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Mulher, hoje é dia de papo sério. Concorda comigo que muitas pessoas se preocupam excessivamente com o corpo? Comeu um pão de queijo aqui e tá se martirizando pra caramba. Passou em frente a um espelho na rua e se achou gorda demais. Pois é. Isso não deveria ser tão… “normal”, né? Porém, acontece que essa preocupação com o próprio peso, para algumas pessoas, torna-se obsessiva, resultando em uma condição chamada anorexia nervosa.

A anorexia nervosa é um distúrbio alimentar (que pode ser fatal, viu?) caracterizado por inanição (ficar sem comer DE VERDADE) e perda excessiva de peso.

Esse distúrbio costuma ser diagnosticado quando uma pessoa pesa pelo menos 15% a menos do que seu peso corporal normal/ideal. Só que calma, a gente vai falar mais sobre isso daqui pra frente. Antes, ainda preciso colocar alguns pontos nos “is”.

Um pouquinho mais sobre a anorexia nervosa

Cê sabia que o termo anorexia significa, literalmente, “perda de apetite”? Porém, o cado aqui é um pouquinho mais complicado. Afinal, pessoas com anorexia nervosa geralmente sentem bastante fome, mas recusam a comer.

Acontece que, por causa dessa indústria da beleza ferrada que a gente tem, um paciente que possui esse distúrbio tem um medo MUITO intenso de se tornar gordo. Pior que isso, é se considerar gordo mesmo estando MUITO magro.

Falando nisso, vamos falar um tiquinho sobre como identificar esse distúrbio?

Reconhecendo os sintomas da anorexia nervosa

anorexia nervosa

Quem tem esse distúrbio costuma perder o peso com certa rapidez e, claro, mantê-lo extremamente baixo de formas. Enquanto algumas pessoas colocam restrições severas à ingestão de calorias/carboidratos, por exemplo, outras se exercitam excessivamente.

Ainda existem outros métodos de compulsão como comer bastante e forçar vômito depois, tomar laxantes ou diuréticos, e por aí vai.

Então, uma pessoa que possui anorexia nervosa costuma:

1. Forçar vômito para controlar o peso

Infelizmente, essa é uma das características mais comuns da anorexia. Precisamos ficar atentas a esses sinais (tanto em nós mesmas, quanto em pessoas queridas) porque essa prática pode levar a problemas gravíssimos de saúde.

2. Obcecar-se por alimentos, calorias e dietas

Aqui, a preocupação constante com a comida e o monitoramento rigoroso da ingestão de calorias, proteínas, carboidratos e por aí vai se tornam “comuns”. Acontece que uma pessoa potencialmente anoréxica costuma registrar todos os itens alimentares que consome, inclusive água. Às vezes, ela até memoriza o conteúdo calórico de cada comida.

Essa obsessão constante com a comida acaba motivando as pessoas com anorexia a diminuir drasticamente a alimentação e praticar dietas extremas. Algumas podem até se recusar a comer certas coisas como carboidratos, açúcares ou gorduras.

Mulher, a gente precisa ter atenção redobrada a esse sintoma, sabe? Ações extremas como essa podem provocar desnutrição e/ou deficiências nutricionais, o que pode alterar, inclusive, no humor e aumentar o comportamento obsessivo sobre essas dietas e afins.

Além disso, a diminuição da ingestão de certos alimentos também pode afetar os hormônios reguladores do apetite, como a insulina e a leptina. Isso pode levar a outros problemas mentais e de saúde como perda de massa óssea, dificuldade de reprodução e até de crescimento.

3. Ter mudanças drásticas de humor e estado emocional como um todo

A anorexia nervosa costuma vir acompanhada de depressão, ansiedade, hiperatividade, perfeccionismo e impulsividade. Aí, isso piora tudo porque a pessoa, que já está preocupada excessivamente com o próprio peso, passa a não sentir prazer em atividades que, normalmente, são super agradáveis ​​para nós.

Na medida em que o tempo vai passando, esses sintomas fazem com que a pessoa se torne altamente sensível a críticas, falhas e erros. E o pior: isso é tão fisiológico quanto psicológico. Afinal, o desequilíbrio de alguns hormônios como serotonina, dopamina, ocitocina, cortisol e leptina, podem explicar muitas dessas características em pessoas anoréxicas.

