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O que você procura?

O dia 8 de março é conhecido como o Dia da Mulher – e muita gente acredita que essa é uma data de comemoração. Porém, a verdade é que ele é marco de luta, um dia que celebra todas as vitórias que as mulheres conseguiram ao longo das últimas décadas.

A gente sabe que muita coisa já mudou desde que o movimento das sufragistas começou a falar em direitos femininos, lá nos anos 1890, na Nova Zelândia (o primeiro país a ceder os direitos de voto às mulheres). Mas é inegável que ainda temos um longo caminho para percorrer.

Por isso, fomos até o nosso grupo no Facebook, o #superelas, saber como as mulheres gostariam de ser tratadas daqui para frente, e percebemos um denominador comum: respeito. Isso significa que se as mulheres estão pedindo por respeito, porque não se sentem respeitadas.

Além disso, elas pedem por igualdade. Ou seja, as nossas leitoras querem ser tratadas da mesma forma como os homens. O que significa, também, que elas não se sentem assim, atualmente. Elas não acreditam que são tratadas com igualdade. De onde será que vem tudo isso?

Dia da Mulher vs. Machismo de todo dia

Na última semana, o Ministério do Trabalho tentou fazer uma ação de Dia da Mulher que, a gente imagina, eles esperavam que tivesse um retorno positivo. Porém, o que aconteceu foi o contrário. O assunto acabou sendo gancho para as mulheres falarem nas redes sociais como é a realidade de ser mulher e trabalhadora no Brasil, o que representa exatamente tudo aquilo que queremos passar com esse texto.

A pergunta foi a seguinte: “O que é ser trabalhadora para você?”. Mas as respostas não foram do tipo ‘é correr atrás dos meus sonhos’, como o Ministério propunha: “É não ter o teu salário igualado ao colega homem que tinha menos funções que você porque você não é ‘chefe de família’”, escreveu uma usuária. “É ser mandada embora do serviço porque seus subordinados ‘não aceitam ordem de mulher’”, disse outra.

“É ser taxada de cabeça dura e com ‘personalidade forte’ por adotar a exata mesma postura de um homem que é visto como diligente e assertivo”, explicou uma terceira.

Tudo o que essas mulheres apontaram são comportamentos machistas, são tratamentos sem repeito e que reforçam a desigualdade, porque colocam a mulher em uma posição diferente (e inferior) aos homens. Um homem não aceitar ordens de uma mulher no trabalho significa que ele não a respeita, portanto, também não a vê como igual.

E isso é comprovado até mesmo com números. Segundo uma pesquisa Ipsos feita no ano passado em 24 países diferentes, com 17.551 adultos com idades entre 16 e 54 anos, o machismo é um fato irrevogável: 19% dos entrevistados brasileiros que participaram do estudo acreditam que o homem é mais capacitado do que a mulher.

Olhando para a questão do machismo no geral, o Brasil aparece em 14º lugar em relação aos outros países participantes, e a primeira colocação é ocupada pela China, em que 56% dos entrevistados acreditam nessa diferença de capacidade entre os gêneros.

Pode parecer que o Brasil está bem das pernas nesse assunto – e que por aqui isso ‘não existe’, igual o racismo -, mas as consequências dessa mentalidade aparecem em outros dados chocantes: um estudo da Global Adviser descobriu que 41% das mulheres brasileiras temem defender os seus direitos por medo do que pode acontecer com elas.

E não por menos, afinal, a taxa de feminicídio no Brasil (ou seja, o assassinato de mulheres baseado no fato de que as vítimas são mulheres) é uma das maiores no mundo. Estamos em 5º lugar, segundo a Organização das Nações Unidas, uma posição reforçada pelo aumento de 54% no número de assassinatos de mulheres negras, entre 2003 e 2013.

