Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Eu preciso trazer ao conhecimento de vocês, esse filme. É até muito desafiador falar sobre ele, dada a minha reação ao assisti-lo. Começo ressaltando que uma escolha por um cabelo alisado não é absolutamente um problema caso você tenha optado por isso. E não é mesmo. A questão é como chegamos a essa escolha, baseadas em quais argumentos. É uma construção social? Ou é uma escolha puramente de quem a faz? Difícil dizer, né? Eu sei e sei por experiência própria.

O problema todo é como quem nasce com o cabelo crespo é criadx. Quem nasce crespx/cacheadx sabe que o cabelo vira uma questão frágil. Além daquela ideia de que o cabelo liso “É MAIS ARRUMADO” do que o crespo, entre outros absurdos que crescemos ouvindo, o problema é crescermos tendo apenas um modelo a ser seguido, apenas uma noção reconhecida e aprovada de beleza.

Crescemos com a noção de que precisamos nos modificar para sermos aceitas, tidas como atraentes e notoriamente bonitas. Aprendemos que necessitamos nos desfazer de algo que nasceu conosco para então, e somente assim NÃO SERMOS REJEITADAS. Eu cresci sendo chamada de Medusa (entre outros apelidos “bondosos” referente ao meu cabelo), uma figura da mitologia grega, e esse apelido nada tem a ver com sua história, era pelo simples fato de eu ter cabelos crespos e a medusa ter sua cabeça tomada por cobras.

Eu cresci achando que eu era a única pessoa a ter esse cabelo, uma diferença que pra mim era uma maldição, e isso é cruel. Assim como crianças podem ser. E claro, adultos também, afinal a Internet é o local mais propício para demonstrações não só de preconceitos como da crueldade humana. E podemos entender claramente o grau desses padrões e as diferentes formas como a sociedade resolve falar e demonstrar isso.

Cabelos crespos não eram representados, expostos em filmes e revistas, quem nascia crespa não tinha modelo de identificação. Era impossível nos vermos em qualquer meio de comunicação e isso era primordial para decidirmos então alisar nossos fios. O mais bizarro é que vivemos em um país que nem de longe alimenta padrões que condigam com sua população, somos uma mistura de raças, cores, texturas, belezas. E mesmo assim, os padrões são nórdicos. Uma piada. Até que os tempos começaram a mudar. E com ele, cada vez mais a resistência dos excluídos está sendo reconhecida.

A transição capilar felizmente foi lançada e começou a se espalhar pelo mundo. Muitas mulheres desistiram de continuar colocando química em seus cabelos. Muitas pessoas resolveram se (re)conhecer de novo, se reencontrar. Descobrir seu cabelo real, e começar uma nova fase em suas vidas nas quais é totalmente possível ser quem se é NA ESSÊNCIA. É uma aventura, e por experiência própria eu te digo, é um divisor de águas, é se livrar de um peso. O big chop é o seu grito de liberdade. E pra quem não sabe o que é big chop, é o corte que tira totalmente a química do cabelo de quem a usa. Ser quem se é, é liberdade. Crespa, cacheada ou alisada. A escolha é sua, mas preste atenção quais as razões que estão te levando a escolher a forma como usa o seu cabelo.

Felicidade por um fio

O filme trata da história da publicitária perfeccionista Violet Jones (Sanaa Lathan). Ela aparentemente tem uma vida impecavelmente perfeita, até que um incidente com o seu cabelo desenrola outros incidentes e a faz perceber que a vida que ela estava vivendo não era a vida que ela realmente queria. E que certas atitudes tinham as motivações erradas. Ao acordar TOTALMENTE diferente depois de uma noite de bebedeira, ela embarca em uma verdadeira jornada de autoconhecimento.

Em vários momentos do filme, você provavelmente assim como eu, vai sentir um soco no estômago. Vai reconhecer situações como recorrentes em sua vida. Vai parar, respirar fundo e vai continuar (re)conhecendo várias passagens da vida dela como suas. É impactante, e é meio que um alívio descobrir que tantos medos que você mantinha só para si mesmo, não eram só seus. A vida é tão maravilhosa, vocês também. De qualquer jeito. Mas seguras de si, porque não há motivo pra ser de outra forma.

Assistam! Vocês não vão se arrepender.

Imagem: Reprodução / Netflix

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