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O que você procura?

Noutro dia desses, um amigo heterossexual me perguntou porque é que existia “essa palhaçada de Orgulho Gay” e, se existia, porque a gente achava tão bizarro o tal do “Orgulho Hetero”. Afinal de contas, se a nossa busca é por direitos iguais, deveríamos dar direitos iguais nessa questão.

De primeira, não parece que ele disse nenhum absurdo. Parece coerente. Parece que a gente tá atrás de privilégios. E isso me faz lembrar um dia, há alguns anos, quando eu andava num shopping de mãos dadas com meu ex-namorado e uma senhora murmurou do meu lado um “nojo” nada discreto enquanto olhava pra gente. Faz lembrar do dia em que os meus pais disseram que eu era uma vergonha e que tudo o que eu tinha feito até ali – as capas que estampei, os prêmios que ganhei, o destaque no emprego, o currículo escolar – não valia de nada. Faz lembrar o baita medo que eu sinto de abraçar algum amigo na rua e acabar internado num hospital por ser vítima de algum tipo de agressão.

Ter orgulho de ser gay no Brasil, hoje, é encarar uma triste realidade: a face do preconceito. É ter suas iniciativas e planos de vida amorosa podados porque, veja bem, um monte de gente acha errado o fato de você querer se casar como eles também podem. E se você não estabelece uma relação séria, é logo taxado de promíscuo e suas variáveis. É andar sob constante vigilância dos outros enquanto perguntam se você tem HIV, se usa muitas drogas, se é maconheiro só por ser gay. É ter sua intimidade invadida e sua sexualidade discutida porque você só dá ou só come, como se a vida heterossexual pudesse ser preservada, mas a vida gay fosse filme em destaque nos cinemas.

Ter orgulho de ser gay é bater no peito pra dizer assim: olha, eu sei que eu sofro com um monte de coisas no dia a dia. Sofro com a minha família me abandonando emocionalmente, com fanáticos religiosos se entrometendo nos meus direitos – quando nem são os deles em julgamento, com pessoas que querem me odiar só pelo fato de eu existir e ser diferente delas. O que chega a ser curioso porque, veja bem, a grosso modo: o cu e o pau são meus – no caso da história do homem gay, porque sim, esse dia não pertence só ao homem. É o dia da sigla LGBT, onde mulheres lésbicas, travestis e pessoas trans e os bissexuais também procuram por abrigo e sofrem não só com a discriminação do mundo, mas também do “mundo gay”.

Ter orgulho é ter um pouco de esperança de que avançaremos pouco a pouco e, num futuro distante, também teremos o maior direito que os heterossexuais ainda não perceberam que nós queremos: o direito de amar sem julgamentos.


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