Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Eu tentei caber, juro. Tentei prender a respiração, me encolher, abaixar a cabeça, mas o espaço era insuficiente a qualquer custo, ele só podia me ceder o porão, e eu, só caberia na sala – onde há sol e luz o dia todo.

Minhas amigas insistiam em dizer que “eu era mulher demais pra ele”, ou que “ele não me merecia”, mas eu não enxergava, meus olhos cegos de amor me faziam crer que ele só tinha o porão, que o espaço na casa era pouco e por isso não cedia mais.

Que grande engano.

Eu que sempre fui livre, cheia de sonhos, focada em realizações e fã número um do amor liberto, tentei tirar tudo que podia de mim pra caber ao lado dele no canto apertado e sem ventilação. Pensei em ceder meus sonhos, em não ser tão boa pra que o ego dele não fosse ferido, aceitei que os erros e as brigas seriam minha culpa, e mesmo assim eu ainda não cabia.

Tentei ser menos adulta, tirar meus problemas reais pra dar espaço aos dramas dele, moldar minha personalidade para ser mais compatível com a expectativa dele, e então comecei a caber. Percebi que quanto mais eu cabia no canto apertado, mais ferida e sem perspectiva eu ficava, sentia minha alma murchar feito flor sem sol, sentia o ar cada vez mais tóxico e a respiração cada vez mais difícil, sentia que aquele amor me privava de tudo que eu mais amava, e cheguei até a cogitar a hipótese do amor ser egoísta.

Passei por cima de todas essas desmotivações e prossegui analisando o que mais eu poderia abandonar para caber ali, em seguida, percebi que ele não pretendia ser exclusividade pra mim, mas eu deveria ser pra ele. Não aceitei e por consequência ouvi que eu era estressada, cheia de regras e que sempre inventava os mesmos problemas, afinal, ele alegava até o fim que me cedia o melhor espaço da casa e que era tudo que tinha. Entendi que eu era grande demais para o espaço, profunda demais pra uma alma superficial compreender, e mulher demais pra ele – como já diziam minhas amigas.

Abandonei a casa, e claro, ele fez questão de dizer aos quatro ventos que me pôs pra fora, pois eu era maluca (típico argumento de quem não tem argumentos). Como toda nova jornada, tive medo nos primeiros passos e senti falta de um teto me abrigando nos dias de chuva, mas com o tempo, passei a ver graça em me molhar, percebi que em dias de chuva intensa sempre há alguém com um guarda chuva para dividir, que sempre há um abraço amigo nos maus dias e que a respiração do lado de fora flui fácil.

Esses dias vi que uma moça coube ao lado dele, e eu torço pra que ele tenha cedido mais espaço à ela, e não que ela tenha se feito caber no canto apertado que ele dizia ser o único espaço possível.

Descobri semanas atrás que posso ser incrível no que faço, posso ser intensa nos meus sonhos, bem-sucedida na carreira que tenho e fica a cargo do outro decidir se tem espaço pra alguém como eu. Caso não tenha, “move on!”.

Imagem: Pexels

@ load more