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Tive alguns relacionamentos e posso garantir que aprendi com todos eles, mas é inegável que alguns foram mais intensos neste sentido. É inegável que alguns deixaram marcas e, principalmente, definiram muito do que eu sou hoje.

Embora eu tenha sofrido muito em um relacionamento abusivo, eu agradeço por ele ter acontecido porque foi ali que eu entendi a importância do amor-próprio. Foi ali que eu entendi que, se a gente não se ama, torna-se impossível conquistar uma relação saudável.

Eu precisei passar por muita coisa para entender que jamais poderia me abandonar. Que jamais poderia deixar de me colocar em primeiro lugar ou de simplesmente acatar todas as exigências alheias pelo medo de ficar sozinha. Aliás, hoje eu enxergo que já estava sozinha porque eu não podia contar comigo mesma naquela época e, portanto, não podia contar com ninguém.

Mesmo assim, eu ainda sofri muito depois (mas de forma diferente, devo dizer) por uma decepção. Uma decepção que aconteceu não por uma traição, mas por uma mentira. Uma decepção que seguiu aquele clichê do cara dizendo que “você é louca, não tem absolutamente nada acontecendo”, para que eu soubesse, em pouquíssimo tempo depois, que já estava acontecendo exatamente o que eu imaginava. Ele só não teve a coragem necessária para me dizer e, assim, finalizar a nossa história de uma forma digna.

Confesso que carreguei comigo essa mágoa por muito tempo, tanto que quando a relação acabou de vez, eu me perdi por aí. Saía várias vezes na semana (mesmo sendo do tipo que adora ficar em casa), conhecia outros caras, me “divertia” bebendo com as amigas e, quando eu finalmente deitava no travesseiro, eu desabava.

Ali, sozinha, no silêncio e no escuro, eu me permitia deixar a dor escorrer, aquela dor que eu abafava o dia inteiro na tentativa de seguir em frente.

Foi aí, no meio de uma recaída da depressão e do considerável aumento da minha ansiedade, que eu tive mais um aprendizado: a gente precisa se permitir viver todo tipo de luto, inclusive o de um rompimento. A gente precisa deixar as lágrimas saírem e o grito escapar. A gente precisa entender que sofrer não é sinal de fraqueza, e sim um sinal de que você está vivo.

E quer saber? Encarar a dor exige muito mais força do que pensamos!

amor próprio - 2

Enfim, muito tempo depois, eu me libertei desta história. Eu enxerguei o outro lado, eu percebi que não éramos tão felizes juntos quanto eu idealizava e, mais que isso, percebi que as pessoas não controlam o que sentem, que elas podem se apaixonar por outro alguém em questão de segundos e, muitas vezes, achar que é melhor esconder isso para poupar o sofrimento do outro.

É claro que na prática não funciona assim, afinal a verdade pode doer muito, mas ela também liberta. Ainda assim, fui capaz de entender a intenção que estava do outro lado do muro.

Mais um aprendizado para a conta!

Agora você deve estar se perguntando o porquê de eu estar aqui relatando tudo isso. Eu explico: porque foram graças a estas experiências que eu decidi escrever o meu segundo livro e o meu primeiro romance: “O (re)começo depois daquele fim”.

A história de Clarice não é exatamente igual ao que eu vivi e nem todos os personagens do livro são pessoas que passaram pela minha vida, mas a essência do livro em si é o que eu aprendi com os relacionamentos que vivi.

Por que eu decidi escrever? Porque quero que todas as pessoas que passam por um término difícil, saibam que elas não estão sozinhas e, principalmente, que é possível superar.

Além disso, eu quis abordar muito a questão do amor-próprio porque quando existe quase que uma dependência do outro, é porque você não se ama como deveria.

Eu não escrevi este livro para ganhar dinheiro, até porque o mercado literário aqui é bastante ingrato e eu estou longe de ser famosa (rs). Eu realmente escrevi porque vejo muitas mulheres sofrendo, vejo muitas mulheres sentindo-se incapazes de se amarem, de se acolherem. Vejo muitas relações abusivas ou vazias, sustentadas pelo medo de uma solidão que já existe (e que é causada por quem tanto a teme).

“O (re)começo depois daquele fim” também fez parte do meu próprio recomeço e, desde então, ainda corro o risco de me decepcionar com outra pessoa ou de ver mais uma história de amor acabar, mas, diferente das outras vezes, eu não vou me abandonar.

Diferente das outras vezes, eu me amo o bastante para que, mesmo sofrendo, eu seja plenamente capaz de me regenerar e seguir em frente, afinal eu tenho muitos sonhos dentro de mim (e nós NUNCA podemos abrir mão dos nossos sonhos, por mais partido que o nosso coração esteja).

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Imagem: Unsplash

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