E como esses hormônios regulam o humor, o apetite, a motivação e o comportamento, seus níveis anormais podem levar a alterações de humor, apetite irregular, comportamento impulsivo, ansiedade e depressão.

4. Enxergar-se diferente no espelho (imagem corporal distorcida)

A forma do corpo e a atratividade (que as pessoas pensam que vêm com ela) são preocupações constantes de um paciente com anorexia nervosa. É ter a percepção do próprio corpo e A FORMA COMO VOCÊ SE SENTE COM RELAÇÃO A ELE alteradas.

Coloquei esse segundo fator em caps por outros motivos que não GRITAR virtualmente com você. Acontece que esse distúrbio também é caracterizado por provocar imagens corporais negativas e sentimentos horríveis com relação a elas.

A verificação repetida do corpo, quase compulsiva, é outra característica da anorexia. É, basicamente, olhar-se MUITO no espelho, pesar a toda hora, checar as medidas do corpo, beliscar as gordurinhas e por aí vai.

Esse comportamento é terrível porque pode aumentar, e muito, a insatisfação corporal e a ansiedade, além de promover a restrição alimentar excessiva. Afinal, se a gente quiser procurar algum “problema”, é claro que vamos encontrá-lo. Mesmo se ele simplesmente não existir.

5. Recusar-se a comer

Padrões alimentares bem irregulares e baixos níveis de apetite são importantes sinais de anorexia. Vários fatores podem contribuir para esse comportamento, como o desequilíbrio hormonal (já falamos sobre ele), emocional e até mesmo o meio em que você está inserida.

Pensa naquela situação constrangedora de pegar um pratão lindo de comida e ter sua mãe, namorado ou qualquer outra pessoa olhando para você e falando: “nossa, tem certeza de que vai comer isso?”. Esse tipo de padrão, ao longo do tempo, pode causar danos horríveis.

É por isso que precisamos, e muito, cultivar nosso amor próprio e espalhá-lo a outras pessoas, principalmente as amadas, sabe?

6. Desenvolver “rituais” para comer

Comportamentos obsessivos com comida e peso muitas vezes provocam hábitos alimentares orientados para um controle. É como se fossem pequenos rituais, entende? Aí vão alguns exemplos que ilustram isso melhor:

  • Comer alimentos em uma determinada ordem e se desestruturar bastante se ela for interrompida;
  • Comer extremamente devagar e mastigar excessivamente;
  • Organizar a comida no prato de uma certa forma;
  • Comer a mesma refeição, na mesma hora, todos os dias;
  • Cortar a comida (ou separá-la) em pequenas porções;
  • Pesar TUDO o que come (e, de vez em quando, mais de uma vez);
  • Contar as calorias antes de comer a comida;
  • Comer apenas em lugares específicos;
  • Etc.

Mas… afinal… o que CAUSA este distúrbio?

A causa exata dela ainda é desconhecida. Porém, diversas pesquisas sugerem que ela pode ser provocada por uma combinação de fatores como personalidade, emoções e padrões de pensamento. Podem estar envolvidos, também, fatores biológicos e ambientais.

As pessoas com anorexia nervosa costumam usar a “dieta” e suas restrições como forma de ganhar controle de si mesmas enquanto OUTRAS áreas de suas vidas é que precisam de atenção por serem muito estressantes e/ou inadequadas.

anorexia nervosa

Aliás, falando nisso, outros gatilhos para esse distúrbio são o sentimento de inadequação, a baixa autoestima, a ansiedade, a raiva ou a solidão. Além disso, pessoas com transtornos alimentares podem ter relacionamentos problemáticos (sejam eles amorosos, familiares ou até mesmo no trabalho) que o levam a questionar o próprio peso. É o caso de áreas como a indústria da moda e beleza, de parentes desagradáveis, de amizades que são má influência nesse quesito e por aí vai.

Porém, a anorexia nervosa pode, também, ter causas físicas como variações hormonais e até mesmo suscetibilidade ao distúrbio (hereditária, saca?).

