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“Não aprendi dizer adeus
Não sei se vou me acostumar”

Quem aprendeu dizer adeus? Creio que ninguém esteja preparada para essa hora. A gente tenta se preparar durante toda vida, sabemos que a única certeza é a morte, mas quando ela chega, parece que foi a maior surpresa das nossas vidas. A morte pode ser trágica, pode ser esperada por alguma doença, e pode ser até um descanso para aquele já estava sofrendo muito aqui entre nós. Mas ninguém nunca espera por ela. A única certeza desde o momento que nós saímos da barriga das nossas mães é que um dia ela chegará.

Eu nunca soube lidar com a perda. Perda de amigos depois que tive que sair do colégio, perda do convívio com os amigos de trabalho, perda com os amigos de faculdade e por aí vai… Nunca imaginei que pudesse perder minha cadela de estimação quando ela teve câncer, mas ela se foi… A dor foi terrível, sofri muito, soube o que era depressão e me vi no fundo do poço. Mas eu estive com ela e dei todo meu amor. Ela viveu 13 anos comigo, e eu aproveitei todos os momentos de alegria ao lado daquela cadelinha sapeca. Foi triste o fim da vida da Mel, eu sofri junto com ela, mas sabia que ela estava indo pro céu dos cachorros junto com todo meu amor. Mês que vem fará um ano que ela me deixou, todos os dias eu penso nela. Hoje a saudade é mais amena, não dói tanto. Mas eu nunca mais queria passar pela dor da perda.

Mas passei. Novamente. É inevitável quando se está vivo, infelizmente. Ah, se eu pudesse ser tão egoísta a ponto, não de ser imortal, mas de tornar todos que amo imortal. Esse seria meu maior sonho. O filme passa pela minha cabeça novamente. A sensação da perda volta, aquele sentimento de vazio, de não poder voltar para abraçar e dizer uma última frase, de ver mais um sorriso, de ouvir mais uma gargalhada. Mas por que eu não disse isso antes? Por que eu não dei mais um abraço? Eu achei que fosse voltar lá ainda essa semana. Eu achei que daria tempo de vê-la mais uma vez. Mas não deu. Nem sempre dá, e nós temos que nos acostumar com esse curto tempo, esse tempo que não existe. A vida é tão curta e nós não temos a menor dimensão disso.

O medo de entender isso é enorme, vai por mim.

Eu tive que tomar esse sacode para entender que realmente o tempo é nosso melhor e pior amigo. Ele nos dá a possibilidade de ter a pessoa amada por anos, mas também nos tira essa possibilidade. No meu caso, eu sabia que o tempo estava acabando, e mesmo assim eu esperei, por uma esperança que o ser humano tem, a tal esperança que nunca acaba. Aquela que é a última que morre. Eu demorei demais. Eu esperei demais. Esperei por puro medo. Medo de me deparar com a realidade, uma realidade que eu não queria ver. Pelo simples fato de achar que aquilo iria melhorar e que eu ia voltar a ter aquela imagem anterior de volta, aquela imagem bonita, forte, aquela pessoa que eu tinha na minha lembrança. Mas os dias iam passando e as notícias eram as mesmas, cada vez pior. A minha cabeça não tinha dúvidas de que aquela situação iria mudar, e que tudo iria voltar ao normal. Por que a gente não consegue aceitar que o fim está próximo? Por que a gente não consegue enxergar o que está tão claro?

Tive coragem e fui. Conseguir respirar fundo e enfrentei o meu maior medo. A imagem era de outra pessoa, mas lá dentro eu a reconhecia. Que saudade! Como eu estava com saudade de você! Como eu queria ter você mais perto de mim, como eu queria você mais tempo na minha vida. Não está na sua hora, você ainda tem muita coisa pra viver, muitas gargalhadas, muitos tombos, muitos celulares para perder e muitos bolos para fazer. Na hora da despedida, um abraço forte. Era realmente uma despedida. Mas minha esperança dizia que eu ainda a encontraria no final da semana. Eu não queria ir embora, por isso fui sem olhar para atrás. Dois dias depois a notícia: ela faleceu.

Ela me esperou. Ela foi forte e me esperou. Eu consegui dar um abraço, um beijo, fazê-la sorrir, conversar, brincar… Mas isso não era o suficiente. Eu não disse tudo que queria dizer. Eu tinha mais coisas pra falar. Se eu soubesse que era o último encontro, eu teria falado que a amava, que lembrava do carnaval que ela me fez ir de metrô até Ipanema, naquela confusão que eu odeio, mas ela estava mega animada! Do Ano Novo que ela passou no banheiro e eu conto pra todo mundo, das cocadas maravilhosas, do bolo de chocolate inesquecível, e da técnica de cortar bolo ao meio com linha. Ah, não posso esquecer das vezes que eu dormia na casa dela e meu café da manhã era Hambúrguer com Coca-cola. Eu queria dizer tudo isso, mas não disse.

Então, digo pra você que está lendo esse texto: não espere ninguém ficar doente para dizer isso. Até porque, a gente nunca sabe o tempo de casa um. Não tenha vergonha de dizer EU TE AMO. Não tenha medo de falar o que sente ou não ache que o tempo é curto para fazer uma visita. Não espere, não demore. Dê todo seu amor hoje, seja como for. Uma ligação, uma mensagem, uma visita… Demonstre. Isso é totalmente de graça, não custa nada e faz um bem enorme, tanto pra você quanto para a pessoa. Depois que a gente perde, não adianta mais. E outra coisa, não perca tempo cultivando mágoas, por favor. Perdoe. Todo mundo erra, até você. Então, se tem algo para ser conversando, converse. Se alguém te magoou ou se você magoou alguém, resolva da melhor forma possível. Hoje eu entendo que depois que a gente perde, nenhuma mágoa fica, só saudade.

Imagem: Stocksnap

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