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O que você procura?

Comida de verdade para mulheres de verdade, como assim?

Esse é um post especial para as mulheres que andam exaustas de certo tipo de pressão contemporânea relacionada à alimentação. Outro dia, estava na sala de espera de um consultório médico e acabei ouvindo uma conversa muito elucidativa sobre esse tema.

Duas mulheres conversando sobre o que andavam a comer. Uma delas aparentou pouco mais de 30 anos e, a outra, lá pela casa dos 40. O que me chamou a atenção não foi propriamente a menção de determinados ingredientes, em sua maioria, absolutamente desconhecidos para mim. O curioso era como se metiam a defender os benefícios de cada um deles. Senti-me ignorante e, portanto, ainda mais curiosa. E para minha sorte ou desespero, o papo rendeu, já que a médica estava atrasada.

Eu aprendi algumas coisas, como por exemplo, o que comer antes de malhar, depois de malhar e enquanto malhar. Descobri, também, que com alimentos termogênicos posso emagrecer  horrores!

Ouvi sobre substituições de toda ordem: para glúten, lactose e proteínas. Eu – certamente – não sou uma especialista na matéria, mas sempre procurei me alimentar bem e de modo saudável. Faço atividade física regularmente, tento evitar refinados, industrializados e toda a bomba de agrotóxicos espalhados por aí. Ok. Acho importante. Acredito. É digno.

Mas vem cá, o que aconteceu com a comida de verdade?

Explico-me. Enquanto as moças conversavam elas repetiam, vez ou outra, “estou tentando aprender a gostar, porque faz bem né?”, “Não sou fã de quinoa, mas aí coloco num suco, faço uma misturada e engulo de uma vezada só″.

Ambas assumiram que não eram alérgicas ou que estavam com algum problema de saúde. Concluí: masoquismo mesmo, então, é isso? O fato de elas serem magras não importa, porque essa obsessão já vem sendo cristalizada no imaginário feminino, infelizmente. Quanto mais magra, melhor.

Mas carambolas, e o prazer de comer?

Porque, honestamente, sobre isso elas não falaram. Não houve sequer um comentário como: “A quiche de couve-flor com brócolis ficou deliciosa, de lamber os dedos”. Tivesse eu escutado algo parecido, teria relaxado. Tinha morrido a nota. Mas não me contive e comecei a puxar assunto contando que era dona de um site de culinária e papo vai, papo vem…

Perguntei de cara: mas o que vocês realmente gostam de comer? Elas titubearam e seguiram firmes no propósito de me convencer que tapioca recheada com muçarela de búfala com manjericão e tomate era o must. De fato, muito saborosa. Eu gosto bem.

Na sequência, as duas ficaram em silêncio e, sem seguida, a mais velha delas suspirou concluindo “mas nada se compara a um empadão de frango. Só de pensar me dá água na boca”, bingo!

Enfim, a comida de verdade.

Achei graça e saí dali com uma vontade danada de fazer um post em homenagem à moça do empadão a quem, carinhosamente, apelidei de Ana.

Não por acaso a resposta da Ana veio como uma bala. O empadão de frango é, de fato, uma das receitas mais procuradas na internet. Embora haja uma quantidade infinita de tipos de recheio, o frango está no topo das preferências.

Empadão de frango a gente encontra em quase todos os lugares: almoços de família, lanchonetes de bairro, restaurantes finos ou populares. Reza a lenda que veio na frota de Cabral e quando chegou ao Brasil assumiu contornos diferenciados, ainda que o básico tenha sido preservado: massa recheada com alguma carne. Há quem goste de massa fina e crocante e os que curtem uma maçaroca com gosto de manteiga. Gosto não se discute.

Mas sugestões são sempre bem vindas e o Receitinhas tem uma de tirar o fôlego de tão deliciosa! Além disso, nossa receita dá algumas dicas de como desfiar o frango e cobrir a parte de cima do empadão com a massa, de modo prático e criativo. Esse empadão é feito de massa podre, uma massa bem delicada que pode ser feita sem grande esforço. Com manteiga, ela fica ainda mais delicada, mas funciona bem com margarina. Quanto ao sal na massa, o ideal é usar pouco ou somente o sal da manteiga, por conta da combinação com os outros temperos do recheio. Assim, você não arrisca e garante um balanço suave com a massa. E, claro, as substituições de ingredientes para quem possui restrição alimentar ou qualquer coisa que o valha vai depender da imaginação e da necessidade de quem for colocar a mão na massa.

Confira nossa receita de empadão de frango e tire suas próprias conclusões!

Espero que um dia a Ana leia esse texto e que se anime a fazer essa receita. Assim como ela, há muitas mulheres por aí com desejos ceifados por uma ideia totalizante da busca pela estética e saúde perfeitas. É legítimo querer se sentir bonita e saudável. No entanto, o que não vem sendo considerado – ao que me parece – é o prazer. Prazer puro e simples. De fechar os olhos para apreciar o último pedaço e curtir cada milésimo de segundo até o arremate final. De sentar despretensiosamente num café sem se importar muito se ali terá opção de proteína. Comer um pastel no meio da tarde e caminhar sem culpa é para poucos, minhas caras. Uma pena.

Honestamente, as pessoas são livres para comer. Bem, mal, pouco ou muito. Mas por favor, Ana, não aprenda a gostar disto ou daquilo, unicamente, porque faz bem. Sentir alegria ao comer o que se gosta – ainda que com cautela – seguramente faz bem à saúde. Sentimos isso, mesmo sem corroboração científica. Comida de verdade é comida da alma. É aquela que já no aroma chega acolhendo e quando acaba não deixa marcas de uma culpa incontornável. É mais uma experiência de prazer e alento.

Para todas as Anas, um empadão, com amor.

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