Mas bem, para resumir isso tudo, aí vão alguns fatores que podem acarretar nesse distúrbio e, por isso, merecem atenção:

  • Ser mulher (os transtornos alimentares também afetam os homens, mas são mais comuns em mulheres jovens. Por que será, né?);
  • Maior índice de massa corporal infantil;
  • Hereditariedade e genes;
  • Funcionamento anormal de substâncias químicas que controlam a fome e a alimentação;
  • Pressão social para ser magra;
  • Dificuldade em expressar sentimentos;
  • Ser provocada por causa do peso ou tamanho;
  • Histórico de abuso sexual ou físico;
  • Perfeccionismo;
  • Infelicidade com a imagem corporal;
  • Falta de apoio social ou familiar;
  • Baixa autoestima;
  • Depressão, ansiedade, estresse, raiva ou solidão;
  • Crença de que um corpo mais magro é o ideal (também conhecida como gordofobia, néam);
  • Histórico de distúrbios psiquiátricos;
  • Nascimento prematuro, baixo peso ao nascer ou ser parte de um parto gemelar.

E quais são os danos?

Então, mulher. Se não tratada (ou identificada MUITO tarde), podem rolar as seguintes coisas:

  • Danificação de órgãos, principalmente o coração, o cérebro e os rins;
  • Queda na pressão arterial;
  • Perda de cabelo;
  • Arritmia cardíaca;
  • Osteoporose;
  • Morte por fome ou suicídio.

E como funciona o seu diagnóstico?

Identificar um distúrbio como a anorexia nervosa pode ser um desafio. Afinal, sigilo, vergonha e negação são algumas das características mais comuns dele. Aí, como resultado, essa doença pode passar despercebida por longos períodos de tempo.

Se você identificar algum desses sintomas citados acima em si própria, ou em uma pessoa próxima de você, é importante procurar um médico. Embora não haja exames laboratoriais para diagnosticar esse distúrbio especificamente, o especialista pode usar vários testes como exames de sangue (para descartar doenças físicas como a causa da perda de peso) e outras avaliações que detectam os efeitos da perda de peso no organismo.

Se nenhuma doença física for encontrada, a pessoa provavelmente será encaminhada a um psiquiatra ou psicólogo, profissionais treinados para diagnosticar e tratar doenças mentais. E isso não é motivo de vergonha, ok? Lembre-se que as doenças psicológicas são tão nocivas quanto as físicas.

Seu corpo é o seu santuário. Cuide dele.

E qual é o tratamento?

O atendimento de emergência para anorexia pode ser necessário em alguns casos extremos em que desidratação, desnutrição, insuficiência renal ou batimento cardíaco irregular podem representar risco iminente à vida.

Emergência ou não, o tratamento da anorexia é um desafio, porque a maioria das pessoas com o transtorno nega ter algum problema – ou tem tanto medo de ficar acima do peso que pode se opor aos esforços para ajudá-las a ganhar peso normal. Como todos os transtornos alimentares, a anorexia requer um plano de tratamento abrangente que seja ajustado para atender às necessidades de cada paciente.

O principal objetivo da cura é voltar o corpo para o peso normal, montar uma dieta com nutricionistas que vão te ensinar a comer bem e de forma saudável e, claro, cuidar da cabeça e do coração com bastante terapia. Aliás, existem terapias individuais, em grupo e até mesmo familiares.

Embora não haja nenhuma medicação que cuide efetivamente do tratamento da anorexia nervosa, os antidepressivos podem ser prescritos para que a pessoa consiga lidar com a ansiedade e a depressão. Estes, junto à análise e terapia, podem fazer com que ela se sinta melhor.

Por fim, ela pode ser prevenida?

anorexia nervosa

Não há nenhum método comprovado que ajude a prevenir a anorexia nervosa. Mas REALMENTE prestar atenção nos sintomas dela pode ajudar no diagnóstico precoce e, consequentemente, no tratamento e recuperação.

Então, mulher, se você, ou uma pessoa querida, estiver obcecada com o próprio peso, procure por ajuda, tá bem?

Imagem: via “O Mínimo Para Viver – Netflix

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