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Outro dia eu ouvi uma frase chocante que eu fiquei vários dias com ela entalada na garganta. A frase dizia que mulher que trabalha é satisfeita e não reclama, e as feministas são invejosas porque não trabalham e ficam com inveja de mulheres bem-sucedidas.

Tenho certeza que você já ouviu se não isso, algo parecido.

Esse discurso mesquinho é a representação fiel do olhar do patriarcado para com as mulheres que escolhem questionar, que escolhem não se calar diante das injustiças.

É como se devêssemos ser tratadas como crianças que quando choram dão um pirulito pra se calar. Na verdade querem que as mulheres que trabalham vivam apenas na sua bolha, tendo a falsa ideia de igualdade, “toma aí o teu emprego e cala a tua boca, porque odiamos mulheres que alçam a voz”.

É isso mesmo, falsa ideia de igualdade. Para eles está tudo bem se a mulher trabalhar, desde que se cale e não olhe além da sua caixa para não ver as milhares de outras mulheres que ainda vivem sob o julgo do machismo. As mulheres que sofrem violência doméstica, que estão presas em relacionamentos abusivos e não têm coragem de denunciar por saberem que não terão uma assistência do Estado.

Elas sabem que a violência foi naturalizada como uma simples questão de casal.

Não querem que mulheres que trabalham e já se sentem livres ajudem as outras que ainda estão presas a se libertarem. Questionam, “feminismo pra quê?”, e querem nos parar a todo custo, taxando o movimento com estereótipos ultrapassados.

Pra muitos feminismo é só “pelos no suvaco”, pra essas pessoas de pensamento limitado é difícil entender que lutamos contra uma estrutura de poder enraizada há milhares de anos e que em muitos lugares a luta só está começando.

Ainda existem países onde as mulheres são vendidas durante a infância para serem esposas, existem países onde mulheres são proibidas de estudar e trabalhar, lugares em que até mesmo para assinar um documento a mulher precisa ter autorização do marido.

Em Mali as mulheres são submetidas a um ritual sanguinário de retirada do clítoris, para que não sintam nenhum prazer sexual e possam ser utilizadas apenas como objeto de prazer masculino.

Nem precisa ir tão longe, é só levantar um pouco os olhos e tentar enxergar a realidade dos outros, tenho certeza que quem quer consegue ver que muitas mulheres sofrem com as amarras do patriarcado. É possível ver sexualização precoce, prostituição infantil, mulher sofrendo agressão, tudo isso sem precisar sair do meio em que se vive.

Eu conheço muitas que vivem quadros de violência e abuso.

Então pra deixar claro, não é nenhum ódio pelo feminismo que vai pará-lo, não são os apelidos pejorativos, as ideias simplistas e sem fundamento, o pensamento raso daqueles que nem se dispõem a pensar direito que vai parar a luta.

Essa é uma luta sem prazo para finalizar, talvez as nossas bisnetas ainda estejam lutando. Estamos cientes do que já conquistamos, e sabemos onde queremos chegar, mas enquanto não chegarmos, podem destilar ódio que servirá como combustível para continuarmos.

Enquanto houver uma mulher sofrendo agressão, enquanto tiver uma mulher passando por proibições de necessidades básicas como estudar e trabalhar, enquanto não houver equiparação de salários, enquanto o corpo feminino for visto como símbolo de sexualização e objeto de prazer masculino, enquanto todas as mulheres ainda não tiverem descobrido a força que têm, estaremos lutando, questionando e ocupando os espaços que são nossos por direito.

E como diz Audre Lorde: “Não sou livre enquanto outra mulher for prisioneira, mesmo que as correntes dela sejam diferentes das minhas.”

Então, vamos juntos manas, o futuro é nosso!

Imagem: Nicepik

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