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Quando o esgotamento físico e mental chega a patamares desconfortáveis, é preciso de muito cuidado pode ser Síndrome de Burnout. Leia mais sobre isso aqui.

Todas nós temos o direito de ter um trabalho enriquecedor e animado, ao invés de uma ocupação que gere estresse. No entanto, é impressionante como o ambiente de trabalho por vezes oprime e deixa muita gente doente. Na Vittude, temos picos de acesso aos domingos e segundas, boa parte desses acessos são de pessoas insatisfeitas com seu atual momento no trabalho. Elas procuram por materiais que falem sobre estresse, procuram psicólogo ou coach para orientá-los sobre que caminho seguir em relação à carreira.

Gerentes e funcionários em organizações de todo o mundo compram uma suposição de que o pagamento e outras recompensas contratadas são tudo o que devemos esperar do nosso trabalho (e tudo o que devemos aos nossos funcionários).

Prega-se também que não é realista esperar por benefícios menos tangíveis como a confiança, respeito, autonomia e a oportunidade de ter um impacto positivo sobre os outros. Esta visão empobrecida do trabalho se desenrola nas atitudes e comportamentos no local de trabalho que levam os funcionários à conhecida Síndrome de Burnout. Também prende pessoas em empregos que prejudicam o bem-estar e o senso compaixão por si próprio.

Burnout: o esgotamento profissional

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Quando as condições e demandas encontradas no trabalho – como carga de trabalho, nível de autonomia e normas de comportamento interpessoal – excedem a capacidade do sujeito de lidar com elas, surge o risco do esgotamento profissional.

O Burnout tem três componentes: exaustão (energia perdida), cinismo (entusiasmo perdido) e ineficácia (perda de autoconfiança e capacidade de execução).

Percebam que não é preciso experimentar os três para sofrer graves consequências. Quando não acreditamos nas atividades principais que estamos realizando, quando não confiamos na liderança e tampouco concordamos com a cultura de organização, é provável que já estejamos demotivadas e nos sentindo desmoralizadas, mesmo que ainda tenhamos bom desempenho no trabalho.

O trabalho como fonte de estresse

Pesquisas apontam que o trabalho e fatores organizacionais contribuem para o estresse e adoecimento, pelo menos, na mesma proporção que fatores pessoais.

As pessoas mais propensas a chegar ao Burnout experimentam condições como cargas de trabalho irrealisticamente altas, baixos níveis de controle de trabalho, bullying, aborrecimentos administrativos, assédio moral, baixo apoio social, falta de recursos organizacionais, líderes estressados e comportamentos de liderança negativos.

Organizações com burnout fora de controle são como centros de surtos de doenças infecciosas. Muitas pessoas exibem sintomas de estresse crônico. Seus efeitos reverberam em todo o sistema de relacionamentos dos funcionários, tanto dentro como fora do local de trabalho.

Ambientes organizacionais doentes

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Infelizmente, em contraste com as respostas médicas sistêmicas que diminuem as epidemias, os vetores de Burnout organizacional muitas vezes não são controlados. Vemos que as empresas estão doentes, o ambiente organizacional cada vez mais nocivo. O número de afastamentos em função de estresse, ansiedade e depressão não param de crescer. Enquanto isso, percebemos poucas organizações preocupadas com a qualidade de vida da sua equipe. Na maioria dos casos, o que se vê de RHs e Médicos do trabalho é que a responsabilidade de buscar ajuda é do funcionários e não da empresa que cultiva um ambiente organizacional pouco saudável.

Deixar o trabalho pode ser a melhor saída

Portanto, pode haver um momento em que deixar o trabalho ou a organização seja a melhor ação possível em resposta ao Burnout. Eu passei por crises de ansiedade e estresse em algumas empresas que trabalhei. Na minha última, cheguei a parar 2 vezes no hospital com fortes dores no estômago e evidenciando alguns sintomas de depressão.

Em 2015 decidi abandonar o mundo corporativo e empreender. E uma das coisas que reflito hoje é que não posso permitir que a minha empresa seja igual as que eu trabalhei. Preciso cultivar um ambiente saudável, agradável e uma cultura onde todos se sintam valorizados. Em nosso escritório podemos levar animais de estimação, as pessoas têm a liberdade de fazer home office e definir seu próprio horário de trabalho. Todo mundo participa de reuniões e contribui com ideias para o desenvolvimento do negócio. Com maior engajamento, evitamos o esgotamento profissional. Há estresse, com certeza sim. Dificilmente ficaremos livres dele, ainda mais nos tempos atuais, com tantos estímulos e redes sociais. Mas, trabalhamos de forma a gerenciá-lo para uma vida mais equilibrada.

