Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Ser machucada é perfeitamente normal, mas às vezes nós é quem fazemos isso. É por isso que precisamos conversar sobre: automutilação emocional.

OBS: Automutilação emocional não é um termo médico/científico (até onde eu sei). É só uma forma que achei de nomear as atitudes abordadas no texto.

Outro dia – enquanto escutava minha amiga falar, entre uma lágrima e outra, o quanto se culpava pela maneira como se sentia – percebi que pouco se debate acerca de uma prática muito comum. Automutilação emocional.

Automutilação emocional é por muitos conhecida como “falta de amor próprio”, “chorar pelo leite derramado”, ou tudo isso junto, formando um combo que com certeza não chega nem perto de um hambúrguer com batatas fritas e coca bem gelada (porque dói pra caramba)!

Automutilação emocional…

… é o que você faz quando se culpa por coisas das quais não tinha o menor controle no momento em que aconteceram.

Temos de dar um pouco mais de ênfase em como a maneira que você vê certas coisas hoje só é possível porque, algum dia, você meteu o pé na jaca e resolveu pagar para ver, e só então aprendeu.

Você viu que a jaca não era tão deliciosa e atraente quanto parecia, mas você não poderia dizer isso sem antes enfiar o pé nela, não é verdade?

As coisas levam tempo. E tá tudo bem!

Enquanto minha amiga chorava – por um cara que ela tardou em perceber que não valia qualquer esforço emocional – e eu afagava seu ombro, franzindo o cenho sem a menor ideia de como consolá-la, percebi que não há qualquer razão para chorar pelo leite derramado ou pelo pé que ficou preso na tal da jaca por “tempo demais”.

As coisas levam tempo, e tudo bem. Às vezes levam tempo demais, às vezes levam tempo “de menos”, e essa é a beleza de todo e qualquer processo.

O melhor jeito de aprender: ERRANDO

Esqueça tudo o que te disseram sobre cometer erros.

Foi todo esse discurso precipitado sobre como devemos ser perfeitos (principalmente quando se trata de ser mulher) que acabou ferrando, de certa forma, a nossa saúde mental. Te dizer que errar é humano pode parecer clichê, mas não deixa de ser verdade!

Se errar faz parte do aprendizado, então não existe QUALQUER motivo para se mutilar emocionalmente toda santa vez que você lembra do papel de trouxa (ou da mancada que você fez) há horas, meses, dias ou até anos. Isso é uma bela perda de tempo e energia, certo?

A melhor maneira de parar a automutilação emocional é repensando seu conceito de FELICIDADE

Você tem TODO o direito de elaborar o próprio conceito de FELICIDADE. Mas POR FAVOR, não deixe que seu conceito de felicidade (ou de qualquer coisa) interfira na sua saúde mental e física.

Se seu conceito de felicidade é ser amada, ou estar em um relacionamento sério, então você vai cair no ciclo vicioso da automutilação emocional toda santa vez. Simplesmente porque outra pessoa NÃO pode te fazer feliz.

Te fazer feliz é uma responsabilidade sua.

Não podemos ser egoístas a ponto de colocar esse peso sobre as costas de outra pessoa.

Afinal de contas, a outra pessoa – também – está tentando ser feliz, e colocar mais essa responsabilidade sobre ela nos dá um final que você já sabe qual é. Spoiler: Automutilação emocional. De novo.

Você vai se sentir insuficiente de vez em quando. Mas o que é ser SUFICIENTE?

Um dia pensei: “Me sinto insuficiente!” e logo depois, outra parte da minha consciência (que eu desconheço) pensou: “Mas o que é ser suficiente e porque você tem a obrigação de se sentir assim? Dane-se!”

Eu não sei de onde veio essa ideia de se sentir suficiente, mas vou chutar que – mais uma vez- vem da ideia de que temos de ser perfeitas.

Você não tem que ser perfeita. Sei que isso soa óbvio, mas é sempre bom dar aquela refrescada na memória.

Às vezes você não vai corresponder às expectativas dos outros e nem mesmo às suas, e tá tudo ótimo!

Você não é uma máquina de corresponder expectativas, belezinha?

Você se mutila emocionalmente porque sente que se NEGLIGENCIOU

Você se sente negligente com o próprio corpo/mente depois de esquecer das suas necessidades e interesses em prol das necessidades e interesses de outra pessoa (é, ás vezes a gente comete esse erro).

Você pode acabar esquecendo quem você é por achar que ser amada é caminho certeiro para a felicidade plena e para se sentir completa.

