Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

A conceituada jornalista Carrie Gracie (56) trabalhava na BBC há mais de 30 anos. Começou sua carreira no canal em 1987 como estagiária e, nesta segunda-feira (08), anunciou seu pedido de demissão como correspondente da China. O motivo? Discriminação salarial por gênero.

A jornalista chegou a publicar uma nota falando sobre sua demissão, onde afirmava: “Os dados mostram uma indefensável brecha salarial entre homens e mulheres que fazem o mesmo trabalho“. Ela se refere ao momento em que a BBC revelou os salários de alguns dos seus funcionários mais bem remunerados. A surpresa não poderia ser outra: o quadro comparativo de salário entre homens e mulheres apontava disparadamente um salário maior para homens que estavam desempenhando a mesma função que outras mulheres.

A BBC, por sua vez, negou as acusações e afirmou que não faz distinção de gênero por serviço.

Porque os homens ganham mais que as mulheres?

Com todo os argumentos obtidos, a única resposta plausível que podemos ter é que isso acontece devido a uma questão cultural. Desde o início dos tempo vivemos em uma sociedade machista e patriarcal por natureza, onde as ofertas de trabalho para mulheres é baseada num direcionamento das mulheres ao serviço do lar, enquanto os homens são responsáveis por serviços externos. Temos, daí então, uma breve explicação do maior número de vagas para homens.

No quadro da realidade de hoje, muitas vezes vemos mulheres capacitadas e aptas a assumirem grandes cargos e responsabilidades. Mais que isso, observamos as dificuldades que elas encontram, tanto no preconceito no âmbito de trabalho quanto na jornada dupla de cuidar dos serviços externos e dos de casa, forçando-as assim a desistirem da jornada.

Mas como explicar a existência dessa diferença salarial para homens e mulheres com mesma disponibilidade no mercado de trabalho?

Dados da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) apontam uma diferença salarial para homens e mulheres executando a mesma função em torno de 15% em média (dados colhidos até janeiro de 2017). Há mais ou menos uns 20 anos, era quase o dobro disso!

Mesmo com a inserção da mulher no mercado, e cada vez mais pela busca por capacitação, as mulheres ainda enfrentam resistência quanto a sua contratação. Elas têm sua capacidade de desempenho e competência colocadas em dúvida pelos empregadores que, muitas vezes, colocam a existência de filhos como caráter eliminatório. Afinal, eles acreditam que uma mulher com filhos não conseguem se dedicar ao trabalho e assumir responsabilidades domésticas ao mesmo tempo. E a mais absurda das justificativas: mulheres podem engravidar e isso gera custos e mau desempenho para a empresa.

Carrie Gracie

 

Setores específicos de contratação

Não é raro de se ver ofertas de empregos que facilmente podem ser executados por ambos os gêneros destinadas apenas aos homens. Limitando mais uma vez o campo de atuação para mulheres e diminuindo sua participação no mercado de trabalho. Se homens e mulheres são aptos a terem o mesmo nível de comprometimento e capacidade, por que essa divisão nas áreas de atuação? Por que a necessidade de haver vagas específicas para homens ou mulheres? O que impede uma mulher de desempenhar uma função “específica” de homem e vice-versa?

O caso de pedido de demissão de Carrie Gracie pode ajudar a formularmos tais respostas. Quando observamos as áreas em que há maior número de mulheres atuando, voltamos à mesma conclusão anterior sobre uma herança machista fortalecida na nossa sociedade. Ainda estamos presos no estigma de que a mulher foi feita para cuidar da casa e dos filhos. Portanto, as áreas que elas estão capacitadas são as mais próximas a isso, ao menos segundo essa lógica absurda.

O que pode justificar uma diferença salarial?

Lembrando que há diversas formas de haver uma diferença salarial, baseada em tempo de função, desempenho, atividades realizadas, cargos e afins. Uma pessoa que trabalha há 5 anos desempenhando uma função certamente não irá ganhar o mesmo salário de uma pessoa que começou agora, por exemplo, independente de ser homem ou mulher.

A problemática da desigualdade salarial se dá a partir do momento em que duas pessoas, desempenhando a mesma função, com o mesmo empenho e qualificação, recebem salários diferentes. Isso é ilegal. No entanto, há diversas formas de se qualificar o serviço e o perfil do empregado, por isso é difícil estabelecer quando começa e quando termina a desigualdade salarial.

No site da Nexo você pode fazer uma estimativa comparativa do seu salário com base nos índices de outros estados e/outros cargos, dentre outros. Vale a pena dar uma olhada.

Em 2018 ainda estamos na luta para resistir e ocupar novos espaços no mercado de trabalho. Espaços esses que são nossos por direito e temos total capacidade de atuar, executando com total maestria seja qual for a função.

Num mercado de trabalho totalmente machista, devemos unir forças e procurar cada vez mais no aprimorarmos, especializarmos e não pararmos nunca de buscar crescimento. Afinal, quem sabe um dia, sendo muito otimista, não precisemos chegar ao ponto de decidirmos nos demitir por injustiças salariais, assim como Carrie Gracie o fez, e o mercado de trabalho consiga nos dar um espaço que é nosso por direito?

Carrie Gracie

via Pinterest

Imagem: Reprodução


E o que vocês responderiam a essa pergunta aqui abaixo, feita por uma de nossas usuárias do Clube Superela?

@ load more