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Acabando sendo deixado de lado, muitas vezes desconhecido e quase sempre distorcido, o Feminismo Liberal é uma tradição perdida do feminismo. Ela é deixada de lado mediante a tantas novas vertentes e a visão mais voltada a esquerda do movimento.

Feminismo Liberal, ou LibFem, como muitas vezes é chamado, foi uma das primeiras vertentes do feminismo. Não no sentido de movimentação, como deve-se imaginar, mas no sentido de que as primeiras mulheres que se declararam feministas eram liberais.

Muita gente não entende o sentido de liberal, maioria vê como o sentido semântico da palavra, na ideia de “liberar geral”, mas, na verdade, o feminismo liberal vem de Liberalismo.

Segundo o site Infoescola, liberalismo é: Liberalismo é o nome dado à doutrina que prega a defesa da liberdade política e econômica. Neste sentido, os liberais são contrários ao forte controle do estado na economia e na vida das pessoas. Em outras palavras, o liberalismo defende a ideia de que o Estado deve dar liberdade ao povo e deve agir apenas se alguém lesar o próximo (conhecido como Princípio do Dano). No mais, em boa parte do tempo, as pessoas são livres para fazer o que quiserem, o que traz a ideia de livre mercado. O liberalismo surgiu da concepção de um grupo de pensadores imersos na realidade da Europa dos séculos XVII e XVIII.

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Não pise nas garotas!

As primeiras feministas que temos notícia são: Mary Wollstonecraft e Olympe de Gouges, ambas liberais. Ambas viveram durante o século XVIII, sendo Mary uma escritora inglesa e Olympe uma dramaturga francesa. Uma das obras mais importantes de Wollstonecraft foi The Vindication of Women’s Right, já de Olympe foi Declaração dos Direitos da Mulher Cidadã.

Inclusive, deixo com vocês um trecho do manifesto de Olympe de Gouges:  Mulher, acorda! A força da razão faz-se ouvir em todo o universo: reconhece teus  direitos. O poderoso império da natureza já não está limitado por preconceitos, superstição e mentiras. A bandeira da verdade dissipou todas as nuvens da parvoíce e da usurpação. O homem escravo multiplicou suas forças, precisou recorrer às tuas (forças) para romper seus grilhões. Tornado livre, ele fez-se injusto em relação à sua companheira.  

Depois de Olympe e Mary Wollstonecraft, o Feminismo Liberal só cresceu, estando entre as  sufragistas e abolicionistas. Harriet Tubman, uma mulher negra americana abolicionista, é um grande referencia de Feminismo Liberal de primeira onda.

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Mas, afinal, o que defende o Feminismo Liberal? Ele defende que a mulher é um ser plenamente capaz de expressar suas escolhas e capacidades, devendo buscar livremente a equidade com o gênero masculino através de suas próprias ações, sem desconsiderar o direito de livre associação, se assim necessário ou desejado.

Além disso, o feminismo liberal busca também obter a efetividade desta liberdade e expressão equânime de capacidade através de reformas legais e políticas sempre que houver disparidade de tratamento jurídico ou social entre homens e mulheres que coloque estas em posição de desvantagem. As desigualdades, portanto, recaem no tratamento social dado às mulheres e não em questões inatas relacionadas ao gênero.

Pela antiguidade, o termo feminismo liberal abrange tanto as primeiras manifestações por reformas legais por equidade de gênero, passando por questões mais recentes, até a segunda onda feminista, como liberdade sexual e reprodutiva, igualdade no mercado de trabalho e sexismo – tratando também questões meramente culturais debatidas no feminismo de terceira onda.

Feministas liberais não acreditam em políticas para as mulheres. Para elas, o estado deve se meter o mínimo possível na vida das mulheres, tendo em vista o quanto ele já nos prejudicou, por exemplo, com a criminalização do aborto.

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O Libfem também acredita na força da independência financeira feminina para que haja uma emancipação, tendo em vista como o patriarcado se utilizou da dependência econômica feminina: proibindo o direito a ter um trabalho, bens e dinheiro, fazendo com que elas ficassem dependentes de um homem para viver.

Ao contrário do que as “lendas” contam sobre as feministas liberais, elas não são responsáveis pela “Marcha das Vadias”, tendo este sido um movimento de união entre várias feministas de diversas vertentes. Também não vemos xingamentos como “puta” e “piranha”, assim como nudez como forma de empoderamento. Na verdade, acredita-se que cada mulher sabe o que é empoderador para si, porém, dentro da vertente, nenhum desses comportamentos é incentivado ou visto como “bonito” – de forma com que haja um respeito da liberdade de expressão e a livre associação das moças.

Por fim, para estudar um pouquinho mais sobre Feminismo Liberal segue uma listinha de livros básicos:

  • A Vindication Of Women’s Right – Mary Wollstonecraft
  • Um Teto Todo Seu – Virginia Woolf
  • A Mística Feminina – Betty Friedan
  • A Sujeição das Mulheres – John Stuart-Mill
  • Prone To Violence – Erin Pizzey
  • Woman and Human Development – Martha C. Nussbaun

 

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