Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Se eu me esforçar, ainda me lembro da angústia que era me pesar todos os dias. A vibe do meu dia dependia do número na balança e cada grama fazia diferença. Eu mensurava meu sucesso e minha felicidade pela forma como eu comia. Sim, eu ignorava todas as áreas da minha vida – profissão, relacionamentos, saúde, espiritualidade, família – e só uma coisa importava: meu peso e minha vontade de emagrecer.

Se você engordou recentemente ou está pesando mais do que gostaria, eu não vou falar o que você já sabe. Não vou falar que precisa de disciplina, força de vontade, fechar a boca, escolher os “os alimentos certos”. Você já está cansada de ouvir isso e você já conhece toda a cartilha de cor.

Eu sei que muitas pessoas – mesmo as que não tem transtornos alimentares – brigam com a aparência.

Nós vivemos em um mundo que exalta o “corpo saudável”, entre aspas porque como eu sempre digo existem pessoas gordas saudáveis e não, existem pessoas magras saudáveis e não. Você não mede a saúde de alguém pela aparência. Fecha parênteses. E por mais que pareça uma preocupação com saúde, bem-estar e beleza, a cultura de dietas se baseia na culpa.

Culpa pelo prazer de uma sobremesa gostosa.

Culpa pelo tamanho da sua roupa. 

Culpa por ter celulite, estria e rugas.

Culpa por ter um corpo.

Nós vivemos em um mundo criado pela indústria de dietas, e mesmo quem não faz dieta, tem a mentalidade e a linguagem de dietas. É um mundo fabuloso em que somos incentivadas a valorizar o que não temos, o que não somos, o que não podemos ter e ser. Eles nos fazem sentir culpa e nos vendem “a solução”.

Não é natural falar de coisas que a gente vive e sente o tempo todo: medo, desejo de conexão e desejo, mas é normal falar do que não se deve e no que se pode comer. Nós não falamos de sonhos e frustrações, mas nós falamos de carboidratos e proteínas. Vai entender…

Mas o que acontece quando você cansa de esperar o emagrecimento pra se permitir ser feliz? O que acontece quando você já fracassou tantas vezes em dietas que perdeu a fé em você mesma? O que acontece quando pra cada dia em restrição você passa um dia em compulsão? Como se amar em um mundo que faz do seu peso a medida do seu valor?

Eu acredito que o ganho de peso na era das dietas é uma das batalhas internas mais difíceis de encarar.  É muito fácil entrar num ciclo de comer > > sentir culpa > engordar > ficar triste > comer porque está triste > sentir ainda mais culpa > engordar… Bom, você entendeu. 

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Eu não consigo evitar, comer é meu hobby

Além de lidar com todas essas suas batalhas internas, a frustração, a vergonha do corpo e a culpa por não ter “força de vontade”, às vezes ainda temos que lidar com o julgamento das pessoas, a “preocupação” delas com nossa saúde, com as roupas apertadas e o medo de nunca conseguir sair dessa.

Então como cuidar de você e não entrar nessa espiral de tristeza, culpa e autossabotagem quando você percebe que engordou?

Com certeza não é se odiando, se criticando e se julgando o tempo todo. É impossível se tratar com rigidez e desprezo na intenção de se tornar um ser humano feliz e autoconfiante. I-m-p-o-s-s-í-v-e-l. Quanto mais você se critica, mais você sente vontade de comer, então, certamente o caminho não é esse.

Continuar tratando esse problema no nível de comida, açúcar x gordura é persistir em um erro. Continuar achando que é questão de força de vontade é ilusão. A fome que você sente não é e nunca foi de comida. O que você realmente quer é um relacionamento profundo e íntimo, de paz e cumplicidade com você mesma. E talvez você não tenha nem ideia de como conseguir isso e dúvidas se isso sequer é possível e eu te garanto com toda certeza que é a melhor coisa do mundo e a maior sensação de leveza que você vai experimentar.

