Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Já imaginou assistir a um stand-up que no início te faz rir e no final você está emocionado, impactado e possivelmente chorando? Estas são as emoções causadas por “Nanette” de Hannah Gadsby, um show que, depois que você assistir, não será mais a mesma. Logo após assistir, o primeiro impulso que tive foi o de espalhar essa mensagem importantíssima para o mundo e é por isso que escrevi este artigo. Leia e entenda melhor!

Quem é Hannah Gadsby?

Hannah Gadsby nasceu em Smithton, na Tasmânia, um país em que até 1997 era crime ser homossexual. Imaginem como foi difícil se descobrir lésbica e “sair do armário” em um ambiente tão hostil.

Ela se formou em História da Arte, mas há mais de uma década iniciou sua carreira de comediante. Se você assistiu à série “Please Like me” talvez a tenha reconhecido, pois ela era uma das atrizes coadjuvantes.

Assim como outros humoristas, Hannah Gadsby usa aspectos de sua vida para contar piadas. Até que ela percebeu que não queria mais fazer isso e disse que iria largar a carreira. Foi então que surgiu “Nanette”. Um show em que ela brilhantemente usa a comédia para criticar a comédia. Deixo aqui uma frase em que ela fala sobre isso:

“Porque, vocês entendem o que autodepreciação significa quando vem de alguém que já está à margem? Não é humildade. É humilhação. Eu me rebaixo para falar – para obter permissão para falar. E eu simplesmente não vou mais fazer isso, nem a mim nem a ninguém que se identifique comigo”

Qual o tema do show?

É um pouco complicado descrever o tema de “Nanette” sem acabar soltando alguns spoilers, mas tentarei. Ela aborda diversos temas, incluindo machismo, sexismo, homofobia, romantização de transtornos mentais e diversos outros.

Hannah Gadsby

Retirado da página do Facebook @NodeOito

Um dos temas principais é a crítica a forma como a comédia é usada para abordar temas que são importantes. Também há críticas a Louis C.K, Harvey Weinstein e uma baita aula de arte cômica e problematizadora em que ela arrasa com Picasso.

Fora as críticas, ela expõe o fato de que ela vem administrando os traumas que viveu de forma errada. As piadas só têm duas partes: começo e meio, enquanto as histórias têm começo meio e fim.

De acordo com Hannah, as histórias são a forma certa de lidar com temas sensíveis, pois na comédia você precisa equilibrar a tensão e, portanto, não pode contar o final da história. Ela demonstra isso na prática, de forma impressionante e com exemplos impactantes.

No início você dará risadas, se sentirá bem. Do meio para o final ela adota uma postura mais séria, cria tensões que despertam incômodo e depois as alivia com doses homeopáticas de humor. No final, você estará refletivo e terá muito sobre o que pensar e se questionar sobre diversos temas.

“Essa tensão, quem não é normal carrega dentro de si o tempo todo. Porque é perigoso ser diferente”

O que aprendi com “Nanette”?

Eu confesso que assisti a esse show muito despreparada. Era uma noite de sexta-feira e eu queria dar umas risadas. Coloquei na Netflix e vi o lançamento: opa, uma mulher fazendo stand-up. E rezei para que não fosse mais um show de comédia que tentasse fazer humor com piadas racistas, sexistas e homofóbicas. Imaginem a minha surpresa, não é?

Eu não conseguia parar de assistir. Fiquei fascinada por tudo, incluindo a forma como ela constrói a tensão, quebra a tensão e, nossa, como me senti representada e compreendida de várias formas!

Acredito que muitos se sentirão desconfortáveis assistindo “Nanette”, pois o espetáculo toca em feridas, falhas e em situações delicadas. E como a própria Hannah Gadsby diz:

“As pessoas só se sentem seguras quando o humor raivoso é feito por homens. Quando eu o faço, sou só uma lésbica estragando toda a diversão.”

Hannah Gadsby

Retirado da página do Facebook @NodeOito

Se você ainda não tinha ouvido falar de Hanna Gadsby, acredite, em breve ouvirá.

“Teria feito de tudo para ouvir uma história como a minha”

Sim, Hannah. É muito bom ouvir uma mulher tão forte como você transmitindo mensagens tão importantes e urgentes. Por isso, só tenho a agradecer. Já você que leu até aqui: siga o meu conselho, pare o que está fazendo e vá ver Hannah Gadsby em “Nanette”.

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