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Antes de qualquer julgamento, gostaria de dizer que respeito sua decisão de voto. Afinal, antes de 1932, nem poderíamos ter uma conversa sobre decisão de voto. Respeito a luta das nossas antepassadas que batalharam muito para hoje nós, mulheres, possamos participar ativamente das eleições. Contudo, vivemos em uma democracia e um dos pilares importantes é o debate de ideias.

Foi justamente por isso que decidi ouvir, com atenção, as eleitoras do Bolsonaro. Descobri que temos mais em comum do que podemos imaginar. Saiba que, assim como você, eleitora do Bolsonaro, eu também quero um país com educação e saúde de qualidade.

Também quero que a economia do país volte a crescer para que possamos ter mais emprego. Além disso, sonho em que um dia nós, mulheres, possamos ser realmente respeitadas e que todos possam viver em um país seguro. Sendo assim, podemos concluir que não somos inimigas, certo? Diante disso, acho interessante, já que vivemos em uma democracia, debater sobre o plano de governo de Jair Bolsonaro.

Antes de que você desista deste artigo, quero que saiba que aqui não acusarei Jair Bolsonaro de machista, racista e homofóbico. Sei que a maior dos eleitores escutam muito essas acusações e que, por algum motivo, não acreditam nelas.

Por isso, penso em ir além das acusações. Penso em olhar de forma mais profundo em relação ao que ele está propondo e questionar a viabilidade dos seus projetos. Algo que também já fiz com meu candidato e algo que todos deveriam fazer.

Eleitoras do Bolsonaro, podemos conversar?

Mais do que #elenão, precisamos questionar as propostas de Bolsonaro

1. Educação

Para educação, o plano é criar uma Base Nacional de Comum Curricular. O candidato deixa claro que disciplinas como português, matemática e ciência serão prioridades. Além disso, a questão de gênero muito provavelmente não estará na base. Já sabemos que ele identifica isso como “ideologia de gênero”.

O que mais me preocupa é estabelecer uma Base Nacional de Currículo somente com o que o candidato acha importante e sem ouvir especialistas sobre o assunto. Não podemos esquecer que uma atitude assim tem nome: autoritarismo.

Na educação, Bolsonaro também quer ensinar empreendedorismo em todos os cursos universitário. Só que isso não faz sentido na prática. Por exemplo, faz sentido colocar empreendedorismo em um curso de teologia? Ele também quer que empresas financiem pesquisas das universidades. Só que o problema é que muitas pesquisas podem acabar perdendo sua imparcialidade. Afinal, quem financia pode acabar definindo os rumos da pesquisa.

2. Saúde

A ideia do candidato é criar um prontuário eletrônico nacional. Acho ótimo. Além disso, ele pensa em criar o projeto Médico do Estado para levar profissionais para áreas mais remotas do país. Todavia, isso é exatamente o que o programa Mais Médicos faz. Ou seja, mais uma vez nada de novo sob o sol.

3. Economia

Não é novidade para ninguém que o candidato não sabe absolutamente nada sobre economia. Ele mesmo já afirmou isso em diversas entrevistas. Por isso, não responde perguntas sobre o assunto e diz que quem vai comandar o setor será o economista Paulo Guedes.

O “guru econômico” de Bolsonaro quer reduzir os ministérios. O setor econômico será representado pelo Ministério da Economia, junção dos ministérios da Fazenda, da Secretaria Executiva do Programa de Parcerias de Investimentos e do Planejamento e da Indústria & Comércio, e pelo Banco Central.

Pode ser que você ache isso muito bom, já que frequentemente os ministérios são usados para um “toma lá, dá cá” do governo. Contudo, muitos economistas avaliam que a pluralidade de ministérios é algo positivo, uma vez que as decisões econômicas não seriam feitas somente com a decisão de uma única pessoa.

A gente sabe que isso realmente não funciona no Brasil e que, infelizmente, os ministérios são criados apenas para dar cargos políticos e garantir a governabilidade. No entanto, temos que levar em consideração que o plano de juntar os ministérios do Bolsonaro não é novo em nosso país. O ex-presidente Fernando Collor, por exemplo, fez exatamente a mesma coisa e sabemos que o resultado não foi nada bom, não é mesmo?

Paulo Guedes também pretende criar a simplificação e unificação de tributos federais, ou seja, um Imposto Unificado Federal (IUF), algo muito parecido com a CPMF. A questão que fica é: pessoas pobres devem pagar o mesmo valor de imposto que pessoas ricas? Isso não é lá muito justo, né?

4. Segurança

Entre as propostas para a segurança, Bolsonaro quer reduzir a maioridade penal para 16 anos. Contudo, será que isso realmente é eficiente? Você sabia que para reduzir a maioridade penal será necessário alterar a Constituição?

