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Desde que nasci eu tenho uma melhor amiga. Mas nem sempre nossa relação foi boa como ela é hoje, já que eu não escolhi essa amizade. Mesmo assim, fui forçada a tê-la comigo em todos os momentos da minha vida, até hoje. Essa amiga veio como herança da família do meu pai, praticamente todos eles tinham um amigo como a Belly.

Quando eu era uma criança, eu não ligava muito para o significado dela. Ela só existia ali comigo naturalmente, a gente vivia brincando, rindo de tudo, dançava o tempo inteiro e morreria de cócegas dos meus pais. Mas as coisas começaram a mudar quando entramos em uma escolinha nova, lá na primeira série.

Na escola nova quase todas as crianças tiravam sarro da Belly. Ela não era aceita de jeito nenhum. Os garotos diziam que ela era feia. As meninas que ela não precisava estar ali e que “a mamãe disse que é difícil mas dá pra se livrar dela”. Eu nunca tive nada contra a Belly, mas aquele primeiro contato com crianças além dos meus primos que sempre estiveram ok com ela, começou a me deixar em dúvida. Então comecei a tentar ignorar minha melhor amiga.

Mas não foi fácil, ela não queria me deixar em paz!

Os anos foram passando, eu detestando cada vez mais a presença dela, ignorando, fazendo diversas loucuras para ela sair da minha vida e nada. Por sorte eu tinha amigos que várias vezes a abraçou também. E isso foi o suficiente para eu começar a aturar ela de alguma forma ao meu lado.

Passado o Ensino Fundamental e lá chegamos no Ensino Médio. Hoje eu me arrependo de tudo o que eu fiz com Belly, aquela época foi a que mais a maltratei. Para variar, os garotos continuavam a tirar sarro dela. De uma vez por todas tentei me livrar dela. Comecei a machucá-la, a fiz passar fome, deixei de levá-la para sair, para encontrar os amigos. Ela não dançava mais, não ria mais e foi ficando cada vez menor: por tristeza e por dor. Chegou uma época que eu consegui ficar distante dela mas aí eu já não era a mesma.

Junto com a minha melhor amiga foi minha saúde física e mental, foi meu desejo de viver e de querer estar perto dos meus amigos. Embora muita gente dissesse que eu estava melhor sem ela, eu não me sentia assim. Eu me sentia doente.

Hoje a Belly está de volta! Eu a amo, sou grata por tudo o que passamos juntas e cada uma das situações me ensinou a enxergar nossa amizade e nosso companheirismo. Esse nome (piadinha com a tradução para inglês) é o apelido que dei a minha querida pancinha. Para minhas gorduras e toda minha gostosura. Aceitei de uma vez por todas sua companhia e nunca foi tão gostoso estarmos juntas. Aprendi que se ninguém gostar dela, é uma pena. Somos um pacote completo e está tudo bem sermos assim juntinhas. Se um dia ela quiser ir, que seja por vontade dela.

Imagem: Pexels

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