Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Quem viu a nova música de Claudia Leitte, Lacradora, deve ter percebido que a internet não ficou assim tão feliz. Isso porque a música, além de usar gírias LGBTQ+ que, segundo os internautas, já estão velhas, também reforça uma ideia de rivalidade entre mulheres.

Um dos versos da música diz: “Copo na mão e as inimigas no chão”. Longe da gente dizer que Claudia Leitte está errada ou julgar as suas escolhas de letras musicais, porém, o verso – que inclusive faz alusão à icônica Beijinho no Ombro, de Valesca Popozuda – fala sobre mulheres que são inimigas, ou seja, que são rivais entre si.

A cantora Pitty, inclusive, fez uma postagem no Twitter que falava sobre isso – sobre rivalidade e não sobre a música de Claudia Leitte. Na mensagem, ela dizia: “’Hino feminista’ que ataca outras mulheres e estimula a competição com esse papo de ‘recalcadas e invejosas’, para mim não é feminista nem aqui nem na Rússia”.

Muita gente assumiu que a mensagem da roqueira era uma crítica à cantora – o que só comprovou ainda mais como o clima de rivalidade feminina está em todos os lugares. “Era uma reflexão e agora eu vi que estão achando e direcionando para uma pessoa específica e criando o quê? Treta com outra mulher. Já apaguei. Não vai rolar”, escreveu ela, mais tarde, também no Twitter.

Claudia Leitte e a rivalidade que persiste na música

O que Pitty falou não poderia ser mais verdade. Existe uma pré-disposição das pessoas para criticar mulheres e colocá-las uma contra as outras, tentando descobrir quem é melhor e quem é pior. Algumas delas são famosas por serem recorrentes nesse papel: Claudia Leitte é uma, Taylor Swift é outra.

Todo o rolo de Taylor com Katy Perry nada mais é do que um grande espetáculo de rivalidade, em que uma tentava mostrar que era melhor do que a outra, e os seus fãs escolhiam lados e brigavam entre si para definir de quem seria o primeiro lugar – porque, obviamente, ele não pode ser ocupado pelas duas ao mesmo tempo.

Não é só na música que essa rivalidade existe, claro. Ela está em todos os lugares. No ramo musical, ela só fica mais escancarada. O que existe por trás das ‘inimigas’ é uma mentalidade que diz que uma mulher precisa se sobrepor às demais para provar a sua importância. Ela precisa ser a melhor, a mais bonita, a mais ‘lacradora’.

Uma mulher precisa ser melhor do que as demais para provar a sua importância no contexto. Historicamente, aprendemos que os homens são o ‘grande prêmio’. Para ter uma vida estável e trazer honra para a família, elas precisavam casar com um bom pretendente – um homem com boa posição social, que tivesse dinheiro e influência no meio. Essa era a meta. Por isso, as mulheres competiam entre si para conseguir a atenção do mais cobiçado da cidade, elas aprendiam habilidades diferentes e se esforçavam para serem realizadas.

Em Orgulho Preconceito, isso fica bastante claro. Elizabeth Bennet vem de uma família grande e humilde, sem as mesmas oportunidades que as mulheres da cidade. Ela, o tempo todo, é questionada sobre suas habilidades: se sabe desenhar, falar outras línguas, tocar piano… Ela precisa mostrar que é uma mulher digna da atenção do Sr. Darcy o tempo inteiro. Tanto que a tia dele, Lady Catherine de Bourgh, vai à sua casa no meio da noite para dizer que não autoriza um noivado entre os dois com medo de ‘a história de Pemberley ser poluída dessa maneira’.

Em 2017, a luta pela igualdade de direitos ganhou força e essa crença de rivalidade entre as mulheres começou a ser quebrada: nós estamos percebendo que, de verdade, somos mais fortes juntas, e que não precisamos lutar umas contra às outras pela atenção de um homem – ou de qualquer outra pessoa. Podemos nos apoiar e incentivar sem medo de perdermos espaço na sociedade ou, pior ainda, de sermos esquecidas e excluídas desse meio só porque não somos importantes, segundo uma visão machista.

No fim das contas, todas queremos ser amadas e reconhecidas pela nossa importância. E isso pode, mesmo, acontecer, desde que lembremos de que não precisamos competir umas contras as outras por atenção.

Foto de capa: Reprodução / Twitter

@ load more