Mas engordei, e agora?

Veja aqui 3 atitudes simples para transformar sua relação com seu corpo!

1. Mate sua fome de vida

É aprendendo a viver com você, na alegria e na tristeza, na gordura e na magreza que você se liberta da ansiedade, da compulsão e da autoestima falida.

Não existe nada de errado com você, você não é um problema a ser resolvido e não está vivendo isso a toa. Você tem lições pra aprender aí e quanto antes você começar, mais rápido você vai se tornar quem você nasceu pra ser.

Você não nasceu pra se esconder em roupas largas (nada contra roupas largas, o problema é o esconder), não nasceu pra ficar em casa no final de semana por vergonha do seu corpo, não nasceu pra engolir suas ideias com comida. E você não quer mais isso. Não quer mais uma vida pequena, você tem fome de vida, seja lá como for que você vê a vida.

Cada pessoa tem um jeito de se saciar e se preencher. Seja com relacionamentos, com viagens, com música, sendo mãe, com sucesso profissional, sorrindo mais, ficando mais tempo na natureza, conversando com pessoas. O bom da vida é que você pode escolher como quer que ela seja.

2. Exerça seu direito de ser você

Você é você. Não adianta tentar não ser, não adianta ignorar o corpo que você tem hoje. Você não precisa ter o nariz fininho, os cabelos lisos, lábios grossos, olhos claros e rosto alongado para ser linda. Também não precisa ser loira, ter barriga chapada ou pernas finas. A beleza não tem um jeito só. Você não precisa se cobrar tanto pra ser melhor ou diferente. Você precisa incorporar quem você é hoje com alegria, leveza, curiosidade, confiança e amor.

A compulsão tem um papel na sua vida, como teve na minha e tem na de milhares de mulheres. Pra mim, ela mostrou a diferença entre quem eu era e quem eu queria ser. Cada vez que eu me atacava com comida, era um sinal de que eu estava no caminho errado, longe de mim e me distanciando cada vez mais. Era um grito, um pedido de socorro “olha pra mim, olha pra mim”.

Eu demorei tempo demais pra descobrir isso, e quando eu não tinha mais pra onde fugir – já que eu não conseguia ficar sequer dois dias em dieta e esse era o único jeito que eu achava que existia pra emagrecer – eu voltei pra mim e comecei a ser quem eu era, não quem eu achava que tinha que ser. Não a fantasia que eu tinha de mim mesma. Mas eu euzinha mesmo. Eu comecei a viver quando parei de esperar o emagrecimento para ser feliz.

3. Tenha pressa

Não se desespere, mas tenha pressa de ser feliz independente do seu peso. Tenha pressa de viver com leveza, liberdade e alegria. Tenha pressa de encontrar suas respostas (e elas não estão na quantidade de comida ou horas de academia que você faz).

Tá, você engordou. Tá, é uma batalha interna, é difícil, dá medo, dá desespero até às vezes. A gente acha que só a gente passa por isso, só a gente não consegue. Mas você chegou a esse texto e ele é um chamado, um wake up call. Agora você sabe que não é fácil mas que você tem escolha. Até não escolher é uma escolha.

Pare de confundir seu corpo com quem você é. Eu sei, eu já fiquei assim muitas vezes. Mas eu não tinha ninguém pra me dizer o que eu digo pras minhas alunas todos os dias e estou te dizendo agora: não sinta culpa por existir. Você pode comer. Você pode ser você. Você pode envelhecer, ter estrias, celulite. Você pode ser humana e habitar seu corpo. Você tem o direito de existir no corpo que você tem hoje, sem gastar todo seu tempo, energia e dinheiro para mudar ele. Sucesso, beleza e saúde não se mede em quilos e você pode tudo independente do seu peso.

E se quiser mudar seu padrão de pensamento e parar de fazer dietas! Marque uma conversa comigo aqui.

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Imagem: Pinterest

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