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Eu não queria terminar. Ele não queria terminar. Nossos amigos não queriam. Nosso cachorro não queria. Nossa família não queria. Nosso peito não queria. Nosso filme não queria. Nossa coberta não queria. O Dia dos Namorados não queria. Nossos sonhos não queriam. Nossa covardia não queria. Nossos medos não queriam. Nossa rotina não queria. O que eu realmente posso dizer é que ninguém queria. Ou talvez, ninguém do nosso convívio, nenhum móvel, planta, brisa. Nada.

Terminar é punk. Pra quem é peixes com ascendente em peixes e lua em libra (pasmem!) é punk “level hard” – perdoem o palavreado de quem cresceu jogando Super Nintendo. Eu quis dizer que é difícil pra c***** – perdoem novamente –. A questão é que é triste, é dolorido, é sofrido demais real oficial. (rsrs)

Por outro lado começar… ah, começar! Todos queriam. Eu queria, ele queria, os meus amigos – que ainda eram só meus – queriam, os amigos dele  – que ainda eram só dele  – queriam, meus sonhos queriam, os sonhos dele queriam, a coberta dele queria, a minha idem, o Dia dos Namorados (esse queria muito!) queria. Enfim, cada pedaço do nosso mundinho queria. Cada raio do sol de domingo queria. Cada cena de filme romântico queria. E nós queríamos juntos.

Você continua existindo depois de um término 1

É medonho ir contra toda essa gente, contra todos esses móveis, roupas, fotos, lembranças, porque estamos, nós dois, cada um no seu canto, cada um do seu jeito estabanado, vivendo pela primeira vez depois do começo, sem poder contar um com o outro. E isso por si só já basta. O início foi construído em par, todas as inseguranças do início foram superadas dois a dois, todas as mudanças e questionamentos também, mas o término, “esse operário das ruínas”, como diria Augusto dos Anjos, esse é construído solitariamente e de maneira ímpar pra cada um.

Passar por qualquer coisa sozinho não deveria ser complicado, afinal, nascemos sozinhos e, como já dizia a Sra. Vovó Morte em Donnie Darko, “toda criatura viva na terra morre sozinha”. Ou seja, para todos os efeitos, deveríamos nos bastar, não é? Mas a verdade é que só nascemos e morremos sozinhos porque não temos escolha.

Se possível fosse, tenho convicção que muitas pessoas chegariam ao céu com um acompanhante e isso explica muito bem a questão dos gêmeos que já chegam com um irmão à tira colo, esses espertinhos. Talvez até o pessoal de aquário, que tem fama de frio, levaria um amiguinho para bater um papo no caminho…(rsrs).

Você continua existindo depois de um término 2

O término é também o término de nós mesmos, de quem nós éramos dentro daquela relação, daquilo que nos determinava, noiva de, namorado do. Estamos agora nos reinventando, nos redescobrindo, nos colocando novamente em foco, vivendo nossa vida em primeira pessoa e não mais como espectadores das escolhas do outro. Esse processo não é rápido, o fim leva tempo, ele não chega e termina como deveria ser. O fim também tem começo, meio e fim.

Já ouvi muitas pessoas dizerem que se sabe mais sobre uma relação no momento do término do que durante o relacionamento em si. Agora, pensando nisso, fico feliz em saber que se a minha história de amor acontecesse de trás pra frente, ela começaria em gratidão e saudade e terminaria em duas pessoas querendo descobrir a vida juntas.

Espero que o meu fim esteja no final. Está sendo um tantinho entediante consolar a mim mesma.

Imagem: Pexels


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