Além disso, sabemos que o sistema prisional do Brasil não possui condições efetivas de reintegrar os jovens na sociedade. Sendo assim, colocar menores dentro de uma prisão será um caminho para que eles sejam facilmente aliciados pelo narcotráfico. Não seria mais interessante educar do que punir?

Afinal, a educação pode ser um grande aliado para combater o crime. Além disso, o Brasil possui a quarta maior população prisional do mundo, segundo o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen), e a redução da maioridade penal elevará ainda mais o número da população prisional e os gastos do governo, que poderiam ser enviados para a educação.

Outro ponto de destaque do programa é a mudança no estatuto do desarmamento para garantir que o cidadão possa ter legalmente o porte de arma. Questiono se realmente estaremos seguras com isso. Os Estados Unidos, por exemplo, que dá o direito que o cidadão tenha porte de arma, têm a maior taxa de homicídios com armas de fogo do mundo, segundo os dados do FBI. Em 2016, o país teve mais de 11 mil assassinatos com arma de fogo.

Será que isso realmente funcionaria em nosso país? Fico pensando em como seriam as brigas de trânsito no Brasil. Como seria para uma mulher que sofre com violência doméstica e não teria recursos suficientes para comprar uma arma?

Além dessas proposta, Bolsonaro coloca em seu programa outra medida para combater o crime. “Policiais precisam ter certeza que, no exercício de sua atividade profissional, serão protegidos por uma retaguarda jurídica”. Ocorre que isso já acontece no Brasil. O artigo 23 do código penal já garante que “não há crime quando o agente pratica o fato:  em estado de necessidade;  em legítima defesa e em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito. Ou seja, não é realmente uma proposta, pois isso já existe.

Outra proposta para a segurança é fornecer melhores equipamentos para a polícia. Até aí ok, mas quais são as medidas concretas para isso? Quanto custará os equipamentos e quem irá pagar? As respostas não aparecem no plano de governo.

5. Corrupção

O programa quer colocar em ação as “10 medidas contra a corrupção”, do Ministério Público Federal. Até aí tudo bem, mas como podemos realmente confiar em uma pessoa que se diz contra a corrupção quando ela empregava uma servidora fantasma com recursos da Câmara dos Deputados?

Talvez você afirme “mas ele explicou que a Folha de São Paulo não investigou corretamente e que ela estava de férias”. Ok, mas por que logo depois da denúncia ele demitiu a funcionária? Se tudo estava correto, por que a demissão?

6. Liberdade de expressão

“Somos defensores da liberdade de opinião, informação, imprensa, internet, política e religiosa”, afirma o programa. Entretanto, o candidato pretende acabar com “ideologias” nas escolas, ou seja, um professor não poderá se expressar livremente para ser um mediador do conhecimento.

Exemplificando: um professor de filosofia que precisa apresentar dois filósofos, um com pensamento mais de esquerda e outro de direito, para que o aluno possa construir seu próprio pensamento crítico, não poderá fazer isso. Já que qualquer filosofo de esquerda poderá ser enquadrado como ensino de “ideologia”.

Também devemos lembrar que Bolsonaro afirmou em um discurso no Acre “vamos fuzilar a petralhada”. Nesse sentido, podemos concluir que para ele liberdade de expressão só ocorrerá quando um discurso está de acordo com o que ele pensa.

Qualquer contradição não deverá ser aceita. Devo lembrar, querida eleitora, que esse discurso pode ser facilmente enquadrado em qualquer oposição ao governo Bolsonaro, mesmo que seja uma oposição de direita, mesmo que seja você questionando seu próprio presidente.

7. Mulheres

O plano de governo não atende qualquer pauta reivindicada pelas mulheres. O plano somente apresenta um dado sobre o número de estupros do Brasil, mas não apresenta qualquer solução para isso.

Também não aborda um projeto para garantir que as empresas respeitam o que diz a Constituição Federal sobre salários iguais entre homens e mulheres, que atuam no mesmo cargo, e não conta com um projeto para combater a violência doméstica. Nesse sentido, devemos entender que as pautas das mulheres não serão prioridades em um governo Bolsonaro.

#elassim

Para finalizar, quero deixar claro, se você chegou até aqui e ainda quer votar no Bolsonaro, respeito seu voto! Só quero lembrar que questionar é algo fundamental dentro de um processo eleitoral de uma democracia. Não podemos esquecer que precisamos pensar em um projeto de governo que realmente seja efetivo para o Brasil e que dentro do projeto do Bolsonaro há fragilidades muito grandes para ser tratado como salvador da pátria.

Vamos conversar sobre isso? Clique aqui e dê sua opinião!

Imagem: Reprodução / EGNews

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