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dona flor e seus dois maridos

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Baseado no clássico de Jorge Amado, Dona Flor e Seus Dois Maridos, livro homônimo, parece não se cansar de ter sua história adaptada para diferentes versões. E ainda causa muito ‘furdunço’ por onde passa.  A versão dirigida por Pedro Vasconcelos (O Concurso), protagonizada por Juliana Paes, Leandro Hassun e Marcelo Faria, traz uma versão que aborda um longo caminho de quebra de tabu pela frente. Um caminho necessário e que, de forma didática, percebemos a responsabilidade maior da direção, que é não se afastar do propósito do filme: emancipação feminina e liberdade sexual.

Flor é uma professora de culinária apaixonada pelo esposo, um fanfarrão chamado Vadinho que, devido aos excessos, morre precocemente. O tempo se passa e algum tempo depois Flor se casa com Teodoro, um pacato farmacêutico da cidade. Flor é uma mulher cheia de vida, jovem e que apesar de ter vivido uma vida bastante intensa ao lado de Vadinho, sente a necessidade de prosseguir naturalmente. Mas, insatisfeita, traz o espírito de Vadinho de volta. Mas é a aí que começam os questionamentos: o espírito de Vadinho realmente voltou ou ele é uma manifestação da necessidade de Flor de se libertar sexualmente? Felizmente, há espaço para as duas suposições.

O longa traz Juliana Paes demonstrando uma Flor ingênua e que pouco a pouco vai se libertando das amarras sociais, as mesmas que dizem não para o seu desejo. Para sua força interior e para tudo que a define como mulher comum, normal, passiva dos surtos de intensidade e calor que habita em todas nós.

dona flor e seus dois maridos

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A maneira como Pedro Vasconcelos leva a história torna a discussão do filme bastante relevante e atual, mesmo sendo uma história que se passa em 1940, porém, algumas falhas devem ser pontuadas.

Vamos lá!

É muito tênue a linha entre romantização da violência doméstica e o comparativo entre uma relação intensa sexualmente falando, mas infeliz no dia a dia e o inverso, feliz no dia a dia e inexistente na cama. Ou seja, é como se abrisse um ponto, o da violência doméstica, e depois ele ficasse lá aberto, sem ter sido tratado novamente com objetividade. Na verdade, a sensação é exatamente o inverso, já que as sequências trabalham a saudade e a falta que o falecido faz, como se a vida com ele tivesse sido perfeita em todos os aspectos. Relacionamento abusivo fellings total.

E aí eu levanto o questionamento: mesmo se tratando de uma história que se passa nos anos 1940, não seria papel do cinema tratar essas questões? Nesse caso, o cinema poderia funcionar como uma ferramenta de prática social?

Veremos mais na frente.

Outro ponto de observação é a direção de fotografia e a trilha sonora. A fotografia repete algumas vezes a mesma técnica de contraluz quando aborda os protagonistas Flor e Vadinho, sempre em cenas românticas e enfatiza demais o olhar erotizado da personagem de Juliana Paes. Aliás, nudez é algo bem comum durante todo o filme, e tudo bem, a questão que eu levanto é como essa nudez é transmitida para o público.

No caso do Marcelo Faria, é sempre uma nudez natural, planos abertos e sem foco de efeito sensorial, efeito de luz ou câmera deslizando lentamente pelo seu corpo. O que é exatamente o contrário do que acontece com a Juliana Paes. E é aí que entra o ponto da trilha sonora, sempre repetindo Maria Bethânia cantando  “É o amor” , ou seja, olha a receita: a mesma música, luz praticamente natural e muito contraluz, câmeras deslizando no corpo da Juliana fazendo com que o espectador sinta aquela cena com mais intensidade.

Bom, se você pensou em uma versão mais apimentada de uma novela da globo, acertou em cheio!

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O segundo e último ponto em relação à trilha é relacionado ao Leandro Hassun, que diferente da atuação da Juliana, não convence no papel de Teodoro. Ele se esforça, mas a trilha parece querer se aproveitar da veia cômica e logo estamos vendo o mesmo Leandro Hassun e suas caras e bocas novamente. Aquele mesmo do Domingo à tarde ou do Zorra Total. Pois é, não convence! Porém, se a ideia era trazer um ar cômico, funciona. É como se ele fosse o núcleo cômico da novela. Ou melhor, do filme.

Por fim, vale destacar uma crescente a partir do terceiro ato e é aí que toda a mensagem do filme vai fazendo sentido. Sim, no final das contas, o filme é uma ferramenta de prática social. Ele coloca a Dona Flor em um papel que poderia ser de qualquer mulher, a dualidade entre o que somos ou queremos ser na maioria das vezes contra o que a sociedade exige de nós. O papel é mostrar que essas realidades podem coabitar na realidade de qualquer mulher.

Ou seja, Dona Flor e Seus Dois Maridos de 2017, dirigido pelo Pedro Vasconcelos, é diferente das versões anteriores justamente por isso: por dialogar diretamente com o universo feminino e trazer uma mensagem baseada na ideia de que em cada uma de nós vive o bom e o ruim, mas que a busca pelo equilíbrio é o mais importante no final das contas.

Assista ao trailer aqui!

Ficha técnica:

Título: Dona Flor e Seus Dois Maridos (Original)
Ano: 2017
Direção: Pedro Vasconcelos
Estreia nacional: 2 de Novembro de 2017
Gênero: Comédia/Romance
Nacionalidade: Brasileiro
Roteiro: Jorge Amado; Pedro Vasconcelos
Produtores: Marcello Ludwig Maia, Marcelo Faria e Pedro Vasconcelos
Elenco: Juliana Paes, Leandro Hassum, Marcelo Faria, Cassiano Carneiro, Dandara Mariana, Duda Ribeiro, Fábio Lago, Haroldo Costa, Nívea Maria…

Imagem: Divulgação/Dona Flor e Seus Dois Maridos


E o que vocês responderiam a essa pergunta aqui abaixo, feita por uma de nossas usuárias do Clube Superela?

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