Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Esse texto é pra você que acha que consegue fugir do amor. Leia ao som de:

http://https://www.youtube.com/watch?v=byV_czRv3iA

Crescemos em uma sociedade burguesa e um tanto preconceituosa. Esbaldamos a voz com critérios um tanto renascentistas quando o assunto é o comportamento da mulher, e nisso estou incluindo palestrantes assumidos de ambos os sexos.

Nós, mulheres, aprendemos até mesmo antes de sairmos da barriga de nossas mães o que deveríamos ser e ter. Deveríamos ter um namorado antes dos 20, um noivo antes dos 30, e um filho antes dos 40, e ai de você se desrespeitar o cronograma que foi tão habilidosamente criado para toda e qualquer geração.

E tudo estava indo muito bem com esse plano de ação até alguns séculos atrás, quando algumas poucas e boas representantes do sexo feminino perceberam que elas queriam cruzar 18 países diferentes antes dos 20, falar 8 línguas até os 30, e se amar em plenos 40.

-“Quem são essas loucas”-, os palestrantes gritavam! Você já deve ter o prazer de ter conhecido uma delas. Ela é a menina de sexta-feira passada, aquela que você conheceu naquela festa, que te deu um beijo, foi pra cama com você e saiu de mansinho antes de você se levantar, mas deixou o número na geladeira caso quisesse repetir a dose qualquer dia.

Ela é aquela sua ex-namorada que disse que ainda não estava pronta pra casar, pois ela precisava ser dela antes de ser sua. Ela é aquela sua vizinha que te liga quando precisa que você coma ela, pois confia em você pra isso. Ela é aquela sua amiga louca que tem suas próprias regras, que não liga para o que os outros pensam, e que toma como lei jamais dormir com vontade de nada. Ela é aquela mulher. Aquela que tem todo o poder e artimanhas do amor nas mãos. Mas ela não está desesperada pra usar com qualquer canalha que admire mais sua bunda do que sua história.

Ela tenta fugir do amor…

fugir do amor 2

Uma dessas loucas um dia encontrou um louco. Deixa eu te contar sobre ele.  Ele é o tipo de cara capaz de enxergar suas inseguranças e cuidar delas, vai te contar seu projeto de vida e te fazer sentir parte dele, vai perguntar sobre seus problemas, seu trabalho e o nome do seu ex-namorado. E você vai se sentir especial por isso. Não se engane! Ele repetiria isso até mesmo com sua amiga. Mas o que acontece com um louco quando encontra alguém mais louca que ele?

Eu te conto. É insano. É grito e arranhão, é tentação e sedução, é sexo ardente. Não existe hora, nem pudor, e a melhor parte é que não existem regras. Era ela e ele, só naquele momento. E o amanhã era proibido pensar. Eles não eram um do outro na vida, mas quando estavam juntos, o resto do mundo parecia entrar em estado de paralisia. Eles ultrapassaram o famoso significado de “PA”, a parceira era pós-sexo, fora da cama. Eram os novos séculos XXI, eram os ditadores da sua própria geração, comandados por seus desejos mais efêmeros.

Só que nesse mundo cor de rosa, esquecemo-nos de algo que independente do século, geração ou religião, vai sempre existir: o coração. Este mesmo! Aquele que não entende o significado de casual, aquele que você precisa explicar dez vezes que o dia seguinte nem sempre vem acompanhado com um “bom dia, adorei sua companhia”.

Aquele que sempre te dá uma apertadinha quando você diz que vai deixar pra cuidar dele quando tiver terminado de pagar a última fatura. E este, o maldito. Resolveu te passar a perna. E você, uma das loucas, se vê querendo incluir alguém na sua visita para a África do Sul. Mas o problema dos loucos dessa Era é que eles dificilmente vão entender as loucuras um do outro. E um dos lados acaba optando por parar de responder, arquivar a conversa pra depois, apagar pra não pensar… E nessa conversa em silêncio em que nada é dito, muito se é compreendido. E a passagem foi emitida para um.

Eu poderia terminar essa história dizendo que ela conheceu um africano, foram felizes para sempre, e o tal do louco morreu sozinho em meio a gatos e garrafas de rum. Mas nós não estamos falamos de clichês nacionais. Estamos falando de vida real, onde duas almas perfeitamente loucas uma pela outra decidem fazer a maior loucura que se pode fazer: fugir dessa psicose alucinante que se é amar.

Imagem: Pinterest

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