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O que você procura?

Todo mundo sabe que a maior causa de brigas e separações entre casais hoje está nos meios digitais, mais precisamente em redes sociais e Whatsapp.

E, ao meu ver, essa questão tende a ser mais incontrolável do que o respeito ao direito de imagem alheio na internet. Em outras palavras, não conseguiremos controlar completamente os registros em fotos postados por ai sem autorização de imagem como também não será possível acabar completamente com as tentações digitais. Se elas existem fora dos meios virtuais, por que não acontecerem na internet que é aparentemente mais simples?

Você sabe por que?

Porque conhecer pessoas nas redes, conversar, dar papo, jogar um certo charme, ou mesmo flertar é algo, para muitos, inocente (dentro do limite de inocência que podemos aceitar), sem pretensões futuras, sexuais ou amorosas. É um passatempo fácil e gostoso que pode ter um efeito terapêutico até – massageia o ego muitas vezes arranhado, dá um levante na autoestima, te valoriza te deixando mais feliz, o que pode fazer bem à sua saúde física e mental.

É tão fácil que pode acontecer a qualquer hora – no meio do seu expediente, na hora de dormir ou por conta de uma hashtag ou check-in. Não é preciso procurar em aplicativos de paqueras ou em redes sociais: mesmo passiva, um flerte pode “cair no seu colo” via celular.

Claro que para muitos não há inocência. Para o parceiro que de alguma forma “dá qualquer flagrante” e na maioria das vezes fora de contexto, pode parecer deslealdade ou traição.
Essa coisa de mensagens pegas pelo seu parceiro dá tanta confusão que na maioria das vezes leva ao rompimento e à separação definitiva dos casais.

O primeiro ponto a se considerar é se quem está ali trocando mensagens e jogando um certo charme, está fazendo isso porque se cansou de seu relacionamento ou porque está com problemas de cunho íntimo ou conjugais. Se for isso, é importante se ter lealdade e transparência e deixar seu parceiro sabendo que as coisas não vão bem na sua cabeça.

Mas nem sempre o motivo é crise, desinteresse ou falta de amor. Esse assédio desimportante me parece que se tornou uma atividade meio gamificada de quem passa tempo online. É uma espécie de Farmville do Facebook pra muitos: diverte, passa o tempo, mantém a eterna juventude e, no frigir dos ovos, não quer dizer absolutamente nada em termos de afeto, mudança de vida, ou mudança de parceiro.

Mas então por que causar tantos estragos entre os casais?

Talvez falte pra nós todos o entendimento de que essa é a abertura de relacionamento inevitável dos novos tempos – não troca fluidos, não transmite IST e nem inclui encontros em bares ou hotéis. São tempos líquidos de menos saídas de casa e mais séries da Netflix, sobretudo de total falta de controle sobre as 24h do parceiro. É muito fácil viver uma vida paralela e lúdica pelo celular.

Não estou aqui fazendo apologia a traição digital. Jamais! O exercício da empatia nos ajuda a entender o que o outro sente e a cuidar do que falamos e fazemos para não magoar quem gostamos. Tudo o que o parceiro não tem conhecimento pode ser somente uma questão de privacidade, mas também pode significar traição. O julgamento da dosagem de um e de outro cabe somente aos envolvidos, aos casais.

E volto a dizer algo que já disse antes na rádio, blogs e jornais por aí: mais do que nunca é fundamental funcionarmos em sociedade com confiança e isso incluir ter caráter para ter credibilidade.
Em tempos de muita exposição digital, é fundamental confiar que o outro não vai expor você, nem ficar com você gostando de outro: isso é ou deveria ser a base de qualquer relação. As novas gerações que estão por vir possivelmente saberão lidar melhor com a realidade do flerte digital, separando o joio do trigo e a traição do jogo de charme online.

Quanto aos casais de hoje, que possam entender isso o quanto antes, sofrer menos e construir a relação numa nova base – mais contemporânea, aberta e ao mesmo tempo, mais transparente e sólida, ensejando uma confiança jamais vista nos relacionamentos de nossos avós.

Imagem: Stocksnap

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