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O que você procura?

Se você usou a internet nos últimos dias ou se informou por algum veículo de comunicação, é provável que tenha se deparado com um montão de notícia ruim. Já tivemos tragédia em Brumadinho, incêndio no CT do Flamengo, morte do jornalista Ricardo Boechat… Enfim, 2019 mal começou, mas seus primeiros meses não têm sido fáceis.  A grande questão é que independente do que aconteça “do lado de fora”, nossa vida segue. As contas precisam ser pagas, os trabalhos precisam ser entregues, os prazos expiram. Mas, afinal, como viver o cotidiano sem deixar com que esses fatores externos mexam muito com a saúde mental?

Como não se deixar abalar com tanta coisa rolando no Brasil?

O primeiro passo é entender porque tudo isso nos afeta tanto. A psicóloga Claudia Puntel diz que nos abalamos com essas situações por conta de um mecanismo chamado “trauma pelo horror”, que traz uma sensação de impotência diante do que você está vendo, e ainda ativa as memórias de núcleos traumáticos da sua própria história. Não é só a empatia que faz você se comover com essas situações, também existe uma projeção sua diante daquilo que você está vendo.

“Se uma uma pessoa, por exemplo, viveu um incêndio ou alguma situação semelhante, quando ela escuta a história do Flamengo, isso ativa aquela situação vivida, que pode estar em um lugar muito profundo. Vai existir o confronto do núcleo traumático projetado no lugar de fora”, explica Claudia.

Segundo a especialista, para conseguir manter a estabilidade emocional neste contexto, em primeiro lugar, é preciso entrar em contato com a sua realidade e a sua vida, entendendo que essa não é uma questão de egoísmo, mas sim, de buscar o seu próprio equilíbrio.

“Se você está se sentindo mal com essa quantidade de informação negativa, quanto mais você ficar vendo, mais você vai continuar ativando esse núcleo traumático dentro de você, sem estar fazendo um trabalho que ajude a restaurá-lo” explica ela.

E, quanto mais você estimula esse núcleo traumático, mais ele vai aumentando. Por isso, é importante, sim, parar de consumir tanto conteúdo se aquele assunto está te fazendo mal. Vivemos em uma era em que a informação é essencial, mas será que precisamos ler ou assistir diversos desdobramentos de um mesmo assunto, principalmente se aquilo nos traz infelicidade?

É claro que é difícil não sabe abalar, talvez até impossível — afinal, a empatia é algo que temos dentro da gente.

Saúde mental - 2

No entanto, é importante conseguir ter essa compaixão ao mesmo tempo em que você enxerga a diferença entre sua própria história, sua vida e suas escolhas.

“Ter empatia é se colocar no lugar do outro, mas retomar para a sua vida, trabalhar o conceito de autonomia. São escolhas diferentes, situações diferentes”, diz Claudia.

Então, nesse sentido, faz parte se sensibilizar, mas é preciso validar sua situação atual. Seja grato pelas boas que você tem e entre mesmo na sua vida e nos seus benefícios, sem se sentir culpado.

Se você quiser colocar essas emoções em movimento, a psicóloga indica que fazer trabalhos voluntários em prol da reparação pode ser um bom caminho.

“Mas não faça isso por se sentir culpado ou responsável! Faça como uma forma de entrar em contato com tudo o que você já recebeu, com o que você tem de potência e por saber que você pode colocar isso a serviço das pessoas que estão passando dificuldade”, diz.

Por fim, assim como em qualquer situação em que sua saúde mental está instável, é importante focar em atividades que te façam bem. Às vezes, é essencial tirar um dia para ficar offline das redes sociais, se afastar um pouco dessa quantidade gigantesca de informação que nós temos disponível.

Descanse, medite, respire, relaxe e não faça nada.

Repouse sem culpa! Você pode precisar de uma restauração. Aproveite também para agradecer. Por mais que o mundo esteja passando por uma fase difícil, estamos vivendo o aqui e agora. Precisamos ser gratos pelo o que temos! Esse tipo de situação em que perdemos pessoas e vemos a morte em números significativos pode nos servir de lembrança que a vida é algo frágil e passageiro. Por isso, mais do que nunca, é importante valorizar o momento em que vivemos.

Imagem: Pexels

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