Tudo isso para dizer que, sim, o machismo existe e tem sérias consequências na vida das mulheres no mundo inteiro, não só por aqui. Os altos índices de violência contra a mulher (de acordo com dados de 2015 do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, acontece por aqui 1 estupro a cada 11 minutos) o feminicídio e até a falta de mulheres em altos cargos de gerência nas empresas são justificadas por essa mesma ideia de não-igualdade: a mulher é vista como inferior e menos capaz e, portanto, está sujeita aos desejos do homem.

Esses desejos, inclusive, fazem com que as mulheres estejam sujeitas a situação de assédio, nas ruas, nos escritórios e até dentro da própria casa, que usam o seu corpo e o seu gênero como uma forma de diminuir o seu caráter e a sua importância diante da sociedade. Ou você nunca ouviu alguém dizer que ‘mulher que dorme com vários é puta’ ou que ‘você está usando uma saia curta só para provocar’?

Como reverter essa situação?

Diante desse cenário tão assustador, o que nós podemos fazer? É difícil querer mudar o mundo inteiro de uma só vez, mas a gente pode começar com os nossos arredores, usando as oportunidades que temos para incentivar umas às outras e ensinar as pessoas (com educação, e não com raiva!) que somos todos iguais e queremos ser tratadas com respeito.

Isso começa com a gente mesma, revendo as coisas que pensamos, a forma como conversamos com outras mulheres e com os próprios homens e lendo sobre o assunto, criando consciência sobre isso – às vezes, você sofre com o machismo o tempo inteiro, mas não tem ideia de que isso acontece. E quando começa a entender como ele funciona, percebe que ele está em todos os lugares.

A questão é usar esse conhecimento para corrigir primeiro coisas que você fala e pensa e que são machistas, para depois ensinar as outras pessoas a fazer o mesmo. Algumas vão aceitar as suas sugestões de bom grado e perceber que estão agindo errado. Outras, vão achar que você está exagerando e não vão dar atenção ao que você diz. É um exercício, principalmente, de paciência.

Mulherão da porra, saca? ❤️

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Se você precisa de ajuda para começar ou se gostaria de passar algumas dicas para as pessoas que convivem com você, nós montamos uma lista com algumas sugestões, olha só:

1.Não comente sobre a roupa de uma mulher

2.Quando uma mulher falar, ouça e considere o que ela disse

3.Não diga que uma mulher está ‘naqueles dias’ porque está nervosa, tente entender o que está acontecendo

4.Evite perguntar sobre maternidade para uma mulher, se ela não deu essa liberdade

5.Entenda que ser mãe não significa que ela deixou de ser capacitada profissionalmente

6.Na verdade, incentive os pais a terem tanta participação na vida da criança quanto as mães (afinal, por que essa responsabilidade deve ser única e exclusiva da mulher?)

7.Pergunte se uma mulher precisa de ajuda com alguma coisa, antes de sair explicando o que provavelmente ela já sabe (alô, mansplaining)

8.Pare de julgar mulheres por suas vidas sexuais, elas não têm absolutamente nada a ver com você ou com a capacidade delas de ser uma boa profissional

9.Ao invés de julgar criticar as mães solo, pergunte se elas precisam de ajuda

10.Aliás, evite colocar os homens que cuidam dos filhos eventualmente em um pedestal, e entenda que eles não fazem mais que a obrigação

11.Divida as tarefas de casa igualmente entre todos (homens e mulheres), já que é uma responsabilidade mútua manter a casa limpa e organizada

12.Não chame assédio de ‘frescura’

13.Não diga que mulheres ‘pediram’ pelo assédio por causa da roupa ou porque estavam bêbadas

14.Analise o currículo de uma mulher pela sua capacidade profissional, não pelo seu status de relacionamento ou maternidade

Respeito parece algo intrínseco na nossa vida cotidiana, até a gente perceber como ele muda de um gênero para o outro. Então, nada mais justo do que a gente adaptar a forma como age e pensa para deixá-lo presente de verdade e viver a igualdade que a gente tanto busca, não é mesmo? Vamos usar o Dia da Mulher como um lembrete dessa luta e um reforço da necessidade de mudança. 

Foto de capa: Instagram / Women’s March

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