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7h50 – Um salto no tempo. Acordo já pensando no que tenho que fazer ou que não quero fazer. A ansiedade demora três segundos para chegar, mas quando chega eu já sei que vai ter que ir embora. O dia vai ser assim, não adianta me esconder embaixo das cobertas. Acho que hoje eu começo um diário.

8h15 – Consolei meus próprios pensamentos. Insolentes, insólitos ao que eu costumava ser. Graças a Deus não sou mais o que costumava ser! É possível olhar tão fundo nos olhos de alguém e saber que ela enfrenta esta batalha? Escolhi não esconder, ser quem eu tiver de ser. A pessoa por quem eu sempre fui apaixonada.

8h39 – “Quanto ao pano dos confetes, já passou meu carnaval”. Preciso levantar e ir embora.

9h10 – “Estou indo embora”. Atrasada, como sempre, mas levantei e fui. Pretendo tirar o batom vermelho mais tarde.

9h47 – A única diferença entre alguém com ansiedade e o resto da sociedade é que o resto da sociedade não precisa de fato se convencer a passar o dia com a pessoa que ela mesma é. Não é sobre se odiar, é sobre se julgar, se punir. Ser responsável pelo que outras pessoas quebraram em mim.

9h59 – Respiro fundo. O batom vermelho me permite sentir o contorno da minha boca, como se eu pensasse melhor para falar quando estou com ele. Ao mesmo tempo, nada quero dizer. Não quero estar presa em casa, escondida de minhas próprias emoções. Preciso vir, preciso encarar de frente as dores, os sustos, as incertezas. Preciso vir… e estar aqui. A sala fechada me sufoca.

10h01 – A partir de agora, o relógio avança rapidamente. Só posso prever o que pode acontecer, mas a previsão deve me preparar, não me prender.

Meio dia. Eu vou estar tão agitada quanto poderia. Vou querer ficar, ir para casa, vou ter que mexer no celular várias vezes e me garantir de que nada vai estar lá. Vou ficar triste por nada estar lá. Vou tentar me recuperar rapidamente, mas vai doer por mais algum tempo. Vou para casa, fico ansiosa porque o clima continua o mesmo e eu não sei o que vestir. Vai esfriar à noite. Vou acabar colocando algo colorido, não posso me dar ao luxo de vestir coisas que me deixem esquecer de sorrir. Mesmo não sorrindo fisicamente, vou estar mais animada. Vou sorrir com a alma.

Algumas músicas me saltam à cabeça, mas preciso ter cuidado. Uma escolha mínima que pode afetar o meu humor e estragar o trabalho de um dia. O trabalho da minha psicóloga também, o que seria regredir, desapontar, e eu sempre tive problemas com autoridade. Não, vou fazer tudo direitinho, não só para obedecer ou me curar, mas para me permitir sentir sem barreiras. Se eu não souber como sentir, terei que impor limites quando sou infinita.

Pronto. O papo de maluco começou. Deve ser porque a hora se aproxima. Nada demais, apenas um compromisso que preciso enfrentar de coração aberto. Como expor dessa maneira a sua carne e sua alma quando sabe que se aproxima de espinhos? Dor. Não devo evitá-la, ela virá. Devo me preparar para todas as suas intensidades. Não formas, isto eu nunca vou saber, é um ataque surpresa. Vou sobreviver, pelo menos é assim que procuro pensar.

Meu semblante não pode ser este, preciso estar em paz, preciso estar plena de mim. Repleta de nervosismos, junto tudo aquilo que me tensiona e solto com o vento. Largo para fora de mim e deixo a vida levar. Faz sol lá fora, um girassol não pode ficar de costas para a luz.

Poética. Ah, esta sou eu. Suave e cheia de amor. Me encontro. Tento me acalmar, mas logo desisto. Gastar esforços com isso seria perder o meu tempo e abalar meu equilíbrio. Sintonia. Deixo ondas soltas pelo ar e me conecto com aquilo que estiver na mesma frequência. Não vou me preocupar com o que não estiver.

Aqui, paro de prever. Isto é tudo que importa. Depois, eu vou apenas lidar da forma que conseguir com o que vier. Não quero pensar mais. Depois deste momento, a vida vai ser completamente nova. A rotina vai me perseguir em alguns momentos, mas eu vou achar um jeito de quebrá-la. Em outros, o dia vai ser diferente. Preciso ser forte, não porque sei o que vai acontecer, mas porque é esta a vida que quero. Ser intensa, incerta, ter coragem de manter e viver o meu amor.

10h20 – Agora que já lhe mostrei a face da ansiedade, poderia, por favor, me passar o giz amarelo?

Imagem: Pexels

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