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No dia 7 de janeiro, a belíssima atriz Bruna Linzmeyer publicou uma foto em que mostrava uma das axilas e posicionando-se sobre a depilação feminina. Dentre os comentários, muitas pessoas elogiaram a atitude, enquanto outras criticaram sem dó nem piedade. Eis a grande questão: por que a depilação feminina (ou a falta dela) ainda gera polêmica, em pleno 2019?

Linda, talentosa e com pelos!

Por que não se depilar também é ok? A atriz responde, ao final de seu relato: “aprendi que liberdade e amor é respeitar a escolha das outras pessoas, quando essas escolhas não violentam ninguém. e poder acessar meu coração e responder sem amarras: o que eu quero? o que eu gosto? de que jeito me sinto bem? ♡ #livresim”

Enquanto via a publicação feita no perfil do Instagram do Superela sobre a postagem da Bruna, encontrei um comentário pra lá de desconcertante. Um homem sentiu-se no direito de marcar uma de nossas leitoras, dizendo: “Nenhuma de vocês abrirá uma grande Multinacional, nenhuma de vocês fará uma grande descoberta científica, nenhuma de vocês fará nada significativo para a humanidade como até hoje nunca fizeram. Rancor nada, as pessoas tem pena mesmo.”

De fato, não pude sentir nada além de pena quando li uma afirmação com um nível tão baixo, obviamente sem nenhum embasamento factício, uma vez que a depilação nunca foi a razão do sucesso profissional das mulheres. O erro de português também é digno de pena. Poderia uma pessoa que desconhece a gramática da própria língua julgar nossas conquistas, mencionando inclusive descobertas científicas?

E deveríamos nós, no século XXI, desmerecer o que as feministas sufragistas fizeram por nós, lutando por anos para termos o direito ao voto? Ou desmerecer o trabalho de uma atriz incrível como a Bruna? Ou o trabalho de todas as mães e mulheres, que dedicam-se ao mercado profissional e/ou à vida familiar, mas optaram por não se depilarem simplesmente porque não as agrada?

A resposta é simples: um alto e sonoro não!

Por que nos depilamos?

Desde que meus primeiros pelos surgiram, fui incentivada a depilar. Eu mesma ficava incomodada. Nunca saía de short ou regata se não estivesse totalmente depilada. Por algum motivo, eu tinha vergonha. Até então, eu nunca tinha visto meu corpo como era naturalmente: repleto de pelinhos. E nunca tinha parado para pensar no motivo pelo qual me depilava todo santo dia, para que não houvesse nenhum vestígio de pelos pelo meu corpo.

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Aos 16 anos, no terceiro ano do ensino médio, comecei a me engajar mais com o feminismo e com a sustentabilidade. Lia textos por horas a fio e, em um determinado momento, encontrei algumas mulheres que falavam sobre a experiência de não se depilarem. Enviei os links para duas amigas e, depois de tantas conversas sobre o assunto, paramos de nos importar com depilação.

Não nos depilávamos com a mesma frequência, mas ainda assim não mostrávamos os pelos na escola e muitas vezes ouvi lamentações por terem deixado de transar quando não estavam depiladas. Já na universidade, encontrei outras garotas que deixavam as axilas e pernocas à mostra, sem nenhuma vergonha dos próprios pelos. E foi assim que eu comecei a me libertar do preconceito que eu tinha.

Depilação e feminismo podem andar juntos?

Desde pequenas, somos ensinadas a manter a depilação em dia, como se nossos corpos não pudessem ser perfeitos como são. Quando as feministas exigem o direito de decidirem o que farão com os próprios corpos, não significa que a mulher vai perder o direito de depilar. Significa que ela vai poder escolher não fazê-lo, caso seja sua vontade.

O feminismo não obriga ninguém a manter os pelos, ao contrário do que falam por aí. O empoderamento feminino serve justamente para que você tenha uma voz em relação ao seu próprio corpo. Quer depilar? Depile! Não quer? Não depile!

Hoje em dia, acostumei tanto com meus pelos que simplesmente não ligo. Depilo sim, quando quero e tenho vontade. Pode ser daqui uma semana, dois meses ou até um ano. Não me incomoda. Não incomoda meu marido. Por que outra pessoa deveria se incomodar?

Estou tão acostumada a ver mulheres com pelos que deixou de ser algo estranho e tornou-se algo belo. Por algum motivo, fico feliz quando passo por uma mulher e percebo que ela está totalmente confiante no seu corpo. Mais feliz ainda quando descubro que são excelentes profissionais e estão levando mais força feminina para o mercado de trabalho.

E você, prefere depilar ou deixar tudo natural?

Imagem: Frances Cannon

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