconhecimento e saber lidar de maneira majestosa com seus próprios sentimentos e os alheios. 

E então: pare e pense. Por que eu iria querer alguém que não me inspira? Alguém que nem consigo nutrir uma admiração? Eu não apreciava minha própria companhia, talvez por isso que atrelava tanto a minha felicidade à outra pessoa. Mas então me dei conta de uma coisa: nada dura para sempre. Nem sentimentos, nem pessoas, nem lugares. E sabe quem é a única pessoa que vai ficar para sempre com você? Sim, você mesma. Só você sabe das suas dores, das suas dúvidas, das crises existenciais, das decepções, do que te faz sorrir, do que te traz paz de espírito. E, querendo ou não, você está amarrada a si mesma pelo resto da vida. Por que não tornar tudo mais divertido com amor, autoconfiança e um pouco de ousadia? 

Último e não menos importante: qual o cabimento de enxergar algo fora do padrão da estética como um defeito?

O padrão está nos olhos de quem enxerga por perspectivas antiquadas e beleza é algo tão relativo, pois todo mundo possui particulares como um universo somente seu. Não há benefício algum na comparação; seja exterior ou internamente falando. Ao invés de se olhar no espelho e citar mentalmente tudo o que você pensa que é um defeito seu, por que não tenta enaltecer alguma singularidade? Seja o seu cabelo com uma cor exótica ou pelo formato diferente, porém bonito, da sua boca. Sempre vai existir beleza, especialmente em uma pintura mal interpretada por olhos amadores. Como uma frase do livro Eleanor & Park. Ela nunca parecia legal. Ela parecia arte, e a arte não deveria ser bonita; deveria fazer você sentir alguma coisa.

Talvez o tal amor que as pessoas tanto falam por aí não deveria se basear apenas no encontrar um cara ou uma mulher incrível e que te cativa. Talvez as pessoas deveriam falar mais sobre o amor que você descobre dentro de si mesma e que, com muita certeza, muda a forma como você vê o mundo. Porque você para de aceitar pouco. E para de aceitar relacionamentos rasos quando a única coisa que você quer fazer é transbordar; seja de qualquer tipo de amor. 

E sabe o tal final feliz que eu mencionei anteriormente? Ele está bem aí. E está aqui também. Dentro de mim. Correndo entre minhas veias e colorindo a aura em volta da minha silhueta, me fazendo enxergar coisas que eu nunca vi antes. 

E eu posso afirmar: é lindo!

Imagem: Pinterest

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