Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

No começo é difícil mudar hábitos automáticos. Quando você repara: pá! Já fez o que costuma fazer há anos. Mas não se preocupe, ainda há tempo para recomeçar nas próximas horas. Tire um dia, uma tarde, algumas horas, que seja, para você fazer o que quiser. Aquele dia da semana onde você vai ser sua melhor companhia.

Eu aprendi há pouco tempo como é maravilhoso ter minha companhia. Poder sair com destino a um lugar e mudá-lo no meio do caminho sem precisar dar satisfação a ninguém, ou sem ter compromisso com hora marcada.

Como é incrível ver um pôr do sol sozinha na praia ouvindo minha melhor playlist sem precisar tirar o fone para ouvir alguém falando alguma coisa no melhor trecho da música. Como é foda poder entrar numa loja e ficar 40 minutos olhando os batons sem ninguém me apressando pra escolher logo a cor pra comprar.

Eu demorei anos pra perceber que a minha companhia é maravilhosa, e que conversar comigo e me dar conselhos é muito divertido. Confesso que às vezes eu tenho DR’s comigo mesma.

Aprendi também nesse processo de mudanças, que ficar sozinha é bem melhor do que estar acompanhada de muita gente (no fundo eu sempre queria estar acompanhada por temer a hipótese de ficar sozinha). Eu nunca tinha experimentado realmente ficar sozinha.

E quando eu falo sozinha, eu não me refiro somente a estar solteira ou namorando. Eu digo sozinha em um ambiente, onde eu possa ter silêncio, tranquilidade. Eu nunca dei tanto valor ao sossego. Talvez seja por eu sempre ter aquela compulsão por ter alguém perto de mim, mesmo que seja a televisão falando. Eu não sabia lidar comigo sozinha, sempre precisava de alguma coisa para me distrair de mim mesma. Eu nunca me conectava comigo, por isso estava sempre dependendo de barulho ou pessoas para não me sentir “sozinha” e assim me sentir bem.

O dia que resolvi me desconectar…

E se puder, desconecte-se também!

Isso é bem contraditório, né? Eu sou viciada em internet, confesso. Preciso de internet 24h por dia. Durmo com o celular embaixo do travesseiro e a primeira coisa que eu faço, antes mesmo de abrir os dois olhos é checar quem mandou mensagem durante a noite. Conseguir me desconectar foi uma tarefa praticamente impossível. Alias, está sendo.

Como eu vou me livrar de uma dor, provocando uma dor ainda maior, MEU DEUS? Acredite em mim. Isso está me ajudando de verdade.

Parte da minha mudança para conseguir sobreviver sem surtar e me manter firme tem a ver com estar offline. Decidi que me doar 100% como sempre fiz, não estava dando certo. Minha ansiedade estava cada vez mais aflorada. Cada mensagem enviada era um gatilho para minha ansiedade.

As ferramentas que o WhatsApp nos proporciona é ainda mais viciante. Ele deixa você ver o horário que a pessoa entrou, se a pessoa recebeu a mensagem, se a pessoa visualizou, se a pessoa está online. O Instagram nos mostra onde a pessoa está em tempo praticamente real, o Facebook tá quase morto, mas mesmo assim a gente ainda entra e vê o que a pessoa anda curtindo, compartilhando, há quando tempo ela estava online no Messenger. Isso tudo em alguns minutos. Isso deixa até um santo ansioso, imagine eu que tenho crise de ansiedade.

Eu cheguei em um nível que não tinha nem interesse real por ninguém, mas já estava criando interesse de tanto ficar fofocando a vida alheia por conta da facilidade que as redes sociais me trazia. Eu hein, isso é doença. E doente eu já estou. Então decidi que tinha que dar uma pisada no freio e viver mais minha vida real.

Comecei a mostrar menos na internet o que eu fazia. A postar menos fotos. A não ter aquela urgência em responder as pessoas. A não dormir mais com o celular embaixo do travesseiro. Passei a desligar o celular em alguns momentos do dia, por exemplo quando ia almoçar com minha família, ou quando ia ao dentista. Assim eu poupava bateria (isso foi uma coisa que magicamente melhorou) e conseguia realmente não ter o TOC de toda hora ficar apertando ele pra ver se alguém mandou alguma coisa.

Decidi desligar todos os barulhos de notificações e colocar tudo no silencioso, assim quando chegar uma mensagem eu não corro para visualizar. Hoje em dia eu até consigo ler um livro, coisa que há tempos não conseguia, porque toda hora parava para checar o celular mesmo sem ele fazer qualquer tipo de barulho.

Um exercício que estou começando a praticar é poder fazer uma atividade do dia desligando o pacote de dados. Seja academia, sair com alguma amiga, ir a praia, ou até mesmo transar. Creio que não seja tão anormal para a maioria de vocês que, depois do sexo, a primeira coisa que faz é pegar o celular, né? Pelo menos pra mim era. Eu pegava o celular IMEDIATAMENTE. E a maioria dos meninos também. Então atualmente é combinado é: vamos desligar o pacote de dados? Se surgir uma emergência alguém vai nos ligar.

Realmente essa foi uma das mudanças mais difíceis e mais dolorosas. Percebi o quanto eu sou doente pelo meu celular. O quanto eu preciso apertar o botão para ele simplesmente acender e eu checar que nada mudou nos últimos 2 segundos. Caiu minha ficha que eu era dependente do celular. Mais uma coisa nova que eu estava descobrindo. E graças a mim, mais uma coisa que eu estou melhorando.

Mais uma vez eu falo para vocês: ninguém pode fazer nada por você, além de você. O primeiro passo é enxergar, o segundo é agir. Mas nem sempre nessa ordem. O fato do celular ser uma peça central na minha vida, eu só enxerguei depois que comecei a agir. Não sabia que era tão dependente. Estou sofrendo, mas muito feliz por saber que mais uma vez estou me livrando de um problema. Mudanças são assim.

Mude. Por você e por mais ninguém. Eu sei que dói, eu sei que a sua dor parece que nunca mais vai passar. Mas você vai conseguir vencer suas lutas internas, essas lutas que fazem parte da vida. A luta diária de acordar e sobreviver a mais um dia.

Hoje eu posso te dizer: eu estou nessa luta diária para deixar de sobreviver e começar a viver!

Imagem: Pexels

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