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O que você procura?

É fácil ser mãe? Sem qualquer pretensão de ensinamento ou crítica, minha fala é sobre: todas as mães, nenhuma específica, mas especificamente sobre mim.

É sobre hoje, com o coração iluminado de gratidão e felicidade depois de tantos “estágios” experimentados com cada filho, poder falar da surpresa, devoção, medo e aprendizado permanente em cada uma dessas etapas.

Não é para alarmar, mas sim dizer que cada descoberta e desassossego vale, e quanto todo o amor vale a pena. E mesmo quando as aflições parecerem eternas, aviso: elas passam sim, e mais rápido do que se queira e o que fica é a vontade de que tivessem durado mais.

Porque fácil, fácil, fááácil, só mesmo ver o amor crescer infinito dentro do ventre mesmo antes da “primeira vista”, e a grande e irreal ilusão de que apenas a dedicação e amor extremos são capazes de fazer tudo dar certo.

A comemoração vem junto com o susto já nos primeiros momentos de vida, quando percebemos que não se pode “desligar” o bebê a cada troca de fralda e mamada, para se decidir por conta própria uma longa noite de sono ou seu momento de descanso, banho, espelho e intimidades.

Daí em diante seu amor é mais dele do que seu. É quando descobrimos o significado do único amor incondicional.

E o bebê cresce e sai dos braços para engatinhar no chão e em seguida dar os primeiros passos, ainda precisando do seu colo eventual e de suas mãos ainda permanentes para caminhar na rua, subir e descer escadas.

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Até que um dia assustadoramente como que a velocidade da luz no vácuo ele e/ou ela, pede para você não deixá-la mais na porta da escola para os amigos não verem porque é “mico” e que vai voltar sozinha seis quadras a pé para casa e já descendo do seu carro em um embalo só, engatar o aviso de que no próximo sábado tem a festa da Vivi e que ela e as amigas vão sozinhas de táxi.

Não desmaie, afinal você está dirigindo e lembre-se, você não acreditava que aconteceria tão rápido, mas era absolutamente previsto.

Ao invés de entrar em pânico, sugestão: se acalme e entenda que, não dá para amarrar no pé da mesa, e perceber que nenhum cuidado extremo ou redoma imuniza um filho das aflições, ameaças e desgostos, mas duas coisas podem fortalecê-lo para os reveses, transtornos, perigos e desapontamentos: a intimidade que te faça a melhor amiga dele, e os limites que o permita ser corajoso, resistente e descobrir sua própria força e talento.

Daí, ela(e) aos 18 aninhos de idade, já com a carteira de habilitação em punho, avisa que vai para Búzios de madrugada porque tem menos trânsito e a galera vai dormir na sua casa para saírem juntos. O que é maravilhoso, porque é a demonstração de que você sabe da vida dela e conhece “a galera”.

Só que um dos amigos, menino, chega de mãos dadas com o namorado, e você mesmo moderna, carinhosa e simpática com todos, ri para sua filha e bem baixinho cochicha no ouvido dela, achando que ninguém está vendo:

“Filha, nada contra, mas eu não sabia que o Joãozinho é gay”.

E ela:

“Pára mãe. Ele não é gay. Hoje não existe mais isso. Eu hein! Hoje você ama a “pessoa”, homem ou mulher. Eles só estão ficando.”

Você:

“Meu Jesus, e você filha?”

Ela:

“Ai mãe, eu o que? Que chato, eu no momento estou ficando com o Marquinhos”.

E assim outras surpresas vão te aperfeiçoando vida a fora.

Daí ele(a) que passou no vestibular, mas está super em dúvida sobre a carreira, pede para trancar a matrícula do curso e fazer uma imersão em Londres por 6 meses mas resolve ficar 24 porque conheceu um(a) guitarrista, conseguiu um emprego de garçom(nete) e está adorando fazer curso de teatro e você ao invés de cortar os pulsos, chorar até as lágrimas se acabarem, constata que eles não são nossos, e sim do nosso coração e do mundo.

Mas acha que acabou. Felizmente, não acabou não.

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Ele volta. Terminou com o(a) guitarrista.

Conclui o curso, se casa, se torna uma pessoa bem-sucedida e a mais maravilhosa do mundo. Fica “grávido” e enquanto espera assustado e ansioso os infindáveis 9 meses passarem, escreve para você a mais linda e emocionante carta de agradecimento, falando de vocês, assim sobre filho e mãe, mãe e filho, e sobre tudo que trocaram, herdaram e aprenderam um com outro.

E sobre mim e meus dois filhos (um agora pai)?

Obrigada pelas “golfadas” de leite no peito, pelas noites que não pude dormir, pela bagunça aconchegante da sala e pela insegurança invadindo minha vida, pela culpa mortal pelo feito ou pelo que deixei de agir, pelas risadas nervosas que dei e pelas que não pude sorrir. Pelas expectativas e sustos de medo, pelas respostas cautelosas que não consegui compartilhar, pelas lágrimas ora de dor partilhada ora de emoção expandida, pela força sobre humana que nem sabia e a cada dia descobri e, agora, hoje, pela emoção de ver todo esse ciclo se repetir.

Grata por tudo e com todo meu amor.

Imagem: Pexels

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