Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Poderia botar a culpa da minha barriga na idade, que aqui já passa dos 30, a vida sedentária já que trabalho em casa e meu dia se resumir a partos, correr atrás da minha filha, limpar a casa. Poderia culpar o lanche que comi de janta ontem, com porção de fritas crocantes e até mesmo a atual obesidade e briga com a balança. Poderia culpar a minha gestação que veio com um combo de ansiedade e depressão, quando saí dos meus 74kg e cheguei aos assustadores 100kg. A gestação foi o menor dos problemas, depois do parto entrei em desespero e decidi que precisava realmente emagrecer, ou nunca mais seria amada por ninguém ao não ser minha filha. Foram dois anos me odiando.

Dois fucking anos me olhando no espelho e vendo meu corpo mudado, gordo e me sentindo absurdamente solitária. Parei de comer direito. Fiz toda sorte de dietas malucas que você pode imaginar. TO-DAS. Até chegar o dia que coloquei no papel, já havia perdido 37kg, não tomava café da manhã, não almoçava ou comia um tomate no almoço… me forçava a andar o máximo de tempo possível todos os dias. Continuava me sentindo gorda, continuava insegura ao me relacionar com outras pessoas, continuava sem sair para dates. Adoeci.

Chegou um ponto que eu comia e passava mal, numa sensação de semi-morte, visão turva, tonturas, náuseas. E foi aí que meu peso começou a aumentar de forma assustadora. Um, dois, até 3 quilos a mais de um dia para o outro. Sim, eu me pesava todos os dias, me tornei escrava da balança. Não sei o que mudou, nem como mudou. Acontece que um dia passei a me ver com mais carinho. Queria um corpo magro mas com a cabeça saudável. O lance é que eu sempre tive barriga. Hora mais, hora menos. Mas sempre tive, sabe?

Na adolescência fazia abdominais todo dia, montes delas… tentando me livrar da dita cuja. Meu apelido em casa era “gordinha”. Era assim que me via, ouvia sempre quase diariamente da minha avó que gente gorda não é amada, gente gorda não tem bons empregos, gente gorda não tem amigos, gente gorda não era nem de longe a imagem de gente de sucesso. Cresci ouvindo isso. Daí, com as muitas abdominais, ganhei a barriga “bunda” que se resumia à minha barriga de sempre com uma marcação forte no centro, de alto a baixo. Continuava sendo a gordinha.

Eu tinha barriga mesmo quando o manequim era 38 e meus ossos do quadril eram evidentes. E ta tudo bem isso. É meu corpo, é a pegadinha dele desde sempre. Por que me odiar a vida toda por conta de uma característica do meu corpo? Até quando eu iria levar adiante esse ódio pelo meu corpo, principalmente agora que era mãe de uma menina incrível? Pra mim, agora, é inaceitável passar para frente essa herança de desamor que recebi e que me perseguiu por toda a vida.

“Eu queria mostrar meu corpo!”

Vi que as moças da revista sem Photoshop tem barriga. As MODELOS belly fitness com a luz e ângulo que não favoreçam também.
Eu tenho barriga e você que me lê talvez também tenha, mas ó, isso não nos deprecia em nada e é importante que você SAIBA MESMO disso. Nosso corpo, independente do formato merece ser tratado com carinho e ser motivo de orgulho.

Nossa barriga não nos faz menos nada:

Não nos faz menos interessantes
Não nos faz menos corajosas
Nem menos sexy
Nem menos amadas
Nem menos queridas
Nem menos necessárias
Nem menos desejadas
Nem menos importantes

Caso não tenham te dito isso hoje ainda: Você é uma pessoa espetacular e atraente. Tenha ORGULHO de quem você vê no espelho, ponha roupas que não escondam suas curvas, isso vai te fazer BRILHAR e ser inspiração e motivo de orgulho de muitas outras pessoas que buscam por isso: Se ver em gente de verdade. Não aceite menos que isso vindo de ninguém. Amor não se mede em centímetros ou colocamos na balança.

Imagens: Giphy


Agora que você já leu esse texto incrível sobre ter ou não a barriga chapada, que tal ajudar uma usuária no Clube Superela?

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