Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Você já parou para pensar de onde surgiu o que você chama de beleza? O que é uma mulher bonita para você? Se você pensar bem a respeito, as mulheres consideradas mais bonitas são magras, brancas, de cabelos lisos e de preferência com olhos claros. Mas por que? Quem estipulou isso?

Qual o impacto desse padrão de beleza no psicológico de uma mulher que não se encaixa nele? Este artigo falará sobre essas questões e é importante que você leia, ainda que não seja atingido diretamente pela gordofobia. Somente desconstruindo conceitos e aceitando as diferenças conseguiremos chegar a uma sociedade melhor. Vamos lá?

Não é questão de gosto

Mais de pertinho pra ver os detalhes ???

Uma publicação compartilhada por Ju Romano (@ju_romano) em 27 de Mai, 2018 às 2:54 PDT

Uma das desculpas mais usadas para explicar o porque alguém não acha determinada pessoa bonita costuma ser que isso “é uma questão de gosto”.

No entanto, se você parar para refletir, perceberá que o seu gosto foi criado com base no que você vê na televisão, nas revistas, nos brinquedos e até nos desenhos que você assistia quando era criança.

Há tempos atrás não se tinha ainda uma discussão a respeito de representatividade. As mocinhas eram todas no mesmo padrão e dificilmente viam-se personagens gordos em papeis de destaque.

Gordos sempre foram retratados como engraçados pela mídia, na maior parte das vezes fazendo piada sobre o próprio peso. Na vida real isso também se repete com algumas pessoas. É como se fosse necessário “compensar” o fato de estar acima do peso sendo a engraçada da turma.

É por isso que, se você ainda não ouviu, provavelmente ainda ouvirá a frase “gosto é construção social”. Quer mais uma prova? O padrão de beleza não é igual em todos os lugares e muda de acordo com o tempo, como você pode ver nesse vídeo do Buzzfeed:

A diferença entre pressão estética e gordofobia

Toda mulher é julgada pela sua aparência, seja porque é magra demais, não tem muito peito, muita bunda ou por estar acima do peso. Por mais que esses preconceitos sejam de fato existentes e causem sofrimento, compará-lo com o que uma mulher gorda sofre é desonesto. É por isso que existe a diferenciação e se diz que gordofobia é diferente de pressão estética.

Uma mulher magra pode não se sentir bem com seu corpo por não atingir o padrão de beleza — que cá entre nós, é inatingível mesmo — ainda assim, ela não tem os mesmos problemas.

Ela encontra roupas nas lojas, ela não tem problema para passar a catraca do ônibus, não é motivo de piada apenas por estar dançando na balada, nem é julgada por comer em público (sim, isso acontece).

Muitas chegam a reproduzir o discurso sem perceber o quanto estão afetando a outra. Imagina o que uma mulher gorda sente ao escutar: “nossa, eu saí gorda nessa foto, vou apagar”. Ela provavelmente vai pensar: “ser gorda é tão ruim que ninguém quer ser ou ver uma pessoa gorda”.

Começam a surgir sentimentos como insegurança, ansiedade, depressão, baixa autoestima e outros problemas psicológicos. Muitas mulheres tiram a própria vida, como recentemente aconteceu com a Amanda.

Não é uma competição de sofrimento, é apenas uma questão de reconhecer que se você está acima do peso, não passa o mesmo que uma mulher gorda passa. No final, todas precisamos caminhar juntas para combater esse culto ao padrão que não beneficia ninguém.

Ser gordo é ruim para a saúde

O argumento mais utilizado quando a gente questiona o porquê ser gordo incomoda o outro, geralmente é a preocupação com a saúde. Mas será que as pessoas realmente se preocupam com a saúde dos gordos?

Muita gente magra também tem problemas de saúde, enquanto também existem pessoas gordas que não tem nenhum. O engraçado é que ninguém fica se preocupando com a saúde dos magros e porque com a dos gordos é diferente?

Mesmo pessoas que bebem e fumam não tem a saúde tão importante para a sociedade quanto os gordos. Isso é, no mínimo estranho, você não acha? Sem contar que tem gente que acha que gordos não se exercitam só pelo fato de que são gordos. Então toma isso, meu bem:

Além disso, o gordo ainda sofre ao ir ao médico, porque tudo o que acontece de ruim é culpa de alguma coisa relacionada ao peso. Já aconteceu comigo, eu tinha enxaqueca, dores de estômago, cansaço mental, sinais de estresse (como descobri depois).

O médico assim que me olhou e disse que o problema era a minha alimentação. Eu não sou a única. Pode perguntar para as pessoas gordas que você conhece.

Você pode ter qualquer problema, eles provavelmente não pedem muitos exames. Se você é gorda a culpa é do seu peso ou do que você come. Te encaminham para um nutricionista ou um endocrinologista.

Tem um vídeo incrível no canal Alexandrismos que eu vou deixar aqui (inclusive, esse canal todo é maravilhoso). Ele relata a experiência de uma mulher gorda que fez a bariátrica, emagreceu e depois engordou. Ela fala sobre como foram essas fases e vale a pena assistir:

Mulheres gordas em relacionamentos

A grande verdade é que é difícil encontrar uma pessoa que queira se relacionar com uma mulher gorda. Não estou falando sobre sexo, pois fetichistas tem aos montes e tem caras que não veem problemas em transar com gordas (desde que ninguém saiba, é claro).

