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Você com certeza teve um amigo de descendência oriental na escola que era chamado de ‘japa’ pelos outros. Em um país tão vasto e miscigenado como o Brasil, é normal que existam pessoas de todas as raças e credos, mas é uma mentira achar que não existe racismo (como a gente já falou muito por aqui) ou que esse racismo acontece exclusivamente com a população negra.

Por terem traços físicos bastante marcantes (entenda: os olhos mais alongados), é muito comum os descendentes de orientais receberem apelidos e ouvirem comentários relacionados à sua aparência física – e totalmente ligados a raça –, e que consistem em atos de racismo. Podem ser coisas pequenas como uma brincadeira sobre ‘abrir o olho’ ou então uma piada (sem graça) sobre o órgão genital masculino, mas os asiáticos sofrem, sim, muito preconceito no Brasil.

Se você quer entender melhor como isso funciona por aqui – e como mudar esse comportamento – continue lendo as frases abaixo:

1.”Mas você é japonês, coreano ou chinês?”

Repita comigo: BRASILEIRO(A). Se uma pessoa nasceu no Brasil, ela obviamente é brasileira. Quando você pergunta para um descendente oriental de qual nacionalidade ele é, você desmerece o fato de que ele nasceu e cresceu por aqui. É como se ele ainda fosse visto como um estrangeiro, como alguém ‘de fora’. Ele não é incluído. Como essas três nacionalidades citadas acima tem um traço físico muito característico, assumimos imediatamente que essas pessoas ‘não são brasileiras’, mesmo nascendo aqui.

2.”E aí, japa!”

Ao chamar uma pessoa de ‘japa’, de ‘coreia’ ou de ‘chinês’ por conta dos seus traços físicos, você ignora que ela tem um nome e uma identidade próprias. Você joga nela toda uma carga cultural da qual ela não necessariamente faz parte e generaliza a sua vivência. Ela deixa de ser uma pessoa para ser uma representante de toda uma cultura. A pessoa pode ter descendência japonesa, mas nunca ter contato com o Japão, por exemplo.

3.”Abre o olho, japonês”

Aqui, o ponto é mais ou menos o mesmo que os demais. Sim, japoneses, coreanos e chineses tem um olho com formato diferente, ‘puxado’, mas isso não significa que o olho dele é ‘errado’ e o seu é certo. Dizemos que os orientais precisam ‘abrir o olho’ porque assumimos que eles não enxergam bem por conta do formato do olho. Isso obviamente não é verdade, e implica que existe alguma coisa errada com a fisionomia dessas pessoas, que elas são diferentes e precisam se adaptar ao que a  gente considera certo. Essa (má) influência ocidental é tão forte, que o desejo de muitas dessas pessoas é ter um olho no estilo ocidental – e muitos recorrem à cirurgia plástica para conseguir isso.

4.”Asiático é tudo igual”

Generalização nunca é bom e dizer que ‘asiático é tudo igual’ anula as individualidades de cada pessoa por conta de um traço físico comum. É uma questão de ter interesse pelas pessoas. Em um primeiro momento, um grupo de pessoas brancas de classe média podem parecer tão ‘iguais’ quanto um grupo de asiáticos. Cada etnia e cultura tem os seus traços específicos (os chineses, por exemplo, costumam ter sobrancelhas mais grossas e o rosto um pouco mais arredondado) e cada pessoa tem características únicas também.

Vale lembrar que a Ásia é um continente enorme, com mais de 40 países (incluindo a Rússia e a Índia). Ou seja, falar que todos os orientais tem a mesma cara é a mesma coisa que ignorar todas essas pessoas que não têm os traços comuns aos japoneses, chineses e coreanos.

5.”Você sabe falar alguma coisa em japonês?”

Por que assumimos que só que uma pessoa tem ascendência japonesa, ela sabe tudo sobre a cultura e sua língua? Não tem sentido nenhum isso. É a mesma coisa que falar que todo brasileiro sabe sambar, gosta de feijoada e ama futebol.

