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Essa semana ouvi uma reclamação – dentre as várias que ouço – de uma aluna, sobre o número de trabalhos que TODOS os professores passaram para a turma, dizendo ainda que sentia que não estava vivendo, porque era só estudar para provas e fazer trabalhos.

Conversando com ela, fizemos as contas e pudemos constatar que apenas 2 dos 7 professores da turma tinham passados os criticados trabalhos. Pedi que ela refletisse com calma, pois era provável que o problema dela não era acúmulo de trabalho, mas a má gestão do tempo dela.

Sugeri que ela começasse a checar o tempo que ela dedica nas redes sociais.
Saí pensativa na universidade: tem tempo – leciono desde 2012 – que ouço as reclamações dos alunos por terem que estudar.

A palavra ganha contornos pejorativos e falar em fazer trabalho é pedir para ouvir reclamações. Não querem trabalho em grupo, mas atualmente todos devemos saber trabalhar em equipe.

Não querem apresentar seminários – porque não querem falar e perdem a oportunidade de treinar a oratória, bem como, não prestam atenção devida nos trabalhos apresentados pelos demais grupos – aliás, seminários parecem mais estelionato educacional.

Aí chega o final do curso, chega a monografia e não sabem apresentar suas ideias de forma lógica e concatenada. Chega a hora de trabalhar, não sabem atender uma pessoa, explicar os direitos, os processos e procedimentos.

Uns falam que somos a sociedade da informação.

Outros, dizem que estamos na era do conhecimento.

Seja um, seja outro, a realidade é que não será possível ser um bom profissional sem estudar e refletir sobre o que leu e pesquisou.

Mais ainda: reclamar que tem que estudar num país com cerca de 11,3 milhões de pessoas com mais de 15 anos analfabetas (dados do IBGE divulgado em junho de 2019), onde pessoas se endividam para conseguirem estudar, seja colégio ou faculdade privada, soa tão egoísta e injusto quanto reclamar do seu patrão quando tem trabalho (excepciono os casos de empregos com casos de abuso ou trabalho escravo, lógico).

Parece o mesmo tom daquele Procurador da República que chamou de “miserê” seu salário de cerca de R$ 24.000,00, num país com mais de 12 milhões de desempregados e uma massa de pessoas que vivem com até dois salários mínimos (o salário mínimo nacional é de R$ 998,00).

Thich Nhat Hanh, em sua obra “The art of mindful living” (1992) disse que: “Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho” (não, essa frase não é de Mahatma Gandhi).

A ideia de que felicidade está no percurso, que devemos aproveitar a vida na sua plenitude, somadas com as considerações acima leva-me a seguinte ponderação: quem disse que estudar não é viver? Quantas criações, quanto conhecimento foi produzido por infindáveis horas de estudo, de pesquisa e de reflexão?

Se o conhecimento é libertador e emancipador, não posso pensar numa vida sem estudo, ainda que não seja o estudo formal, em escola, em universidade – aliás, muito do que estou aprendendo hoje é com conversas com amigos nas redes sociais, nos grupos de Whatsapp, um café com algum colega de trabalho e com cursos livres.

Estudar é parte significativa de viver.

E pensar de forma diversa é apenas colocar em si as viseiras que bloqueiam uma visão mais ampla do mundo.

Parafraseando – e parodiando o autor – assim como não existe caminho para felicidade, pois a felicidade é o próprio caminho, creio que: Não existe vida sem o estudo, estudar é também viver, é também aproveitar a vida e livrar-se das amarras que a ignorância colocam para enclausurar as pessoas. E pensar assim torna a vida mais satisfatória e leve, mais agradável.

Dificuldade não é ter um trabalho para fazer.

É você ser cego e não ter o mesmo acesso às obras que uma pessoa com visão. Dificuldade não é ter que estudar para uma prova. É não ter um professor para lhe auxiliar a mensurar como está seu aprendizado e onde você precisa melhorar.

Dificuldade não é ter que levantar cedo ou chegar muito tarde em casa, por causa da aula. É não poder estudar o que você quer ou gosta por falta de recursos financeiros que permitiram isso.

E lembremo-nos: existem períodos na vida que outras áreas nos são mais exigidas – saúde, trabalho, família. Nessas horas, faça o seu melhor com o que você dispõe no momento.

Você não precisa tirar nota 10 em tudo. Você só precisa parar de reclamar e não ser medíocre, buscando conquistar tão somente a nota média em todos os trabalhos. Quando possível, seja melhor. Quando não der, faça o necessário.

Imagem: Unsplash

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