Eu falo de se relacionar, de criar laços, um romance. Isso é difícil. Óbvio que existem exceções, mulheres gordas namoram sim. Mas, infelizmente, há muitos casos de mulheres que se submetem a relacionamentos abusivos, traições e outras situações para continuar namorando.

Afinal, quando você é rejeitada inúmeras vezes, passa a acreditar que precisa agarrar a primeira oportunidade e mantê-la até o fim. É quase como um milagre, um favor que o outro faz de ficar com você APESAR de você ser gorda.

Sim, isso é horrível. São vários os comentários que comprovam, vou citar alguns:

  • Você é linda de rosto, se emagrecesse ficaria perfeita.
  • Você não é tão gorda, pode resolver isso com esforço.
  • Você tem que se cuidar.
  • Eu não ligo para beleza, você é linda por dentro. (Oi? Então você gosta de mim só por dentro e me acha feia? Isso era mesmo para ser um elogio?)
  • Você já tentou a dieta da sopa? Pode te ajudar muito! (às vezes a pessoa nem te conhece e te fala algo do tipo, pois supõe que você tem um problema em ser gorda)

Eu sempre fui gorda, desde que eu era criança. Eu cresci sofrendo por conta da gordofobia, tentando fazer regimes, dietas e enlouquecendo a cada quilo que eu ganhava. Percebia que nos rolês da vida eu era sempre a última opção, o que sobrou.

Conforme o tempo foi passando eu fui conseguindo identificar que algumas das minhas “paranoias” não eram tão paranoias assim. A principal e mais difícil foi perceber que as pessoas tinham vergonha de se relacionar comigo.

Quando me diziam que gostavam de mim, mas não a ponto de namorar ou então que não estava preparado para um relacionamento, geralmente significava que a pessoa gostou de ficar comigo, mas namorar uma gorda já é demais. Opa, olha a gordofobia aí.

Óbvio que pode acontecer mesmo de você encontrar uma pessoa e ela realmente não estar preparada para um namoro. Entretanto, eu fui percebendo que isso se repetia demais e não só comigo, com outras mulheres gordas também.

Às vezes a pessoa aparecia namorando uma semana depois. Com uma mulher magra, obviamente. Quando surgiu o debate sobre a solidão da mulher negra eu pude perceber o quanto a sociedade é cruel e exclui as pessoas fora do padrão.

Esse não é meu local de fala, portanto, deixarei um vídeo sobre o tema para que você compreenda melhor:

A Alexandra também lançou um vídeo sobre a solidão da mulher gorda. Vem ver:

Depois de pensar sobre o tema eu comecei a me conhecer e reparei que muitos dos meus medos e das minhas inseguranças vinham desses traumas, causados pela gordofobia. Eu sentia ciúmes excessivo por achar que a pessoa que estava comigo encontraria “alguém melhor”, uma mulher magra e mais dentro do padrão.

Eu comecei a identificar essas coisas e compreender mais sobre meus medos. Isso foi essencial para que eu visse que também acabei desgastando relacionamentos por conta de medos que outras pessoas tinham me causado antes.

A parte boa é que, quando a gente entende quais são os traumas e as frustrações que nos impedem de seguir em frente, podemos trabalhá-los e vencê-los. Essa é uma das minhas lutas diárias.

O amor próprio e a libertação

Eu confesso que não é sempre que me acho bonita. É difícil se achar bonita quando o mundo te diz que você é feia. Ainda assim, minha vida mudou quando comecei a me aceitar e enxergar beleza em cada curva do meu corpo.

O que antes eram defeitos passaram a ser características minhas e eu não sinto mais vergonha. Eu não fico mais a espera de emagrecer para usar um vestido ou uma regata.

Eu não acho que minha vida vai começar só quando eu for magra, que eu serei mais feliz quando eu for magra. Ela está aqui, acontecendo agora. Eu provavelmente nunca nem serei magra e isso não me entristece mais.

Pode parecer bobagem, mas isso fez toda a diferença. Eu me sinto feliz e agora quando escuto comentários maldosos eu apenas relevo. Às vezes eles machucam, às vezes não é um dia bom e eu estou frágil. Porém, agora eu encontrei esse poder dentro de mim e não deixo que essas situações me derrubem por muito tempo.

E espero, de todo o coração que se você for uma mulher gorda e estiver lendo este texto, saiba que ele também está dentro de você. É possível ser feliz e gorda. Nós não somos lindas APESAR de gordas. Somos lindas E gordas. Vença a gordofobia e conquiste a sua felicidade!

Eu vou deixar agora um vídeo (é o último, eu juro), que a Alexandra Gurgel gravou no ano passado, quando estava próximo do dia dos namorados. Estamos chegando mais uma vez a essa data e, se você ainda não viu o vídeo, recomendo fortemente.

Imagem de capa: PXHere

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