Quando é a hora certa de pedir demissão?

Vocês podem questionar, Tatiana, como você saber que é a hora de pedir demissão? Eu respondo que a melhor forma de saber é através do autoconhecimento e da reflexão. Cada uma sabe o momento em que não dá mais.

Reflita sobre os seguintes pontos:

1. Seu trabalho ou empregador permite que você seja a melhor versão de você?

Um trabalho sustentável aproveita seus pontos fortes e a ajuda você a ter melhor performance. Umas das experiências mais comuns que meus clientes de coaching relatam é ter que trabalhar em condições que restringem seu desempenho a um nível bem abaixo do seu potencial – por exemplo, carga de trabalho esmagadora, objetivos conflitantes, expectativas pouco claras, recursos inadequados, chefes tóxicos e falta de suporte gerencial.

As barreiras persistentes ao bom desempenho frustram nossa necessidade humana de valorização e reconhecimento. Além disso, quando estamos esgotadas, perdemos a motivação e fazemos menos do que faríamos em condições mais favoráveis ​​para o bom desempenho e engajamento. À medida que o estresse progride, a motivação despenca e temos menos para oferecer para nossas organizações. A Síndrome de Burnout é como um relacionamento que não vai bem: quando a relação de trabalho não é benéfica para nenhuma das partes, e as perspectivas de revitalização são nebulosas, pode ser hora de partir.

2. Seu emprego ou empresa está alinhada com seus valores e interesses?

Quando experimentamos um senso de conexão entre nossos valores e os interesses, valores e necessidades da organização, é mais provável encontrar significado e propósito no trabalho. Quando o ajuste é ruim, por outro lado, provavelmente não receberemos o suporte que precisamos para executar bem uma determinada tarefa.

O sucesso profissional sofre. Os valores do organização são revelados pelo comportamento gerencial e pelas práticas de tomada de decisão. Quando elas entram em confronto com os principais compromissos com a autenticidade, autonomia, fazer uma diferença positiva e facilitar a prosperidade no trabalho, vem o desânimo e o sentimento de incompatibilidade.

Às vezes, buscar um solo fértil em outro lugar é melhor do que tentar fazer florescer um jardim no deserto.

3. Qual é sua visão de futuro em seu trabalho ou empresa?

Você consegue se ver na posição do seu chefe ou da alta gestão da sua empresa? Eles proporcionam uma visão esperançosa de futuro? Você gostaria de fazer o que eles ou elas fazem? Gostaria de ter a vida que eles têm? A possibilidade de viver a realidade de alguns dos superiores muitas vezes era mais desmotivador que animador. Considerando alguns colegas seniores praticamente não tinham vida pessoal, não viam os filhos crescerem, freqüentemente ficavam doentes, e consistentemente estavam estressados e super pessimistas. Acredito que ninguém, em sã consciência, não quer acabar assim.

4. Qual é o custo do seu estresse?

O excesso de estresse pode ter um impacto significativo em nossa saúde, desempenho, perspectivas de carreira, bem-estar psicológico e relacionamentos. As emoções negativas que levamos para casa podem prejudicar os  relacionamentos matrimoniais e familiares, bem como a tranquilidade e autoestima.

Se você não tem certeza sobre o impacto que o burnout pode ter sobre você, tente perguntar ao seu parceiro, familiares e amigos íntimos para sua perspectiva.

Prepare-se para a mudança

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Talvez não seja possível demitir-se hoje. Mas talvez hoje seja o momento para começar a estabelecer algumas bases:

  • Faça economias extras;
  • Atualize seu currículo, inclusive no Linkedin;
  • Mantenha sua rede de contatos em dia;
  • Comente com amigos e pessoas de confiança da sua rede que você está vislumbrando novos desafios;
  • Contrate um coach de carreira;
  • Inscreva-se em um curso de atualização.

A viagem de volta ao propósito e felicidade começa com ações como essas. No meu caso, fiz economias ao longo de alguns anos. Quando decidi empreender, tinha uma reserva financeira para ficar cerca de 18 meses sem salário. Participei de encontros, meetups, workshops e eventos na área de empreendedorismo.

Além disso, fiz duas formações em coaching e comecei a atender alguns primeiros clientes. Atualmente existem vários cursos online, gratuitos, excelentes. Eu gosto muito da plataforma EDX, atualmente estou participação de uma formação em ciência da felicidade pela Universidade de Berkley, na Califórnia. 

Se você tem se sentido desmotivada, estressada e esgotada emocionalmente, pare um pouco e reflita. Avalie se este é o seu momento de repensar sua carreira e mesmo de trocar seu atual emprego por um novo, onde você sinta-se melhor e mais feliz. 

Imagem: Deposit Photos

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