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Nascida em 1950 em Ohio, Estados Unidos, a artista plástica Jenny Holzer mostrou para o mundo uma nova maneira de fazer arte utilizando as palavras e a rua como matérias primas: em 1977 começou a colar cartazes e lambes-lambes em cabines telefônicas, postes e muros de Nova York com frases como “Você precisa saber onde você acaba e o mundo começa” ou “A revolução começa com mudanças no indivíduo”. Jenny Holzer, com essa série de cartazes que batizou de Truisms, dava início a uma maneira inédita de fazer arte conceitual ocupando espaços públicos.

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A intenção de colocar frases impactantes era de escancarar verdades e trazer reflexões sociais e políticas usando o espaço urbano como pano de fundo. Depois das cabines telefônicas e muros, a artista começou a se apropriar da arquitetura e de grandes anúncios publicitários espalhados pela maior cidade do mundo. A artista percebeu que escrever em asfalto, carros, fachadas de prédios, painéis de LED e outdoors era uma maneira de levar arte e protesto para as pessoas que transitavam em meio a loucura de uma megalópole: trabalhadores apressados, jovens a caminho da universidade, crianças que brincavam em parques e principalmente mulheres.

“Estou acordada em um lugar onde mulheres são mortas”

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“Um homem não pode saber como é ser mãe” / “Proteja-me do que eu quero”

A intenção da arte de Jenny Holzer era sobretudo colocar o dedo na ferida e apontar o machismo e a misoginia dentro de um sistema patriarcal. A maioria das frases usadas por Jenny são de sua autoria ou tiradas de portas de banheiros públicos, placas de caminhão, anúncios em jornais e revistas e abordam temáticas sobre sexo, morte, guerra, amor, individualidade, feminismo e maternidade.

A arte incômoda e de resistência não ficou restrita às ruas dos grandes centros urbanos. Em 1990, a exposição chamada Mother and Child (Mãe e Filha) ganhou espaços em galerias de arte dos Estados Unidos e Europa. Essa série de trabalhos teve como inspirada a maternidade. Jenny lançou a mostra depois que teve sua filha. Formada por painéis eletrônicos verticais de duas cores, com textos que corriam em direções opostas e frases inseridas no chão e em bancos, a mostra remetia ao diálogo entre a sensibilidade e a preocupação de uma mãe com o crescimento de seu filho em um mundo tão violento e intolerante.

Internet e Brasil

Em 1998, com a popularização da Internet, Jenny Holzer saiu das ruas e começou usar os espaços virtuais para expor suas palavras e atingir um maior número de pessoas. Criou uma série chamada Please Change Beliefs (Por favor, mude suas crenças) onde publicava nas redes sociais frases provocativas como “Amar os animais é uma atividade substituta” ou “O assassinato tem seu lado sexual”.

Jenny Holzer esteve duas vezes no Brasil. A primeira foi em 1998, no Rio de Janeiro. A artista colocou seus escritos em portas de táxis, bancas de jornal, outdoors e endereços eletrônicos. A segunda vez, em 1999, projetou suas frases nos cartões postais da capital carioca como Arpoador, Pão de Açúcar, Morro da Urca, Arcos da Lapa e casarões do Centro antigo.

Premiada, Jenny Holzer recebeu o Leone d’Oro na Bienal de Veneza em 1990, o Crystal Award do World Economic Forum em 1996 e a Barnard Medal of Distinction em 2011. Ela possui títulos honorários da Williams College, da Escola de Design de Rhode Island, de The New School e da Smith College.

Para conhecer melhor a trajetória da artista vale a pena assistir o documentário Protect me From What I Want (Proteja-me do que eu quero), dirigido pelo curador e diretor de arte brasileiro Marcello Dantas. O documentário está dividido em três partes e disponível no Youtube e também no site oficial de Holzer.

Imagem: Reprodução / Dazed

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