Não deveríamos agir como se a ideia de ser amada por alguém fosse tão importante quanto o santo Graal. Spoiler: Não é. (HAHA)

Você pode acabar tendo a (perigosa) coragem de ir contra todos os amigos e familiares que juravam de pés juntos que aquela situação ou pessoa claramente não foi feita para caber em você, mas você jurava de dedinho que aquela situação ia se moldar a você do jeitinho que você queria.

As outras pessoas (familiares e amigos) não podem ditar o rumo de nossas vidas, mas se tem tipo VINTE pessoas te dizendo que tem alguma coisa errada com uma pessoa X ou uma situação Y, então é óbvio que existe algo errado com X ou Y. Isso é matemática básica.

Você se negligencia a partir do momento que mergulha no outro de cabeça, sem saber que o outro não tem a mesma profundidade que você. Muitas vezes é aí que começamos a mutilação emocional.

É normal pensar que outras pessoas da mesma idade que você parecem ser mais maduras emocionalmente, enquanto você ainda está aprendendo a andar. Cada um tem seu tempo e uma perspectiva de vida diferente! E isso nos leva ao próximo tópico que é…

… Se COMPARAR com o outro

A questão é que: se comparar é uma das maneiras mais rápidas e eficazes de automutilação emocional (com uma faca cega e tudo mais).

Não tem porquê fazer isso, é esfregar uma faca cega contra seu coração e sofrer em silêncio.

Você sempre acha que fulano e sicrano têm um relacionamento perfeito, enquanto você está aí chupando dedo.

Essa comparação é inútil, porque fulano e sicrano não postam os bastidores de seu relacionamento na internet (e porque relacionamento perfeito não existe, nunquinha no Universo!), então não fique olhando para a grama do vizinho, porque ás vezes ela só é verde nas redes sociais mesmo.

Ou você se compara com aquela mulher bem resolvida que não precisa de relacionamento para se sentir bem e pensa que nem em dez anos-luz você vai chegar nesse auge.

Outra vez, comparação inútil.

Essa mulher bem resolvida esteve no mesmo ciclo vicioso da automutilação emocional antes para chegar onde chegou hoje, e com você não será diferente. Amém? Amém!

Cada um tem o seu ritmo, sua trajetória, e tudo bem!

A vida não é uma corrida. As pessoas é quem ficam competindo o tempo todo (até o presente momento não sabemos PELO QUE!)

Você não é massinha de modelar. (Mas) tem gente que vai achar isso!

Minha amiga estava segurando o chá de camomila que fiz para ela enquanto me deixava submergir em todo esse mar de pensamentos e reflexões, quando disse:

“E agora? Como vou voltar a ser o que era antes? Me sinto como se não me conhecesse!”

Eu sei como é se sentir assim, quando você mergulha tão fundo em alguém (ou algo) e acaba deixando aquilo fazer de você o que quiser.

Como se você fosse uma dessas massinhas de modelar, e quando alguém enjoa de brincar te deixa lá, bem diferente do que você era antes.

O que era um pacote de bastões de massa de modelar organizados em uma fileira perfeita, agora é um monte de massa sem forma nem cor determinadas, e lá está você, não sabe quem é e nem o que está sentindo, porque são coisas demais para organizar em gavetas.

(Spoiler) Isso também vai passar. Não se martirize emocionalmente só porque você já se submeteu a algo parecido. Só porque alguém te fez de massinha de modelar, não significa que você seja realmente comparável a uma.

Você só se descuidou por um momento e fica aí o aprendizado.

A automutilação emocional vai embora quando você entende que há HONRA NA VULNERABILIDADE

O que minha amiga ainda não sabia, é que existe honra na vulnerabilidade, existe algo maior e mais importante na arte de meter o pé na jaca.

Não adianta se agarrar a essa faca cega que é se machucar o tempo todo, se esforçar tanto para se machucar com coisas das quais você – ainda – não tinha o controle, conhecimento ou maturidade na época.

Quando você diz “eu não deveria ter feito isso”, “eu me sinto uma idiota por ter agido assim” ou “como fui tão inocente em acreditar que isso era realmente para mim?”

Na verdade esse é o sinal de que aquela pessoa que se submeteu a tão pouco já não existe mais, um pouquinho dela ficou lá atrás e o seu novo eu – aquele pedaço novo que substitui todos os caquinhos – está olhando para seu antigo eu e dizendo que isso não irá acontecer novamente.

Ressignificar os nossos pensamentos é melhor que deixá-los nos machucar com a tal da automutilação emocional.

Minha amiga voltou a tomar meu chá de camomila um ano depois, mas dessa vez era por um motivo diferente, um sentimento diferente e uma jaca diferente, e tudo bem.

Imagem: Unsplash

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