6.”Você só come com palitinhos?”

Dispensa muitos comentários, né? Uma pessoa de descendência oriental sabe usar um garfo e faca tão bem quanto você e com certeza tem esse talhares em casa. E, mesmo se não tiver, isso não tem nada a ver com você. O fato de alguém ser descendente de japoneses ou chineses não significa que ele é obrigado a comer com hashis ou que não sabe a utilidade de um garfo.

7.”Japonês tem o pinto pequeno”

A obsessão com órgão genital masculino dos orientais é algo difícil de entender. Por algum motivo essa é uma daquelas coisas que ninguém sabe de onde surgiu, mas todo mundo faz questão de continuar reforçando. Além de ser muito mal-educado falar sobre a genitália de alguém, é diminuir uma pessoa e a sua importância por conta de um detalhe. É generalizar e ofender diretamente alguém por conta de um dito popular que ninguém sabe de onde (ou porque) surgiu.

8.”Você manja muito de matemática, né?”

No Ocidente, os orientais – em especial japoneses, coreanos e chineses – são conhecidos pela inteligência. Isso porque o ensino nesses países é diferente e mais rígido do que no Brasil. O que, obviamente, não implica que todo oriental é incrível nos estudos, ama matemática e vai responder as suas perguntas sobre raiz quadrada de cabeça só para te divertir (ou ainda para completar a sua lição de casa). Quando falamos de brasileiros de descendência oriental, então, esses comentários ficam ainda mais absurdos: a pessoa não teve nenhum contato com o nível de ensino desses países e não é obrigado a gostar da matéria ou ir bem nela só por causa da sua fisionomia.

9.”Pastel de ‘flango’”

Como não só a língua, mas o alfabeto, de países como China, Coréia e Japão são muito diferentes do que estamos acostumados – assim como é na Tailândia e na Rússia – é mais do que normal que estrangeiros que venham para o Brasil tenham dificuldades de pronúncia. São fonemas diferentes, muitos verbos com conjugações variadas e uma outra entonação. É um erro, porém, achar que todo oriental não sabe falar o ‘R’ e o substitui pelo ‘L’: essa é uma dificuldade particular dos chineses. Ainda assim, não é educado – e muito racista – você soltar uma piada dessas para os orientais. É como um americano fazer o pouco caso o tempo inteiro do sotaque de um brasileiro falando inglês.

10.”Você só namora orientais, né?”

As sociedades do extremo oriente são bastante fechadas e mesmo lá dentro existe um problema de xenofobia grande. Porém, como qualquer outra pessoa do mundo, os orientais são livres para namorarem quem quiserem. Eles não são obrigados a ficarem apenas com pessoas que tem os mesmos traços e ascendências que eles. É, mais uma vez, colocar uma barreira de diferenciação entre ‘nós’ e ‘eles’.

11.”Você come carne de cachorro?”

Vamos por partes: quer você seja vegetariana ou não, a questão da carne de cachorro é cultural milenar. No Brasil, essa nunca foi uma cultura instaurada, mas na China e na Coréia do Sul é comum. Neste último país, aliás, a carne de cachorro se firmou na dieta depois da Guerra, que terminou em 1953, e que deixou o país em um estado de fome muito grande. A carne de cachorro foi uma alternativa para a sobrevivência.

Hoje em dia muita coisa mudou e essa oferta não é mais tão comum assim na Coréia – as novas gerações foram criadas vendo os cães como animais de estimação, assim como no Ocidente, e ninguém mais fala abertamente sobre consumir esse tipo de carne – existem até protestos e trabalhos de ONGs pedindo pelo fim dessa cultura. Não estamos falando aqui se isso é certo ou errado, apenas que é bizarro assumir que todo oriental come carne de cachorro e que isso é errado – ainda mais se ele é apenas um descendente, que nasceu e cresceu no Brasil.

Imagem: Reprodução / Weighlifting Fairy Kim Book Joo


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