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Espiga de milho, “assolam”, “Bombril”, arame farpado, esses e outros apelidos a perseguiam e foi assim no ensino primário, no ensino fundamental, no médio… A verdade é que as pessoas tinham encrencado mesmo com o cabelo dela e por quê?

Os anos se passaram e de uma coisa ela tinha certeza: aquele cabelo crespo ela não queria ter. Porque justamente ela teria tido o azar de nascer com um cabelo assim? Suas amigas todas tinham o cabelo liso, mas ela não. Ia vivendo, inconformada.

Amarrado, com tranças, de coque, de chapéu ou de boné, às vezes com “tiaras”, ela usaria tudo o que pudesse esconder ou amenizar a pressão que era ter um cabelo “diferente”. Diferente por quê? Diferente pra quem?

Em 2009, suas amigas viraram “emo”. Ela também queria ser “emo”, era moda e, além do mais, ela estava engajada naquele movimento, mas como assim uma “emo” de cabelo ruim? Tinha uma saída: lá foi ela alisar a franja, queimou muito cabelo pra ver se ficava ao menos parecido com liso, talvez as pessoas nem percebessem.

Bom, o que importava é que agora ela poderia ser aceita pela sociedade e também pelo movimento “emo”, até porque, “vocês não estão vendo, minha franja é lisa?”. 16 anos, ela tinha apenas 16 anos e estava completamente imersa ao que desde a infância foi lhe dito que era bonito e o que era certo.

Ufa. Aos 18 anos começaria a trabalhar e então poderia pagar por uma escova progressiva, não faltava mais tanto tempo. Progressiva? Melhor não, quem sabe uma escova definitiva que não teria perigo de voltar a ser como era.

O tempo passou, seu namorado questionou: “Amor, porque você não alisa o cabelo?” Seria aquilo amor?

Uma vez ou outra, em casa, soltava os cabelos, mas quando chegavam outras pessoas já amarrava, para que não houvesse comentários. Uns diziam que seus cabelos eram lindos, outros diziam que sempre quiseram ter um cabelo daquele. Ela morria de vergonha. “Cachos comportados”, “cabelo armado e com frizz? anti sponge, sem frizz e com volume controlado”. “Relax”, “control”, “S.O.S”.

Se tinha uma coisa que ela tinha aprendido nesses apenas 18 anos de vida era que seu cabelo não estava dentro da normalidade, ele precisava de um relaxamento, precisava ser controlado, ele precisava de ajuda. Ela queria apenas ter um cabelo que passasse despercebido pelas pessoas, apenas isso, um cabelo comum, mas porque o seu cabelo também não era tratado como um cabelo comum?

PRECONCEITO. Demorou pra entender isso, estava tão mergulhada no que tinha sido enfiado goela abaixo desde sempre, num conceito de beleza que ela não podia fazer parte, que não tinha como perceber, apenas aceitava, tinha preconceito com ela mesma, sem saber.

Entendeu isso, libertou-se, soltou os cabelos, estava livre, estava nua de padrões, sentiu-se em paz consigo mesma, o seu “desajuste” na sociedade se tornava agora empoderamento, não podia deixar que outras meninas nascessem e se sentissem por anos como ela se sentiu, seu cabelo era uma ferramenta de luta. Ali estava ela, sendo ela pela primeira vez, ali nasceu um amor, ali se reconheceu e ali ela resiste.

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