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O que você procura?

É normal para uma mulher ouvir, em pleno século XXI, que o feminismo é pura vitimização. “Estamos em uma geração mimimi. O machismo não existe”, muitos dizem. Porém, diversas situações provam o contrário. De menina a moça, sim, todas nós precisamos dele. A prova disso (mais uma) são as acusações contra o médium João de Deus.

Para quem não o conhece, João Teixeira de Faria é um dos médiuns mais famosos do Brasil. Nascido em Cachoeira da Fumaça (interior de Goiás), ele atualmente reside e trabalha em Abadiânia (também em Goiás), na Casa Dom Inácio de Loyola, fundada pelo mesmo. Para se ter ideia, ele já recebeu em seu hospital espiritual milhares de celebridades. Dentre elas, Xuxa, Luciana Gimenez e Naomi Campbell. Já atendeu, também, os ex-presidentes Dilma Roussef, Lula e Bill Clinton.

Com o tempo, ele foi ganhando fama devido aos seus dons sobrenaturais até que, como em um pulo, atingiu a fama internacional ao ser entrevistado por Oprah Winfrey em 2012. Muitas pessoas (e celebridades) procuravam-no (e ainda procuram) em busca de curas para problemas de saúde, físicos e, claro, espirituais.

O machismo disfarçado de crença

Porém, neste sábado passado, dia 08/12/18, sua fama pareceu tomar outro rumo. Ocorre que, durante o programa Conversa com Bial, da rede Globo, 13 mulheres contaram suas experiências com João de Deus e, acredite, os relatos são terríveis.

Sim, elas, e milhares de outras pessoas (inclusive sua própria filha) que tomaram coragem para denunciá-lo após essa exposição, afirmam que foram abusadas sexualmente pelo medium. De crianças a adultas, muitas moças foram vítimas de um machismo velado e, pior que isso, de uma crença que deveria servir apenas para o bem.

Acontece que João de Deus se aproveitava de suas consultas particulares para abusar dessas pessoas. O comportamento variava. Desde mandar uma menina de 13 anos tirar suas calças porque no centro só eram permitidas roupas brancas e tocá-la, até estuprar vítimas como sua própria filha e ameaçá-la depois.

Mais uma celebridade “blindada”

As acusações ainda estão sendo estudadas e, a cada dia, novas denúncias chegam ao Ministério Público. Para se ter ideia, só até a segunda-feira, dia 10/12, foram computados 40 relatos contra João de Deus. E como se isso não bastasse, sua filha conta que, durante toda a vida, foi ameaçada “pelos capangas de seu pai” a não contar nada sobre o abuso. Aliás, não só ela, mas diversas outras vítimas. Ele usava argumentos como “eu sei onde sua família mora, vou matar um a um”, e coisas do gênero.

Aí vai um dos depoimentos, dado pela coreógrafa Zahira Lieneke Mous. É só clicar aqui. Em um momento do vídeo, seu relato me tocou bastante. Ela desabafa:

“Você está sendo manipulada a acreditar (…) Isso está tão longe de ser uma cura. (…) Você é arrastada pra dentro disso. Não sei quanto tempo passou, ele me puxou para o banheiro de novo. (…) Ele me penetrou por trás, não consigo nem descrever.”

A defesa de João de Deus

Para quem não sabe dessa regra (eu mesma a descobri tem pouco tempo), apenas o relato de abuso sexual já consta como prova consistente no caso. No entanto, João de Deus permanece atendendo enquanto o processo caminha. Seus funcionários afirmam que muitas das denúncias são “inconsistentes” e que ele está muito triste com tudo isso.

E por que precisamos do feminismo?

Será que precisamos desenhar agora? Um homem aproveitou da fragilidade de várias mulheres para atender os próprios prazeres e, depois de tudo, ainda ameaçava algumas delas a não contarem nada a ninguém. No dia a dia, tentamos buscar conforto e segurança em autoridades que, constantemente, questionam nossas atitudes.

“Por que você estava caminhando pela rua à essa hora da noite”. “Por que bebeu tanto?”. “Que roupa você estava usando?”. “Porque ficou sozinha com ele?”. Todas essas perguntas são feitas a uma mulher que acaba de se abusada. A maioria dos policiais não ajuda. Nem professores, nem parentes. Nada. É um silêncio.

Aquele tio tarado que te apalpa nas festas de fim de ano. “Ah, ele é assim mesmo, você que está vendo coisa onde não tem nada de mais”. É aquele amigo do seu irmão que te olha de um jeito estranho. É aquele médium que se aproveita da sua fragilidade. É aquele chefe que só te dará um aumento se você fizer o teste do sofá. É aquele taxista que, durante uma viagem pela madrugada, fica colocando as mãos na calça.

É aquela constante ameaça que todas nós sentimos, todos os dias. A culpa não está em nossas roupas, nem nas atitudes. A culpa não está nos drinks que tomamos, nem nas maquiagens que usamos.

Muitas das vítimas de João de Deus sequer tinham esses traços. Pensem nisso.

Imagem: reprodução

 

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